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12/02/2007 - 00h32

Ecoturismo à moda urbana

The Boston Globe
Alex Beam
O turismo "verde" está a pleno vapor; até mesmo o príncipe Charles descartou sua frota de aviões da Royal Air Force e resolveu voar em aviões comerciais (embora não na classe econômica) para fazer a sua parte em relação ao meio ambiente. O ecoturismo está prosperando no mundo inteiro de ponta a ponta, e alguns participantes de convenções agora insistem em verificar as credenciais ecológicas de uma cidade antes de fazer suas reservas em hotéis.

Inevitavelmente, os hotéis se juntaram à caravana ecológica. Tedd Saunders, co-proprietário do grupo hoteleiro Saunders de Boston e presidente de EcoLogical Solutions Inc., considera que os hotéis verdes estão na vanguarda do " ecoturismo urbano". "Nós queremos trazer o ecoturismo das florestas para o cenário urbano", diz. "O impacto positivo deste hotel é semelhante ao de toda uma região de eco-resorts", comenta, em pé no lobby do Lenox Hotel, que tem 11 andares e 210 quartos, na Boylston Street.

Saunders é uma espécie de fanático ambiental. O Lenox e um hotel parceiro investem U$ 11.000 todos os anos em usinas eólicas no meio-oeste americano para contrabalançar, ou neutralizar, o dióxido de carbono desprendido em seu consumo de eletricidade. Saunders dirige um Toyota Prius de última geração e chega até a pagar para compensar o seu uso doméstico de energia proveniente de combustíveis fósseis.

E para cada Saunders e Lenox, há um Hotel Raffaello de Chicago, que se propõe ser um "eco-hotel." Em outubro, no Raffaello reformado, anteriormente conhecido como Raphael, a promessa para os clientes convidados era a de proporcionar "uma oportunidade de experimentar um incrível renascimento verde e ecológico", no estabelecimento anunciado como "um dos hotéis verdes com tecnologia mais avançada no país".

Mais rapidamente do que você poderia dizer "luzes fluorescentes compactas de cátodo frio" - e vamos comentar algo mais sobre isso mais tarde - eu fui a Chicago para investigar as alegações do Raffaello, de que reduziria "os vestígios de carbono" dos convidados enquanto esses se esbaldavam com a "suave estética com tranqüila luz bege e em cores da paleta chocolate" a apenas alguns quarteirões do lago Michigan.

Eu também estava ansioso para conferir o propalado "telhado verde", com 1.500 pés quadrados, um refrescante oásis com um jardim hidropônico que irá fornecer ervas e produzir alimentos para o restaurante e para o spa do hotel; "a biblioteca concebida para projetos de vida ecológico"; e "como cortesia, bicicletas para montanha com mapas para ciclismo e caminhada, e tudo para reduzir ainda mais suas vestígios de carbono". Nada disso foi encontrado por lá.

Para ser justo, o Raffaello é um hotel bem confortável, um tanto caro, com uma equipe de funcionários atenciosa e bem treinada. É verdade que o banheiro "tipo spa" realmente tinha "um chuveiro com cúpula da floresta tropical" e estava bem abastecido com produtos orgânicos da Aveda como xampu e condicionador naqueles pequenos frascos plásticos que eu gosto de dar como presentes no Natal. Quando eu me queixei ao proprietário Keith Menin que o Raffaello não tinha reduzido meus vestígios de carbono nem em um milímetro, ele respondeu que "nós ainda estamos colocando as coisas em ordem".

O jardim do telhado, por exemplo, ficará pronto para o próximo verão. O restaurante e o spa têm inauguração prevista para o mês que vem.

Mais um pouco de eco-papo casual: Quando eu percebi que uma assessora de comunicação do Fairmont Washington se referia aos "vinhos biodinâmicos" no restaurante do hotel, eu quis saber o que estes poderiam ser. Ela não tinha nenhuma idéia. O patrão dela, o gerente-geral George Terpilowski, chegou mais perto da verdade quando falou em "vinhos orgânicos". Na verdade, os chamados "vinhos BD" têm conexão com o que dizia o filósofo austríaco Rudolf Steiner, para quem "os calendários astronômicos e os signos do zodíaco servem para se determinar quando semear e quando realizar colheitas", de acordo com o Sunday Times de Londres.

O príncipe Charles pratica a agricultura biodinâmica. Mas você já devia suspeitar disso, não?

É verdade que o Fairmont Washington tem reprogramado substancialmente todo seu consumo do recurso e de energia, dos artigos mais triviais aos mais importantes. O Fairmont, como a cadeia Kimpton de hotéis luxuosos, colocou cestas para reciclagem em cada quarto e, sim, instalaram luzes fluorescentes compactas de cátodo frio nos corredores e salões de reunião. Eu visitei as instalações no dia da festa de Natal dos empregados; a luz parecia um tanto para baixo, mas os espíritos ali presentes não.

As grandes cadeias "mantêm as rédeas curtas" no que diz respeito à economia de recursos, diz Saunders. "Tudo se baseia em custos. E estes programas não são bons apenas para fins humanitários. Também reduzem custos."

Saunders deleita-se em conduzir "ecotours" pelo Lenox, um dos seis hotéis da sua família. O sanitário masculino do lobby usa mictórios sem água, o que proporciona economia de 180.000 galões de água por ano. As luminárias que poupam energia estão em toda parte. Saunders substituiu todas as janelas durante uma reforma em 2000 e repaginou o edifício construído há 106 anos com uma nova "pele" - com isolantes modernos sob tijolos originais.

