Romney é considerado um candidato viável à presidência dos EUA em 2008

Scott Helman

Se o anúncio feito pelo governador Mitt Romney, na quarta-feira passada, responde à maior questão existente na política de Massachusetts, ela gera uma outra ainda maior: Ele é um candidato viável à presidência?

A resposta curta é sim, segundo analistas políticos, observadores e ativistas republicanos de todo o país. Mas a resposta mais longa, segundo eles, é que Romney enfrenta duros desafios: convencer os conservadores sulistas de que ele não é um liberal da região nordeste do país, discutir mais a política externa e superar os preconceitos quanto à sua religião.

"Sim, ele é um candidato viável. Ele conta com uma reputação espetacular nos círculos republicanos, as câmeras o adoram, e ele transmite ao público mensagens bastante focadas", afirma o ex-presidente do Comitê Nacional Republicano, Rich Bond.

"No entanto, ele tem muito trabalho pela frente", acrescenta Bond.

Faltando mais de dois anos para as primeiras primárias, outros possíveis candidatos - incluindo o senador John McCain, o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, e meia-dúzia de outros, são significativamente mais conhecidos pelo público, e contam com maior experiência política do que o governador republicano de Massachusetts, que está no seu primeiro mandato. A sua meta legislativa mais ambiciosa, a aprovação de uma lei para o sistema de saúde, não foi ainda aprovada, e os democratas da assembléia estadual ainda negociam um acordo quanto a ela.

Mas, segundo todas as análises, Romney se transformou em um dos principais nomes para 2008, contando com uma agenda interestadual intensa em 2005, e assumindo, nos últimos meses, posições cada vez mais conservadoras em relação ao casamento de homossexuais, o aborto e o meio-ambiente. E ele terá ainda mais chances de expandir a sua rede política em 2006 como presidente da Associação de Governadores Republicanos.

Durante mais um ano, Romney não deverá anunciar uma pretensão à candidatura presidencial, e as manchetes de 2006 poderão ter um grande impacto sobre os seus planos. Se a guerra contra o terrorismo continuar sendo o principal assunto na mídia, McCain, uma das principais vozes do país no campo da defesa, poderá contar com uma vantagem. Por outro lado, se a ameaça econômica representada pela China se tornar uma pauta importante, Romney poderá sobressair.

Vários observadores dizem que Romney contará com uma chance concreta de obter a nomeação caso terminar entre os três primeiros colocados em Iowa, se vencer, ou se ficar em segundo lugar em New Hampshire, e atrair um número suficiente de conservadores para apresentar na Carolina do Sul um desempenho mais vigoroso do que McCain.

"Romney tem o potencial de concorrer seriamente à nomeação", garante Scott Reed, que gerenciou a campanha presidencial de Bob Dole em 1996.

Em Iowa, Romney causou uma forte impressão entre eleitores, ativistas e políticos durante as viagens que fez ao Estado, incluindo uma visita rápida no sábado passado para participar de dois eventos organizados por arrecadadores de verbas de campanha. Uma delas foi para Brad Zaun, um senador estadual que representa parte da cidade de Des Moines, e que disse ter ficado impressionado com a simplicidade de Romney.

"Ainda que ele seja um indivíduo muito bem sucedido, Romney é uma pessoa bastante humilde e genuína", disse o ex-governador de Iowa, Terry E. Branstad, uma das várias lideranças republicanas de Iowa que participou de uma reunião reservada com Romney durante a visita deste último. "E, sim, eu acho que ele atrairá o eleitorado de Iowa".

Branstad disse que um possível percalço que poderá ser enfrentado por Romney é o fato de alguns dos membros do partido em Iowa manifestarem hesitação em votar em um político mórmon. Branstad disse que, na reunião, rogou a Romney que colocasse a família - Romney é casado e tem cinco filhos - na frente e no centro da sua campanha, para mostrar que é um homem de família, e imbuído de valores familiares.

Bond, que por ora considera Romney um "candidato do segundo escalão", disse que o governador deveria analisar como foi que George H. W. Bush se tornou instantaneamente um candidato de primeira linha na corrida presidencial de 1980, ao vencer Ronald Reagan na convenção de Iowa.

