Decisão de Romney provoca início de campanha

Scott Helman e Raphael Lewis
Em Boston

Foi dada a largada.

A disputa para governador em 2006 começou com toda força, na quinta-feira (15/12), um dia depois de o governador Mitt Romney anunciar que não ia concorrer à reeleição. O promotor-geral do Estado, Thomas F. Reilly, acusou a vice-governadora Kerry Healey de estar alienada de Massachusetts. Healey contra-atacou chamando Reilly de ineficaz. O pré-candidato democrata Deval L. Patrick disse que seria um líder mais forte que os dois.

Reilly lançou sua ofensiva primeiro, reunindo repórteres às 10h na Omni Parker House. Diante de cartazes brilhantes dizendo "Reilly para Massachusetts", ele praticamente ignorou Patrick, seu provável opositor nas primárias, e assumiu como alvo Healey por ser "sócia de um governo que foi o mais partidarista, polarizador e ineficaz" de que se lembrava.

"Eles tiveram a chance deles; não fizeram o serviço", disse Reilly. "Eu farei."

Reilly repetidamente associou Healey com as afirmativas de Romney, na quarta-feira à noite, que seu governo tinha realizado quase tudo que tinha proposto. Ele acusou Healey e Romney de terem ignorado a Universidade de Massachusetts, comprometido a educação pública com cortes de verbas e jogado a culpa nos outros por problemas como falta de moradia e dificuldades financeiras das cidades.

"Missão cumprida? Todo mundo sabe que a missão não foi cumprida", disse Reilly aos repórteres, uma referência astuta aos dizeres por trás do presidente Bush quando declarou em 2003 que a guerra no Iraque tinha sido vencida. "A vice-governadora parece acreditar nisso também, o que reforça ainda mais a necessidade de mudança."

Reilly disse que o governo de Romney não tinha conseguido diminuir o imposto de renda para 5%, que os eleitores pediram em um referendo em 2000. Reilly disse que ia fazer isso.

"Os eleitores deixaram muito claro que querem o imposto de renda em 5%. É nosso papel realizar isso, e é o que faremos", disse Reilly. No passado, ele se opôs ao corte nos impostos porque achava que o Estado não poderia arcar com o custo anual de US$ 600 milhões (em torno de R$ 1,3 bilhão).

Poucas horas depois, Healey criticou Reilly por suas críticas negativas no primeiro dia da disputa. "Acho que deve estar com certo medo", disse ela aos repórteres depois de falar sobre violência de gangues em uma reunião da Associação de Chefes de Polícia de Massachusetts, em Boylston. "Estou apenas fazendo meu trabalho, e não ligo para o que ele está dizendo."

Healey disse que Reilly, principal responsável pelo cumprimento das leis do Estado, foi ausente em uma de suas maiores questões: gangues e crime em áreas urbanas.

"Bem, francamente, não acho que ele tem sido um líder nas coisas mais importantes para nossas comunidades", disse ela em resposta às perguntas dos repórteres. "É só ler os jornais que fica patente que o que realmente importa atualmente é tratar da questão da intimidação de testemunhas e violência de gangues."

Patrick, enquanto isso, usou uma reunião com alunos do Emerson College para criticar Reilly por ter pouca experiência, retratando-o como pessoa fechada em Beacon Hill que só poderia oferecer uma liderança "ordinária".

"Não acho que um histórico de hesitação, reticência e acusações em vão, como vimos consistentemente com o promotor-geral, é o que precisamos neste ponto", disse Patrick, ex-promotor de direitos civis sob o presidente Clinton.

Patrick então disse aos repórteres que era ingênuo da parte de Reilly atacar Healey em vez dele. "Muitas pessoas que encontro por aí em torno do Estado estão se perguntando, corretamente, se Tom Reilly é o melhor que podemos fazer", disse ele. "Há uma abertura e estamos explorando isso."

Patrick também criticou a promessa de Reilly de cortar os impostos de renda no Estado. "Não acho que é honesto dizer às pessoas que podemos arcar com uma redução de impostos neste momento", disse ele. "Temos cidades passando por absoluta necessidade porque a ajuda local virtualmente desapareceu e os impostos sobre propriedade em muitos locais estão em seus níveis mais elevados."

Romney depois se defendeu das acusações de Reilly dizendo que as críticas também implicavam críticas aos legisladores democratas. "Virtualmente tudo que realizei, realizei com a ajuda do Legislativo", disse Romney aos repórteres.

Outro candidato esperançoso para 2006 é Christy Mihos, empresário de Cohasset e ex-membro do conselho do Departamento de Estradas que ainda tem que decidir se vai concorrer como republicano ou independente. Mihos não foi localizado para comentários.

*Colaborou Scott S. Greenberger. Governador de Massachusetts diz que não tentará reeleição Deborah Weinberg

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