Popularidade de Blair aumenta após os atentados

Farah Stockman
Em Londres

Há apenas três meses, o primeiro-ministro Tony Blair do Reino Unido parecia estar no poente de sua carreira. A oposição à guerra no Iraque destruíra sua popularidade. Apesar de ter sido reeleito em maio, seu partido sofreu tamanha perda em assentos parlamentares que a oposição pediu seu cargo. Os jornais previam que ele teria dificuldades para terminar seu terceiro mandato.

Entretanto, depois dos ataques terroristas ao sistema de transporte londrino em julho, os índices de aprovação de Blair deram um salto. Segundo as pesquisas, eles quase atingiram seus níveis mais altos desde a invasão do Iraque, mesmo com a maioria do povo britânico acreditando que a guerra no Iraque deixou Londres mais vulnerável.

"O país se apaixonou de novo pelo homem que sabe lidar com uma crise", emocionou-se o jornal galês "Western Mail & South Wales Echo".

"O que (os ataques) fizeram, foi devolver-lhe o poder que teve em seus melhores momentos desde que se tornou primeiro-ministro, há nove anos. Eles revigoraram completamente sua posição na política britânica. Agora Blair é visto como figura dominante, o que não aconteceu nas eleições", disse Tony Travers, professor de governo da Escola de Economia de Londres.

De acordo com uma pesquisa desenvolvida pela firma independente Populus e o jornal "The Times", quase um terço de todos os eleitores entrevistados em julho disseram que Blair devia reconsiderar sua decisão de renunciar ao cargo antes das próximas eleições. Em junho, antes dos ataques, metade dos eleitores disseram que ele devia renunciar agora ou até o final do próximo ano. Esse número caiu para dois quintos na pesquisa de julho.

Em outra pesquisa, conduzida pela Market & Opinion Research International, uma firma estrangeira no Reino Unido, 44% das pessoas se disseram satisfeitas com Blair, subindo de 39% em junho e 33% no começo do ano. De todos os entrevistados em julho, 47% disseram que não estavam satisfeitos com Blair, 52% em junho e 58% em janeiro.

O entusiasmo renovado por sua liderança pode dar a Blair uma chance de implementar medidas de combate ao terrorismo controversas, que há muito defendia, como a introdução de carteiras de identidade nacionais, maiores poderes de deportação e a prisão domiciliar sem julgamento para acusados que não podem ser enviados para seus países de origem. Mas o novo ambiente de tensão no país também traz riscos políticos para Blair e o deixa em corda bamba, entre opiniões divergentes sobre como lidar com a ameaça, segundo os especialistas.

Nos últimos dias, o primeiro-ministro foi criticado pelos dois lados. Liberais o atacam pelas medidas duras, que consideram uma ameaça às liberdades civis; conservadores queriam que fosse mais rápido contra os extremistas que há muito encontraram abrigo no país.

No dia 5 de agosto, apresentando um pacote de propostas para combater o terrorismo, Blair disse que os que glorificam o terrorismo não tinham lugar no Reino Unido e que ele ia fechar mesquitas e outros locais de adoração que estimulassem a violência. O discurso capturou perfeitamente o sentimento público, em estilo típico de Blair, segundo Travers, que disse que o primeiro-ministro também ganhou pontos junto ao povo em seu discurso depois da morte da princesa Diana.

"Ele tem um jeito incrível para apreender qual é a temperatura do corpo britânico", disse Travers. Ele não é "tão adepto em prover soluções consistentes". Na quinta-feira, os liberais expressaram revolta quando o governo prendeu 10 acusados de extremismo que moravam no país há anos e anunciou planos de deportá-los sem audiências na Justiça.

"Blair e o governo estão explorando o clima de medo. Não devemos usar esses sentimentos para abandonar nossos valores e tradições", disse Muhammad Abul Kalam, 25, que trabalha com educação em Londres.

No entanto, Paul Whiteley, professor da Universidade de Essex que dirige o Estudo Eleitoral Britânico, disse que o duro discurso de Blair para reprimir extremistas muçulmanos vai descer bem nos "bares da Inglaterra", fora das áreas metropolitanas.

"Há uma tendência natural das pessoas unirem-se em torno da bandeira, como nos EUA" depois dos ataques de 11 de setembro, disse Whiteley. "Mas se (um ataque terrorista) acontecer novamente, acho que a união observada nas pesquisas vai começar a desaparecer." Britânicos aprovam a forma como o primeiro-ministro tem reagido Deborah Weinberg

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