Num dos quartos de hóspedes, Saunders me mostrou o canal de televisão "eco-canal" que pertence ao hotel - programado com DVDs que ele recebe do aquário New England Aquarium, cujo comitê ele integra - e uma cópia do "Guia do Consumidor para Escolhas Ambientais Eficazes", publicada pelo Sindicato de Cientistas Interessados no Meio Ambiente, que é exibido com destaque no alto de cada escrivaninha nos quartos. Já o livro escrito pelo próprio Saunders, "The Bottom Line of Green Is Black" ("No fundo do verde há o negro"), co-escrito com Loretta McGovern (HarperCollins, 1993), ocupa posição mais modesta nas escrivaninhas.

Nos banheiros, Saunders está eliminando meus queridos pequenos frascos e os está substituindo por embalagens mais amigas do meio ambiente. "Nós dispensamos 500.000 destes pequenos frascos a cada ano," diz. Naturalmente, o papel higiênico também utiliza papel reciclável e sem alvejantes, e em vez de sacos de plástico para lavanderia descartáveis, o Lenox tem embalagens grossas, reutilizáveis feitas de plástico reciclado.

Cada embalagem tem uma mensagem ambiental estampada na lateral. No meio de nossa incursão pelo hotel, eu desabafei, "Tedd, com tudo isso você realmente está promovendo uma lavagem cerebral entre os hóspedes." Ele respondeu: "Estes são tempos difíceis, Alex."

Saunders não economiza nas mensagens. Se você entregar seu carro ao manobrista, o mesmo volta com um flier junto ao espelho que fornece "dez dicas para economizar combustível, melhorar o desempenho do automóvel e proteger nosso ambiente". (Dica número 10: "Use o transporte público sempre que possível.")

O Lenox incentiva os convidados a usarem um serviço semi-público de transporte, da cidade ao aeroporto, e fechou um negócio com o programa de reciclagem de sapatos da Nike, permitindo que os clientes reciclem seus tênis usados colocando-os na caixa "Eco-Chic" que fica no lobby. Saunders também está substituindo a água Evian de cortesia nos quartos dos hóspedes pela marca Saratoga, alegando que menos carbono é gasto no processo de transporte. Mas ele também sabe que as medidas conservacionistas mais sérias e significativas acontecem nos fundos da casa, como os hoteliers chamam, lá onde os clientes nunca entram.

O Lenox converte em compostos orgânicos 120 toneladas por ano só de restos do restaurante, o que é raro na indústria hoteleira. O Fairmont investiu maciçamente em motores que economizam energia para seu sistema de aquecimento e refrigeração, e recentemente comprou uma nova máquina de lavar pratos, que recicla sua água, um uso incomum para a chamada "água cinzenta" reciclada em um hotel. Os hotéis de Saunders e a cadeia Fairmont têm algo mais em comum: ambos compram "créditos" para compensar a energia que consomem em combustíveis fósseis. A idéia é que se pague para cancelar suas emissões de dióxido de carbono financiando uma capacidade de geração equivalente, só que de energia limpa e renovável.

Em toda a empresa, Fairmont compensa a energia elétrica gerada pelos 249 computadores destinados aos check-ins dos hóspedes, cerca de 100 toneladas em emissões de carbono, investindo em energia eólica.

Saunders compensa o uso total de eletricidade na cadeia Lenox, usando o sistema energético trifásico da cidade de São Francisco como distribuidor da energia renovável. "Nós já calculamos quanto CO2 nós geramos e quanto necessitamos investir em energia eólica e solar", afirma. "E nós já alcançamos o direito de dizer que estamos equilibrados e neutros, em termos de dispêndio do carbono."

Será que o seu hotel pode afirmar o mesmo?

Se você for para lá

Lenox Hotel
61 Exeter St. em Boylston, Boston
tel: 617-536-5300
lenoxhotel.com

O preço dos quartos começa a partir de aproximadamente U$ 200 a noite, incluindo as taxas. O site do hotel oferece diversas promoções, como o pacote "Bed & Breakfast Winter Escape", promoção de inverno por U$ 189, que inclui um completo café da manhã à moda americana. É um cenário perfeito, e cada quarto tem uma cópia do "Guia do Consumidor para Escolhas Ambientais Eficazes", e uma Bíblia de Gideão - quem poderia superá-los nesse aspecto?

Raffaello Condominium Hotel
201 East Delaware Place, Chicago
312-601-8610, 312-943-5000
raffaellochicago.com

A diária de um quarto comum custa um pouco menos que U$ 200, com um pacote "Breakfast at Raffaello's" saindo a partir de U$ 159. Não é o Templo do Verde que alardeia ser, mas é um hotel maravilhosamente bem situado e confortável, a meio caminho entre a movimentada Michigan Avenue e a Lake Shore Drive.

Fairmont Washington
2401 M St., Washington
202-429-2400, 800-257-7544
fairmont.com/washington

Fica bem no meio do que parece ser o ponto mais quente da capital - junto aos lobistas da rua K, não longe da Casa branca, e bem pertinho de Georgetown. Mas ficar por lá custa dinheiro. Durante a semana, os quartos podem sair até na faixa de U$400 a U$500 por noite, mas os preços caem nos finais de semana.

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