Quanto a New Hampshire, Romney está em uma posição invejável. Ele possui uma casa de férias em Wolfeboro, fez várias visitas políticas ao Estado, conhece os operadores republicanos, e conta com uma cobertura favorável por parte da mídia, devido à proximidade com Boston.

O presidente do Partido Republicano em New Hampshire, Warren Henderson, disse que parte da força de Romney reside no fato de ele ser um mestre em termos de política e de personalidade, ao contrário de vários políticos.

Segundo ele, Romney é nitidamente capaz de se sair bem nos dois campos.

Mas a proximidade entre Romney e New Hampshire também torna o jogo mais arriscado para ele naquele Estado. Uma derrota seria um grande problema. McCain, que venceu o presidente Bush na primária de New Hampshire em 2000, continua sendo um político estimado por vários indivíduos naquele Estado de pensamento independente, e poderia novamente emergir como primeiro colocado, caso resolvesse entrar na disputa.

Apesar de toda a empolgação com o nome de Romney em New Hampshire, alguns dizem que é muito cedo para falar sobre as suas perspectivas no Estado.

"Creio que teria que observá-lo melhor para determinar aquilo no que ele acredita", afirma Jean White, uma ex-senadora estadual de New Hampshire, e ativista veterana na política republicana.

De todos os Estados onde haverá as primárias iniciais, a Carolina do Sul talvez consista no maior teste para Romney.

Rick Beltran, presidente do Partido Republicano do Condado de Spartanburg, disse que o governador foi muito bem recebido durante a sua visita à região, mas frisou que o fato de ele ser de Massachusetts poderia representar um problema. Beltran conta que quanto levou o nome de Romney pela primeira vez aos ativistas do partido, a resposta foi a seguinte: "Como é que podemos ter alguém de Massachusetts? Eles são todos liberais".

Beltram disse que Romney precisa ser capaz de convencer os eleitores de Spartanburg e de outros condados-chave de que é um bom candidato nos campos financeiro e social.

"Não há motivo para acreditar que Mitt Romney não venha a ser um candidato bastante viável", diz ele.

Mike Green, ativista republicano e fundador do site político SC Hotline, não está tão certo quanto a isso. Para ele, Romney pode não ser suficientemente conservador, e os eleitores poderiam optar por um outro possível candidato, o senador George Allen, da Virgínia.

Embora Romney se defina como "pró-vida" e seja um arraigado oponente dos direitos ao aborto, as suas idéias quanto a essa questão só se inclinaram para a direita durante os últimos dez anos. Durante a disputa com o senador democrata Edward M. Kennedy por uma vaga no Senado, em 1994, ele prometeu que trabalharia no sentido de garantir "o aborto seguro e legal neste país". Isso pode fazer com que os conservadores não confiem nele agora.

"Simplesmente não vejo como Mitt Romney possa decolar aqui", disse Green, referindo-se à receptividade dos eleitores da Carolina do Sul.

Romney, que continua construindo uma rede política, conta com bolsões de apoio em outras partes do país: em Michigan, onde foi criado, e onde o seu pai, George Romney, foi governador; em Utah, onde promoveu com sucesso as Olimpíadas de Inverno de 2002 em Salt Lake City; e na Califórnia, para onde viajou diversas vezes, e onde goza de bom relacionamento com doadores de verbas para campanhas, especialmente no reduto republicano de Orange County.

Para Grover Norquist, um influente conservador de Washington, Romney é um sério candidato nacional, mas enfrentará questionamentos problemáticos quanto à sua religião. Norquist diz que é difícil determinar neste momento se Romney perderia votos por ser mórmon, ou se ele atrairia a simpatia de eleitores, caso a sua religião emergisse como tópico negativo durante a campanha.

"Ambos os quadros são possíveis", afirma Norquist.

Existem, é claro, diversas outras variáveis - a guerra no Iraque, por exemplo - que provavelmente determinarão o rumo dos acontecimentos em 2008, de maneiras que não somos capazes de enxergar em 2005.

"É fácil ficarmos empolgados dois anos antes da primeira primária", alerta Dan Schnur, estrategista republicano da Califórnia, que trabalhou para a campanha presidencial de McCain em 2000. "Mas ainda há passos importantes a serem dados, e Romney está dando os passos certos". Mas o republicano deve trabalhar duro para vender, dizem analistas Danilo Fonseca

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