A hora da verdade para Lula

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fracassou em saltar a barreira dos 50% dos votos na eleição de domingo. Isto significa que, para obter outro mandato de quatro anos, ele terá que sobreviver ao segundo turno de 29 de outubro contra Geraldo Alckmin, o governador de São Paulo que ficou menos de 10 pontos percentuais atrás. Mas há um significado maior na batalha entre o presidente em exercício - um ex-líder sindical - e um adversário com uma plataforma social-democrata semelhante.

Esta disputa eleitoral ilustra como a democracia se enraizou fortemente no Brasil duas décadas após o fim da ditadura militar.

Escândalos de corrupção, culminando com a recente revelação de que pessoas ligadas a Lula pagaram R$ 1,75 milhão por um dossiê com informação que incriminaria Alckmin e outro rival político, custaram a Lula a vitória no primeiro turno.

É um sinal de uma ânsia democrática saudável por responsabilidade o fato dos eleitores terem punido Lula por um escândalo que o obrigou a demitir seu diretor de campanha. Por mais popular que o antigo menino engraxate possa ser junto aos trabalhadores e camponeses do movimento sem-terra do Nordeste empobrecido do Brasil, e por mais que apreciem a ajuda mensal de até R$ 95 para cerca de 11 milhões de famílias, mesmo os mais fervorosos simpatizantes de Lula querem que ele coíba a corrupção endêmica do Brasil.

Eles não deixam de se perguntar de onde vieram os R$ 1,75 milhões que foram usados para comprar segredos sujos sobre os oponentes de Lula. E como o escândalo ocorre após outros envolvendo seus colegas na compra de votos de legisladores, os brasileiros têm bons motivos para hesitar antes de conceder um segundo mandato a um presidente que, fora isto, fez um bom trabalho em circunstâncias difíceis.

Todavia, os apuros de Lula sugerem que a cultura política do Brasil é
resistente a qualquer monopólio presidencial de poder. Diferente do
presidente da Venezuela, Hugo Chávez, Lula não tenta intimidar a imprensa ou seus adversários políticos. Até agora, ele definiu o papel de um líder progressista latino-americano, que combina dedicação genuína à justiça social com disciplina orçamentária e vontade de promover crescimento econômico. Mas este papel exige que ele realmente se explique aos eleitores do Brasil. Isto é o que significa ser um verdadeiro democrata progressista. George El Khouri Andolfato

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