Os robôs vão se tornar tão comuns quanto os computadores pessoais?

Hiawatha Bray

Um cão robô cheira uma mão; outro acena. Se os EUA ainda estiverem em guerra em 2010, os feridos talvez sejam retirados dos campos de batalha pelos braços metálicos de um Bear.

O nome vem das iniciais em inglês de Robô de Assistência de Extração do Campo de Batalha, uma máquina em formato humanóide sendo desenvolvida em Cambridge, Massachusetts, no laboratório de pesquisa da Vecna Technologies Inc., empresa com base em College Park, Md. Apesar do nome, o robô é construído para uma variedade de tarefas salvadoras de vidas.

"É projetado para tirar os feridos do caminho", disse Jonathan Klein, diretor da Vecna de marketing, "sejam feridos em batalha, em desastres naturais ou em ataques terroristas, não importa".

Depois que aspiradores de pó automáticos introduziram milhões de consumidores à robótica moderna, as empresas que participam da feira RoboBusiness 2007, no Centro de Convenções Hynes, em Boston, estão construindo aparelhos mais ambiciosos. Entre eles está um controlador de pára-quedas, que permitirá aos aviões militares soltarem suprimentos para soldados com precisão exata, e médicos robóticos que ajudarão os especialistas examinarem pacientes a milhares de quilômetros de distância.

"Seria difícil encontrar uma indústria mais promissora e com tantos desafios", disse Colin Angle, diretor executivo da iRobot Corp., de Burlington. A maior parte dos produtos à mostra ainda é de protótipos, e não está claro quantos entrarão para o serviço militar ou comercial.

Sath Rao, que acompanha a indústria para a Frost & Sullivan em San Antonio, compara o mercado de robôs à indústria de computadores pessoais no final dos anos 70. "Acho que está nos primeiros estágios", disse Rao, que acredita que vai demorar pelo menos 10 ou 15 anos antes dos robôs se tornarem lugar comum -mais ou menos o mesmo tempo que foi necessário para os PCs evoluírem de uma curiosidade para uma aplicação universal.

O protótipo Bear da Vecna tem uma combinação de pneus de borracha e esteiras de rodagem, com um torso humanóide por cima. A cabeça tem câmeras de vídeo em cada olho para ajudar o operador humano a controlar a máquina. Seus braços podem erguer 160 kg, e a próxima versão poderá segurar o dobro. Na ponta dos braços têm remos chatos, que podem escorregar sob um corpo caído, permitindo ao robô levantá-lo.

Os primeiros Bears vão custar em torno de US$ 100.000 (R$ 200.000). Klein, entretanto, quer copiar o sucesso da iRobot quando entrou para o mercado consumidor com os limpadores de chão automatizados Roomba. Ele espera fazer versões acessíveis do Bear para ajudar a cuidar dos idosos e deficientes físicos. "Uma versão deveria estar em sua casa, ajudando-o a chegar ao banheiro, a vestir suas roupas", disse Klein.

Como a Vecna, a iRobot está trabalhando em uma máquina para salvar soldados feridos. Mas o iRobot Warrior pode fazer bem mais. Com suas esteiras rolantes que sobem escadas, o Warrior de US$ 250.000 (em torno de R$ 500.000) parece uma versão gigante do famoso PackBots, da iRobot, que já está em uso por soldados no Iraque e no Afeganistão. A parte de cima dele é plana e permite que os soldados acrescentem uma variedade de acessórios.

Um acessório que ainda está em fase de planejamento é uma plataforma ligada a uma esteira de rolagem. Guiado por um soldado por controle remoto, o Warrior pode ir até um soldado caído, colocá-lo na esteira rolante, depois levá-lo para a segurança. A iRobot espera incluir um escudo Kevlar, para proteger o soldado durante a viagem.

O vice-gerente de programa, George Bustilloz, ex-técnico de remoção de bombas das Forças Aéreas, disse que o Warrior foi projetado primariamente para desarmar explosivos. O protótipo na mostra tem um braço robótico que pode facilmente levantar as bombas de 160 kg freqüentemente usadas por insurgentes no Iraque. Bustilloz espera criar uma versão que possa carregar armas para a frente de batalha.

Alguns desses robôs podem ser entregues por via aérea, com outros ajudando a largá-los exatamente onde são necessários. Engenheiros da Atair Aerospace Inc., do Brooklyn, NY, mostraram um robô de controle de pára-quedas do tamanho de uma maleta executiva, chamado Onyx. Desenvolvido com fundos do Pentágono, o Onyx segura as cordas do pára-quedas que controlam a direção da queda. Com a ajuda de mapas digitais e com tecnologia de navegação por satélite, o Onyx pode direcionar uma caixa de suprimentos para que caia em um raio de até 90 metros de seu alvo intencionado. Hoje em dia, os aviões devem voar em altitude relativamente baixa para atingir tal precisão. Mas, com o Onyx, os aviões poderão liberar a carga a até 35.000 pés, mantendo-se em altitude segura da maior parte de artilharia antiaérea.

Robôs militares dominam a feira, mas a Intouch Technologies Inc. de Santa Bárbara, Califórnia, apresentou aparelhos que estão tratando de doentes em uma série de hospitais nos EUA, inclusive centros médicos na Universidade Johns Hopkins e na Universidade da Califórnia em Los Angeles.

A InTouch vendeu 120 de seus robôs de telemedicina RP-7, que permitem que um médico trate de pacientes a quilômetros de distância, pela Internet. O robô pode ser remotamente movido de sala em sala, para que os médicos façam suas rondas virtualmente. "De fato, um médico trabalhou de cima de um trator, em sua fazenda", disse James Rosenthal da InTouch.

A "cabeça" do robô conta com um monitor de vídeo que apresenta o rosto do médico, enquanto uma câmera transmite o rosto e o corpo do paciente. O robô não tem mãos e não pode tocar o paciente, apesar de uma enfermeira poder segurar o estetoscópio embutido no RP-7 contra o peito do paciente para que o médico ouça os batimentos.

Rosenthal disse que pacientes gostam do RP-7 porque permite que falem cara a cara com seus próprios médicos. "Está ajudando a fornecer tratamento imediato", disse ele. "Tivemos casos em que ajudou a salvar vidas." Deborah Weinberg

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