Democratas vetam indicação de Bush para ONU

Rick Klein
Em Washington

Senadores democratas, irritados com a recusa da Casa Branca em entregar as informações que solicitaram, bloquearam a votação da nomeação de John R. Bolton para se tornar embaixador dos EUA junto a Organização das Nações Unidas novamente nesta segunda-feira (20/06).

O impasse deixou o presidente Bush considerando a possibilidade de usar sua autoridade para nomear o embaixador de qualquer forma, por um período de até 18 meses.

Mas se Bush ignorar o Senado e nomear Bolton como representante americano no corpo mundial, poderá enfraquecer sua capacidade de negociação com outras nações. Além disso, poderá reforçar o antagonismo dos democratas em relação ao presidente, justo quando seu programa interno está estagnado e a oposição à guerra ao Iraque está crescendo.

"É inaceitável o presidente dos EUA -democrata ou republicano- tentar ditar ao Senado como ele acha que devemos proceder", disse o senador Joseph R. Biden Jr. democrata de Delaware e alto membro do Comitê de Relações Exteriores do Senado.

Os democratas dizem que vão recusar-se a votar em Bolton até que o governo Bush apresente dois conjuntos de documentos relevantes a sua nomeação --e que podem mostrar que Bolton usou interceptações de inteligência para retaliar contra analistas e exagerou dados sobre armas de destruição em massa na Síria em 2003.

O governo recusou-se a fornecer os documentos, argumentando que o Senado não tem o direito a avaliar a informação, que inclui comunicações internas do governo e interceptações de dados importantes de inteligência.

Os republicanos precisavam de 60 votos para remover o adiamento da votação da nomeação, mas ficaram com 54. Eles perderam o voto de um senador que votara "sim" no mês passado: George V. Voinovich, republicano de Ohio. A votação final foi de 54 a 38 e tinha sido de 56 a 42 quando o Senado considerou pela primeira vez a nomeação, no final de maio.

Bush e muitos republicanos dizem que o país precisa de uma voz forte e crítica na ONU, recém afetada por escândalos. Na semana passada, a Câmara dos Representantes, liderada pelos republicanos, decidiu segurar as verbas devidas à ONU até que faça reformas, apesar de Bush se opor à estratégia.

Bush e Rice têm certeza de que Bolton é o homem certo para promover o programa do governo na ONU e que Bolton é qualificado para o trabalho, disse o diretor do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Richard G. Lugar, Republicano de Indiana.

"Eles disseram que querem John Bolton, reconhecido reformador, para desenvolver seu programa de reforma na ONU", disse Lugar. Todos os senadores já têm opinião formada, diz Lugar, e as informações que os democratas querem são essencialmente irrelevantes.

Mas o líder da minoria no Senado, Harry Reid, democrata de Nevada, disse que o governo colocou "o partidarismo acima da Constituição e do direito do Senado de receber informações do ramo executivo do governo. A não ser que o presidente apresente as informações, que sabemos ser nosso direito constitucional, Bolton não terá votos suficientes".

A votação da noite de segunda-feira sugere que os democratas podem continuar adiando indefinidamente a aprovação de Bolton, deixando Bush com três opções: mudar de idéia e dar aos democratas os documentos; encontrar outro nome para substituir Bolton ou nomeá-lo quando o Senado entrar em recesso, no verão --uma "nomeação de recesso". Neste caso, Bolton poderia servir de embaixador junto à ONU até 2007, final da próxima sessão congressional de um ano.

Bush e seus assessores ainda estão tímidos quanto a essa opção. O presidente evitou a questão em uma conferência com a imprensa na Casa Branca com líderes da União Européia na segunda-feira, mas insistiu que Bolton continua sendo sua escolha.

"O povo americano quer saber por que o nomeei: porque a ONU precisa de reforma, e pensei que fazia sentido enviar um reformador", disse Bush.

Democratas advertiram que a presença de Bolton na ONU sem o consentimento do Senado ia irritar a comunidade internacional, já desconfiada do candidato por seus comentários desdenhosos questionando a eficácia da organização.

Certa vez ele disse que a sede da ONU em Nova York poderia perder 10 de seus 38 andares que "não faria diferença" e que "não existe essa coisa de Nações Unidas".

Até mesmo alguns dos defensores de Bolton dizem que se fosse nomeado no recesso teria sua capacidade de negociação enfraquecida, mas alguns republicanos dizem que a culpa é dos democratas.

"Isso não ao interesse nacional", disse o presidente do Comitê de Inteligência do Senado Pat Roberts, republicano do Kansas. Ele pediu que os democratas cedessem e permitissem que o país fosse bem representado na ONU.

Se a nomeação de Bolton chegasse ao plenário do Senado, que é controlado pelos republicanos, aparentemente teria votos suficientes para conseguir a confirmação. Dos 55 republicanos do Senado, somente dois --George V. Voinovich, de Ohio, e John R. Thune, de Dakota do Sul-- indicaram que votariam contra Bolton. John Bolton vem sendo sistematicamente reprovado pelo Senado Deborah Weinberg

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