Henrique Meirelles, o presidente de banco central mais invejado do mundo

Steven Syre

  • Danilo Verpa/Folha Imagem

O mundo muda bastante em 14 anos.

Henrique Meirelles veio do Brasil para Boston como a opção improvável para presidir o banco mais importante da cidade em 1996, um acontecimento anunciado como uma notícia importantíssima no seu país natal. Mais de cem pessoas vieram do Brasil para cá para participarem do extravagante almoço formal – no velho Ritz-Carlton – de comemoração da sua promoção ao segundo cargo mais importante do Bank of Boston.

As pessoas não prestam mais muita atenção nos presidentes de bancos de Boston. Mas elas acompanham a aquecida economia brasileira e os indivíduos que a lideram. Meirelles, que retornou para o seu país anos atrás, é observado em todo o mundo no seu cargo atual de presidente do Banco Central do Brasil.

De fato, Meirelles é foco de inveja de muitos presidente de bancos centrais pelo mundo a fora. Ele não tem que se preocupar em reativar a economia do seu país a partir de uma situação pós-recessiva, como os seus congêneres na Europa e até mesmo nos Estados Unidos. Na verdade, o problema dele é o oposto: impedir que o Brasil e a sua moeda experimentem um excesso de aquecimento econômico e gerem uma inflação excessiva.

O Brasil é o astro da economia global e Meirelles pode afirmar que é o responsável em parte por isso. Quando o político de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se presidente em 2003, ele escolheu Meirelles, um homem de negócios conhecido e com um MBA pela Universidade Harvard, para liderar o Banco Central. A taxa preferencial de juros no Brasil estava na época em 22%.

Desde então, o benchmark do mercado primário de ações acusou ganhos de 500%, quase dez vezes mais do que o índice Standard & Poor's. E o mais importante é que a maioria dos economistas acredita que no futuro os maiores índices de crescimento serão registrados em países como o Brasil.

Meirelles retornou à Grande Boston na sexta-feira (21/05), onde fará uma palestra na Escola Brandeis de Negócios Internacionais. Ele falará sobre o Brasil e as suas perspectivas econômicas em um evento apresentado no Instituto Perlmutter de Liderança Empresarial Global, que faz parte daquela escola. Um fato que ele poderia mencionar é o número de empregos criados no Brasil apenas no mês passado, em comparação com as principais economias mundiais. O placar resumido: Brasil, 305 mil empregos. Estados Unidos, 290 mil.

"A economia está crescendo novamente segundo a mesma tendência presenciada antes da crise", ele me disse um dia desses. "Isso é o resultado do fato de a economia brasileira contar com bons e fortes fundamentos. O estímulo do governo já foi interrompido e nós estamos adotando políticas mais rigorosas".

Dá para perceber que Meirelles segue a tradição de falar pouco que é típica de presidentes de bancos centrais. Mas o Banco Central do Brasil e o governo brasileiro estão de fato adotando medidas para reduzir a inflação frente a um crescimento econômico previsto de até 6%. Meirelles aumentou a taxa de juros e deverá fazer isto novamente. E o governo está reduzindo gastos.

Até o momento, a inflação parece permanecer sob controle. Uma recente pesquisa junto a cem economistas, divulgada pelo Banco Central, prevê um índice de inflação de cerca de 5,5% até o final do ano.

Mas os problemas relativos a dívidas na Europa poderão também prejudicar o crescimento do Brasil. Os mercados de ações em todo o mundo estão caindo, já que os investidores temem que a economia global venha a sofrer uma desaceleração. A economia do Brasil está vinculada a recursos naturais, especialmente o petróleo, que por sua vez dependem da demanda global. Os preços da maioria das commodities também vêm caindo. "Nós estamos acompanhando a situação na Europa cuidadosamente para descobrirmos se existem consequências mais sérias e para ficarmos preparados como todos os outros presidentes de bancos centrais", afirmou Meirelles. Tradução: vamos ver.

A economia mundial muda a cada mês, mas isto não é nada quando comparado às mudanças drásticas que ocorrem a cada 14 anos. E Henrique Meirelles pode nos falar a respeito desse fenômeno.

Tradutor: UOL

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