Brasileiros são o grupo de imigrantes que mais cresce em Massachusetts

Michael Levenson e Yuxing Zheng

O número de imigrantes morando em domicílios no Estado de Massachusetts cresceu 15% na primeira metade desta década, em um aumento drástico causado pela chegada de brasileiros e outros imigrantes oriundos da América Latina, segundo os novos dados divulgados pelo Departamento de Censo dos Estados Unidos.

Cerca de 14,4% da população do Estado eram estrangeiros em 2005, contra 12,2% em 2000, de acordo com os dados do censo. Os dados revelaram que o número de imigrantes subiu de 772.983 em 2000 para 891.184 no ano passado.

Cerca de 55% dos imigrantes no Estado no ano passado não eram cidadãos dos Estados Unidos, embora o censo não tenha determinado quantos estão em situação legal, de posse de vistos de trabalho ou outros documentos.

A onda de imigração para Massachusetts contrabalançou um êxodo que alarmou formuladores de políticas públicas e empresários do Estado. Os últimos números evidenciaram como Massachusetts está mudando, e sugeriram que embora muita gente tenha deixado o Estado em busca de moradia mais baratas, melhores empregos e um clima mais ameno, os imigrantes estão mantendo a população de Massachusetts em um patamar de cerca de 6,4 milhões de habitantes.

"Os imigrantes serão uma força democrática básica para o crescimento populacional de Massachusetts", afirma William H. Frey, demógrafo da Brookings Institution, em Washington, D.C. "Está é uma área que tem perdido migrantes domésticos, especialmente na área de Boston. Uma área cuja população aumenta e diminui de acordo com a economia. Mas um fator constante será o fluxo contínuo de imigrantes, e eu acho que isso é importante".

O maior grupo de imigrantes em Massachusetts é proveniente da América Latina. O censo revelou que 321.321 indivíduos que moravam no Estado no ano passado eram latino-americanos. Esse número representa 37% da população total de imigrantes em 2005, e corresponde a um aumento de 40,7% em relação a 2000.

Entre os latino-americanos em Massachusetts, a população composta de centro-americanos aumentou 67,7% entre 2000 e 2005, e o número de sul-americanos cresceu 107,5%, revelou o censo. E, entre os sul-americanos, o grupo que mais cresceu foi o de brasileiros, cujo número teve um aumento de 131,4%, chegando a 84.836 pessoas.

"Foi aí que começamos a abrir negócios", explica Fausto da Rocha, diretor-executivo e fundador do Centro de Imigrantes Brasileiros em Allston. "Nós trazemos uma força de trabalho, uma força de trabalho jovem. E muitos brasileiros têm o diploma de segundo grau ou curso superior. E isso faz com que seja mais fácil abrir um negócio e ajudar mais a economia".

Mary Silveira, 39, que se mudou do Brasil para Boston cinco anos atrás para estudar inglês, trabalha como secretária na Paróquia Santo Antônio de Pádua, em Allston, e assiste a aulas de língua inglesa no Centro Comunitário Jackson Mann.

"No meu país, uma pessoa da minha idade não encontra trabalho, porque é considerada muito velha, aposentada", disse ela na terça-feira (16/08) no Centro da Comunidade Católica em Allston. "Se eu voltasse agora para o meu país, teria que lutar muito para conseguir um emprego".

Silveira diz que adora morar em Boston porque se sente segura e gosta das liberdades cotidianas da vida norte-americana.

"Aqui eu me sinto muito segura. Posso caminhar sozinha às 22h", afirma. "No meu país, eu não podia fazer isso. Sinto que não preciso seguir um estilo de vida determinado. Aqui tenho liberdade para vestir o que quiser, e como quiser. Se eu quiser andar descalça, posso fazer tal coisa".

Depois dos latino-americanos, o segundo grupo de imigrantes que mais cresce vem da África. Esse grupo experimentou um aumento populacional de 26,7%, chegando a 59.322 habitantes em 2005, segundo revelou o censo. A população de imigrantes asiáticos cresceu 20,3%, chegando a 242.546 indivíduos em 2005, e o número de caribenhos subiu 16%, saltando para 128.979 pessoas.

Enquanto isso, o número de europeus, o único grupo de imigrantes que experimentou um decréscimo populacional nesse período, caiu 4,6%, ficando em 229.556 moradores em 2005.

Os números foram fornecidos pela Pesquisa da Comunidade Americana do Departamento de Censo dos Estados Unidos, recenseamento anual de moradores realizado por correio, telefone e pessoalmente, e que complementa a contagem integral dos norte-americanos, realizada a cada dez anos. Esses números representam um registro das pessoas que moram em domicílios, e exclui aquilo que o Departamento do Censo considera "moradias grupais", como dormitórios, prisões e bases militares.

Em nível nacional, o número de moradores nascidos no estrangeiro morando em domicílios aumentou 16%, chegando a 35.689.842 indivíduos na primeira metade desta década.

Em Massachusetts, a maioria dos imigrantes está se deslocando para Boston, Cambridge, Somerville, Lynn, Lowell, Lawrence, Quincy e Brockton.

Mas nos próximos cinco ou dez anos, à medida que cada vez mais imigrantes atingirem uma maior estabilidade econômica, eles se mudarão para os subúrbios que ficam além do centro urbano, afirma Marc Draisen, diretor-executivo do Conselho de Planejamento da Área Metropolitana, um grupo de planejamento urbano que representa 101 cidades e localidades nos arredores de Boston.

"Como existe uma tendência de perdermos parte da população nascida no Estado, na verdade o fato de haver uma imigração internacional robusta ajuda", diz Draisen. "Precisamos de pessoas para ocupar empregos, e temos que atrair empregadores. E, em muitos casos, os imigrantes internacionais preenchem esses papéis".

Segundo o censo, a população brasileira da cidade cresceu 17% durante a primeira metade da década, chegando a 5.454 pessoas em 2005.

"Daqui a dez, 20, 30 anos, creio que a comunidade brasileira, especialmente em Boston, ocupará algumas posições-chave política e economicamente", afirma Rocha. "Seremos como são hoje os italianos e os irlandeses".

Em números totais, Boston perdeu 30.107 moradores na primeira metade da década, uma queda drástica que colocou a cidade entre aquelas que mais perderam habitantes dentre as grandes áreas urbanas do país. Os imigrantes fizeram parte desta queda: segundo os números divulgados na terça-feira, a população de Boston nascida no exterior diminuiu cerca de 5%. Danilo Fonseca

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