Governador republicano de Massachusetts acredita em reeleição fácil

Michael Levenson
do The Boston Globe

Apesar das pesquisas que indicam que ele está atrás de potenciais rivais democratas, o governador Mitt Romney prevê com confiança que derrotará a concorrência caso decida disputar a reeleição no ano que vem.

"Se concorrer à reeleição, vencerei por uma ampla margem de votos em Massachusetts. E é muito possível que eu concorra", afirmou Romney em uma entrevista concedida a Chris Matthews, que foi televisionada nacionalmente na última sexta-feira no programa "Hardball", sobre política, da MSNBC.

Os comentários feitos por Romney foram os mais recentes em uma série de sinais de significados distintos que ele vem dando nos últimos meses. No início deste ano o governador viajou pelo país, elevando o seu patamar de projeção nacional, e arrecadando verbas para os republicanos. Em junho, ele reconheceu explicitamente que estava fazendo uma sondagem para a campanha presidencial de 2008. Mas, neste mês, ele enfatizou para vários jornalistas que está concentrado no cargo atual e que ainda não decidiu se disputará a reeleição.

Na sexta-feira, o seu principal rival democrata, o procurador-geral Thomas F. Reilly, divulgou uma resposta curta. "Quando quer que o governador se decida, estarei pronto".

Durante uma entrevista bem humorada, Matthews demonstrou claramente o seu ceticismo quanto à insistência de Romney em dizer que não decidiu se disputará a Casa Branca em 2008.

"Adoro ser governador, adoro o que estou fazendo aqui", disse Romney a Matthews.

Matthews continuou pressionando.

"Por que é que eu tenho a impressão de que você está concorrendo ao governo do Estado, quero dizer, à presidência?", perguntou.

Romney respondeu: "Não sei".

E Matthews continuou: "Tenho a impressão de que você é candidato à presidência. Vejo isso todos os dias. Leio as notícias. Percebo que você está envolvido com várias dessas questões... E você dá a impressão de estar concorrendo à presidência. Você não está satisfeito em ser apenas governador de Massachusetts, está?".

Romney retrucou que está, de fato, satisfeito como governador.

"Adoro ser governador de Massachusetts", repetiu. "Estou concentrado no cargo. Qualquer coisa além disso é algo tão remoto, tanto no tempo como em termos de probabilidade, que, a esta altura, não vale a pena ser discutida".

Matthews não perguntou especificamente a Romney se este está disputando a reeleição. O governador disse que anunciará os seus planos neste outono.

A entrevista foi gravada na quinta-feira, tendo ao fundo barcos na Marina Bay, em Quincy, onde Romney organizou um evento para arrecadação de verbas para a tentativa de reeleição. A entrevista ocorreu menos de uma semana após uma pesquisa Globo ter indicado que ele enfrentaria uma árdua batalha se tentasse obter um novo mandato.

A pesquisa Globo, feita com base em entrevistas com 503 indivíduos adultos, e publicada no domingo, revelou que Reilly conta com o apoio de 51% dos entrevistados, comparados aos 38% de Romney. Em março, a pesquisa Globo mostrou Reilly com 48% das intenções de voto e Romney com 41%.

A pesquisa também mostrou que, quando se perguntou aos entrevistados se Romney deveria ser reeleito, 30% disseram que sim, enquanto 51% afirmaram que outra pessoa deveria ser eleita.

Os democratas disseram considerar Romney irrelevante - eles possuem maiorias em ambas as casas parlamentares para neutralizar facilmente os seus vetos -, e alguns afirmaram que relutam em lhe fornecer vitórias legislativas que ele possa usar em seu favor na campanha eleitoral. Mas Romney disse na semana passada que a sua agenda legislativa "está mais profunda do que nunca", à medida que ele busca aprovar medidas relativas à saúde, criação de empregos e educação em um parlamento preponderantemente democrata.

"O que estou procurando fazer aqui é tentar implementar um programa que incluía um plano para a saúde que forneça seguro saúde a todos, que reforme o nosso sistema escolar e que crie mais empregos", disse Romney a Matthews. "É por isso que estou lutando. E só o tempo trará respostas para qualquer coisa que vá além desse programa".

Durante a entrevista, o jornalista perguntou a Romney se haveria uma figura nitidamente preferida para disputar a presidência pelo Partido Republicano. Ele não incluiu a si próprio ao citar uma lista de potenciais candidatos.

"Bem, creio que John McCain seja um favorito, e talvez Rudy Giuliani e o senador Frist", opinou Matthews, referindo-se ao senador pelo Arizona, ao ex-prefeito de Nova York e ao líder da maioria no Senado, do Tennessee. "Há um grupo de indivíduos que são bastante fortes. Contamos com um campo muito forte".

Romney também avaliou o campo democrata, e citou a senadora Hillary Clinton, a democrata por Nova York que poderá concorrer pela candidatura no seu partido.

"Quero ter certeza de que continuemos a ter nomes fortes disputando arduamente a vaga republicana, porque creio que Hillary Clinton será a candidata democrata", afirmou Romney. "E, tendo em vista os desafios enfrentados por nossa nação, não consigo imaginar algo de pior do que tê-la como presidente".

Romney, que já foi pressionado pela Assembléia Legislativa para que aprovasse uma emenda constitucional banindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas permitindo as uniões civis que confeririam vários dos mesmos direitos, procurou esclarecer essa sua posição na entrevista, frisando que se opõe firmemente a ambas as formas de reconhecimento legal.

"Quero ver um casamento limitado a um homem e uma mulher", afirmou. "Tampouco desejo que haja uniões civis entre homossexuais. É claro que, se tivéssemos que escolher entre a união civil e o casamento, eu preferiria a união civil. Mas a minha opção fundamental seria por proibir qualquer das duas situações".

Romney, juntamente com alguns parlamentares conservadores e ativistas que atuam junto às bases eleitorais, retirou o seu apoio à emenda, que atualmente está dependendo de uma sessão conjunta de Câmara e Senado, marcada para 14 de setembro. Ele agora apóia uma medida diferente, que será votada em 2008, que impediria o casamento entre pessoas do mesmo sexo, sem criar nenhum dispositivo referente a uniões civis.

Até mesmo os republicanos próximos ao establishment político não sabem ao certo se Romney tentará a reeleição. Nesta semana, em uma surpreendente mudança de roteiro, Romney cancelou abruptamente os seus planos para comparecer a um piquenique republicano, planejado para o sábado, em Nasha, New Hampshire. Os assessores do governador informaram que Romney se deparou com um compromisso familiar de última hora.

Espera-se que Romney anuncie os seus planos relativos à reeleição neste outono.

Philip W. Johnson, presidente do diretório estadual do Partido Democrata, disse que a previsão de Romney de uma vitória fácil foi "uma declaração repleta de uma arrogância extraordinária", tendo em vista aquilo que ele chamou de lista mirrada de realizações do governador, além da sua agressiva campanha nacional. Johnston, assim como vários membros do Partido Democrata, acredita que Romney tentará disputar a presidência.

Segundo Johnston, se tentar a reeleição, Romney pode esperar uma campanha difícil ao enfrentar Reilly; Deval Patrick, ex-procurador-geral assistente, que está no páreo; ou o secretário de Estado William F. Galvin, que ainda não anunciou os seus planos.

"Romney pode assinar cheques polpudos no intuito de ludibriar os eleitores mais uma vez, mas creio que os eleitores de Massachusetts são espertos demais para caírem nessa", disse Johnston. "Eles podem ter sido enganados uma vez, mas não creio que isso aconteça novamente". Danilo Fonseca

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