Powell afirma que EUA estão prontos para ajudar na reconstrução do Afeganistão

MARGARET COKER

COX NEWS SERVICE



CABUL, Afeganistão - O secretário de Estado, Colin Powell, disse na quinta-feira (17) que os Estados Unidos estão comprometidos com o auxílio à reconstrução desta nação devastada pelas guerras, a fim de garantir que o Taleban ou um outro governo que apóie o terrorismo não assuma o poder no país.

Powell disse a Hamid Karzai, chefe do governo interino afegão, que Washington ajudaria a financiar o desenvolvimento do sistema educacional, de saúde e de outras instituições públicas destruídas no decorrer das duas últimas décadas de guerra.

"Estaremos do seu lado na atual crise e no futuro", afirmou Powell. "Nos comprometemos a fazer tudo que pudermos para ajuda-lo neste período de transição para um novo Afeganistão. Um Afeganistão onde o povo possa viver em paz e em segurança".

A visita de seis horas feita por Powell, em meio a medidas de segurança extremamente rígidas, se constituiu em um fato altamente simbólico para o governo afegão, que tenta obter uma ajuda de US$ 22 bilhões (R$ 52,38 bilhões) dos Estados Unidos e de outras nações ricas, que devem se reunir na próxima segunda-feira, em Tóquio, para discutir o auxílio financeiro para a reconstrução do país.

Acredita-se que a reconstrução do Afeganistão vá custar cerca de US$ 15 bilhões (R$ 35,71 bilhões) no decorrer da próxima década, segundo uma avaliação preliminar de necessidades elaborada em conjunto pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, pelo Banco Mundial e pelo Banco de Desenvolvimento Asiático.

Os doadores em potencial têm manifestado temor de que o governo de Karzai seja muito fraco para controlar os chefes tribais que lutam uns contra os outros e que foram os responsáveis pela destruição do país nas últimas duas décadas.

Karzai, que fala inglês fluentemente e que ajudou os Estados Unidos e os chefes tribais a conquistar a cidade de Candahar, no sul do Afeganistão, em dezembro, afirma necessitar do dinheiro para iniciar imediatamente o trabalho de reconstrução do país. Segundo ele, só depois disso o seu governo será capaz de adquirir legitimidade.

Powell, o primeiro secretário de Estado norte-americano a visitar o Afeganistão desde Henry Kissinger, em 1976, disse que os Estados Unidos estão prontos para contribuir com uma doação "significativa" para o fundo de reconstrução, embora tenha frisado que as cifras específicas só serão divulgadas na semana que vem, em Tóquio.

Powell voou do Paquistão para o Afeganistão a bordo de um avião de carga militar a jato, escoltado por caças. Ele pousou na base aérea de Bagram, ao norte da capital, e depois embarcou em um helicóptero Chinook, do exército, seguindo para Cabul. Do Afeganistão, Powell viajou para Nova Délhi, a fim de continuar com as tentativas de diminuir a tensão entre a Índia e o Paquistão a respeito da região da Cashemira, disputada pelos dois países.

Embora Karzai tenha dito a congressistas norte-americanos, que visitaram recentemente o Afeganistão, que uma força multinacional de paz de maior tamanho é necessária para garantir a segurança no país, o secretário de Estado não se comprometeu a utilizar soldados dos Estados Unidos para compor tal força.

"A presença dos Estados Unidos aqui é dirigida à erradicação do Taleban e da Al Qaeda. Tais ações vão auxiliar na criação de uma situação melhor com relação à segurança", disse Powell.

Karzai disse aos jornalistas que a visita de Powell seria um sinal de uma garantia dada a ele e ao povo afegão de que os Estados Unidos não interromperiam o seu contato com o Afeganistão após terem ajudado o país a se livrar do opressor regime Taleban, conforme fizeram após terem auxiliado a derrotar o Exército Soviético, no final da década de oitenta.

Durante a década de oitenta, o Afeganistão foi o território onde se travou a última grande batalha da Guerra Fria. A União Soviética, que havia instalado um governo fantoche em Cabul, invadiu o país para combater os rebeldes islâmicos, que eram apoiados pelos Estados Unidos, e que procuravam derrotar os comunistas.

Mas quando a vitória sobre os soviéticos foi alcançada e o Exército Vermelho se retirou, esfrangalhado, a assistência dos Estados Unidos desapareceu. Em meio à instabilidade e à luta entre os grupos rebeldes, os Estados Unidos fecharam a sua embaixada. Mais tarde, as relações diplomáticas foram cortadas, durante o regime Taleban.

Em um gesto que marca o fim de uma era, Powell reabriu oficialmente a Embaixada dos Estados Unidos na capital afegão na quinta-feira. Powell distribuiu certificados de honra para a tenaz equipe da embaixada que, durante os anos do Taleban, foi encarcerada e sofreu outras ameaças pessoais por ter trabalhado para os Estados Unidos.



Tradução: Danilo Fonsec Pós-Taleban

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