Suécia lidera movimento para carros de biocombustível

Royal Ford
Em Trollhattan, Suécia

Até 2020, o governo sueco quer que cada carro novo nas ruas rode com combustíveis que possam ser repostos, e um de seus fabricantes de automóveis já está correndo para alcançar o objetivo ambicioso.

Isso significa que combustíveis fósseis com fornecimento limitado, como gasolina e diesel, estarão fora, e que o biocombustível produzido pela agricultura - álcool - estará dentro. A Saab Automobile Global já aderiu ao mandato sueco, assim como muitos motoristas. Por exemplo, 90% do modelo popular 9-5 da Saab vendidos neste ano levam o escudo do biocombustível da Saab, o que significa que o carro queima algum etanol. Durante um recente passeio pela Suécia eles pareciam estar em toda parte. Eventualmente, todos os Saabs vendidos aqui rodarão com etanol.

Por enquanto, os carros chamados flex-fuel podem usar gasolina, diesel ou álcool, com misturas que vão de 10% de álcool até 100%, passando pelo popular E85, que leva 85% de etanol. Na Suécia, o governo eliminou o imposto sobre combustíveis renováveis, tornando-os mais baratos do que a gasolina comum, cortou impostos de venda de veículos de biocombustível, ofereceu estacionamento gratuito nas cidades para carros que usam biocombustíveis e criou faixas separadas para bio-táxis a caminho do aeroporto.

"Precisamos de um círculo fechado de uso de energia", disse Kjell Bergstrom, engenheiro responsável pelo trem de força dos carros da proprietária da Saab, General Motors Corp.

O "círculo fechado" de Bergstrom refere-se às plantas - celulose da madeira e de sub-produtos das florestas, cana de açúcar, gramíneas, milho e outros plantios - que usam a fotossíntese no processo de crescimento, para ajudar a reciclar o dióxido de carbono nocivo.

Um problema com carros movidos a álcool é que têm maior consumo do que os movidos à gasolina, disse Bergstrom. Saab e outros fabricantes de automóveis esperam fechar essa diferença usando o etanol em aplicações com diesel mais limpo, motores híbridos de gasolina e eletricidade e motores menores turbo, que têm mais força até do que alguns dos V-8 e V-6 tão populares nos EUA.

A Volvo Car Corp., outra grande fabricante sueca, ainda não revelou planos formais de adoção de biocombustíveis, mas acredita-se que anunciará projetos de carros híbridos e flex-fuel na feira de automóveis internacional de Frankfurt, neste outono.

Para os motoristas suecos, encontrar um posto para encher seus tanques com álcool está ficando mais fácil.

Em 2004, a Suécia tinha 140 postos de biocombustível. Hoje, tem 850 e até 2009 o plano é de 2.500, suficiente para um país com cerca de 5 milhões de motoristas.

Os biocombustíveis, entretanto, apresentam alguns desafios, segundo os funcionários da Saab e ambientalistas. Por exemplo, as autoridades suecas especificaram que os fertilizantes usados para o cultivo das fontes de etanol, como milho, árvores ou gramíneas, não podem criar mais poluição do que os combustíveis eliminam.

Outro fator a se considerar é que o uso da produção para combustível em vez de alimento pode ter um impacto econômico negativo. Nos EUA, por exemplo, um aumento na demanda por milho aumentaria o preço do gado que o consome.

Os fabricantes de automóveis americanos estão produzindo veículos capazes de consumir o álcool, na maior parte caminhonetes e alguns sedãs.

Há 6 milhões de veículos flex nas ruas americanas, de acordo com Steve Bantz, analista e especialista em biocombustíveis da União de Cientistas Engajados, mas a disponibilidade de postos de abastecimento "é uma grande questão". Ele disse que os EUA têm apenas 1.200 a 1.300 postos de abastecimento para seu amplo território e população.

A Suécia, porém, conhecida por sua preocupação com o meio ambiente, liberalismo e seu design de estilo e, ainda assim, espartano, pode ser o tubo de ensaio perfeito.

Knut Simonnsson, diretor de marketing da Saab, citou um estudo que mostrou que os compradores de carros conservadores gravitam para carros maiores.

"Nos EUA", disse ele, "eles querem um Cadillac, um grande V-8. Na Europa, uma Mercedes-Benz. Mas nós não."

Bantz advertiu que, como o milho, será importante observar os efeitos colaterais da produção de biocombustível. E países frios, como a Suécia, têm potencial de produzir toda a biomassa que precisam.

"Muitos na Europa vão se voltar para os trópicos para produzir a biomassa", disse ele. "Se estivermos derrubando florestas tropicais, então estaremos errando a mira."

Mas, acrescentou: "Temos que começar em algum lugar". Deborah Weinberg

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