Ele está disposto a ser o único estudante do sexo masculino em Wellesley

Keith O'Brien
Em Wellesley, Massachusetts

Para muitas mulheres, ele é simplesmente "o garoto". Elas sabem quem ele é, mesmo que não saibam seu nome. Elas conhecem a história dele, mesmo que nunca tenham falado com ele.

No pequeno mundo totalmente feminino do Wellesley College, Mohammad Usman é famoso. Ele é literalmente um homem entre mulheres -cerca de 2.300 mulheres. Usman, 19 anos, é o único homem freqüentando o Wellesley College neste semestre letivo.

"Muita gente não sabe o nome dele, sério", disse Johanna Peace, uma aluna do terceiro ano de Wellesley e editora-chefe do jornal estudantil, o "Wellesley News". "Elas estão cientes de que há um garoto no campus. E quando o vêem, elas dizem: 'Oh, lá está o garoto'."

Essdras M. Suarez/The Boston Globe 
Usman no quarto com colegas do Wellesley College, frequentado só por mulheres

O garoto em questão está morando em um dormitório no campus desde setembro, tomando banho em seu banheiro privado e, talvez previsivelmente, se tornando uma espécie de herói folclórico entre seus amigos do sexo masculino.

Mas não tenha a idéia errada: o Wellesley College, conhecido pela educação de mentes importantes do sexo feminino como a pré-candidata presidencial Hillary Clinton, não está permitindo que homens se tornem estudantes em tempo integral como muitas outras faculdades locais para mulheres. Usman, que cresceu no Bronx, Nova York, veio para Wellesley para um programa de intercâmbio com duração de um semestre, e assegura que seus motivos para querer vir para cá são puros.

Ele queria vir para a experiência educacional. (E pelas mulheres.) Estava interessado em viver perto de Boston. (E muitas mulheres.) Para ele, esta era a chance de uma vida.

"Eu achei que seria realmente fascinante ser o único homem em uma faculdade só de mulheres", disse Usman, que possui especialização em governo e geografia por Dartmouth e que cursará duas matérias em Wellesley neste semestre e duas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts devido a uma parceria que a Wellesley mantém com a escola de Cambridge. "Eu gosto de acreditar que sou curioso."

"Eu quero tentar coisas novas e a melhor parte de uma educação em artes liberais é experimentar uma grande variedade de coisas. É importante para mim extrair o máximo dos meus 50 mil (dólares)."

Segundo um acordo entre 11 instituições da Nova Inglaterra, os estudantes podem se inscrever para passar um semestre em outra escola. Um colega de Usman mencionou isto há cerca de um ano e os dois resolveram se candidatar a um semestre em Wellesley -uma decisão que surpreendeu tanto uma funcionária de Dartmouth que ela informou a Usman que não era possível.

Mas na verdade era. Homens já freqüentaram Wellesley por meio de programas de intercâmbio no passado, apesar de não recentemente, disse Jennifer Thomas-Starck, que supervisiona o programa na Wellesley. Usman e seu amigo foram aceitos. Mas o amigo de Usman desistiu, o deixando sozinho em seu empreendimento.

"Eu estava decidido", ele disse.

Usman, o quarto filho de imigrantes paquistaneses que são donos de um bazar no Bronx, se matriculou em Wellesley para o semestre como todo mundo. Seus pais, que o deixaram no campus, ficaram surpresos ao verem tantas mulheres, principalmente porque Usman não contou para eles que Wellesley era uma faculdade só para mulheres. E logo outras pessoas ficaram surpresas -não com as mulheres, mas com o único homem no campus.

No início, disse Usman, um policial do campus questionou se ele era de fato um estudante. "O olhar no rosto dele era do tipo: 'Faz de conta que eu acredito'", lembrou Usman. E depois vieram as estudantes, que o viam e perguntavam se ele não estava no lugar errado. Em resposta, ele mostrava para as pessoas sua carteira de estudante. E a notícia se espalhou rapidamente sobre "o garoto" entre elas.

"A maioria dos rapazes no campus é namorado de alguém", disse Amy Goodman, uma aluna do segundo ano no curso de política mundial de Usman. "Então, quando há um rapaz que não está com ninguém e que freqüenta uma escola só de garotas, isto faz as pessoas dizerem: 'Quem é esta pessoa?'"

As estudantes se perguntam sobre os motivos de Usman. Mas algumas dizem que Usman se misturou entre elas. A escola designou para ele uma "irmã mais velha", assim como fazem para todas as alunas novas. Na classe, ele freqüentemente se senta na frente e já fez muitas amigas -um fato que não surpreende aqueles que o conhecem bem.

"Esta é uma faculdade de mulheres", disse Wilbur Rich, um professor de ciência política de Wellesley que está dando aula para Usman neste semestre.

"Não há dúvida na mente de qualquer pessoa sobre o que está acontecendo aqui. Esta é uma instituição para mulheres. Mas os homens são bem-vindos. Se você não se importa em se ver cercado por mulheres muito, muito inteligentes, não há problema."

Mas isto não é um problema para Usman, que disse não ter namorada. Ele se sente bastante atraído por mulheres inteligentes, ele disse, e tem desfrutado da atenção que recebe de suas colegas de classe.

Usman disse que sentirá falta das amizades que fez quando o semestre chegar ao fim em 20 de dezembro. Mas certa noite na semana passada, enquanto estava reunido com três colegas de classe para um trabalho em grupo, as mulheres estavam mais preocupadas se Usman estaria lá presente para ajudar sua irmã mais velha no próximo semestre.

"O quê?", perguntou Usman.

As três mulheres explicaram que ele precisaria estar presente para a tradicional corrida de bambolês da qual as alunas veteranas participam toda primavera, e que ele precisava encontrar para sua irmã mais velha um bom lugar na linha de largada, e que ela esperaria por aquilo.

"Como assim?", ele disse de novo.

As colegas sentadas à mesa dele ficaram atônitas e tentaram convencer Usman da importância desses assuntos. Mas no final, não adiantou. Afinal, o que é que ele sabe sobre ser uma garota de Wellesley?

Ele é só um garoto. George El Khouri Andolfato

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