Novo "Guerra nas Estrelas" traz muita ação e história de amor maçante

Hap Erstein
Cox News Service
Em West Palm Beach (EUA)

Devido ao fato de o filme ter gerado US$ 3 bilhões (cerca de R$ 7,52 bilhões) com uma mitologia que beira a religião para os fãs mais ardorosos, é fácil de esquecer que a saga de vários episódios de "Guerra nas Estrelas" começou com o espírito lúdico dos seriados matinais de sábado.

O último episódio, "O Ataque dos Clones" -- o quinto da série, mas o segundo em ordem cronológica -- tenta voltar à idéia básica, ao valorizar o aspecto de seriado.

Todos os principais personagens correm risco de vida em "Star Wars: Episódio 2 -- O Ataque dos Clones", que é rico em ação e em aparatos tecnológicos, mas cujo enredo deixa a desejar. Como criador, diretor, co-roteirista e financiador do filme de US$ 140 milhões, George Lucas oferece um monte de ginástica jedi, duelos com espadas de luz e batalhas acirradas, mas o filme é basicamente apenas uma peça não tão importante na trama mais geral da saga.

Se você quiser saber por que e como Anakin Skywalker se deixa seduzir pelo lado negro da força para se transformar no maligno Darth Vader, terá que esperar até o "Episódio 3".

O "Episódio 2" não será provavelmente lembrado pelos guerreiros-clones que dão o título ao filme, mas sim pelo romance entre Padme Amidala (Natalie Portman) e Anakin (Hayden Christensen). Infelizmente, esta é a parte menos interessante do filme, expressa em cenas melosas, cheias de diálogos maçantes.

Os apaixonados têm de ficar juntos para que nasça Luke Skywalker, o herói dos episódios 4 e 5, mas poucos fãs devem se interessar por "Guerra nas Estrelas" como história de amor. Lucas parece também não ter interesse em conseguir performances brilhantes do elenco. A impressão é que ele se contenta com o texto de gibis. Isso faz com que se sinta saudades da era de Alec Guinness, que conferiu à série uma toque sutil de relevância que não existe no atual episódio.

É de se entender que em "O Ataque dos Clones" haja a intenção expressa de se ultrapassar as exposições e passar para as perseguições. Tão logo a ex-Rainha Amidala -- reduzida a uma mera senadora da República devido ao bizarro conceito de limitação de termos característico do século 20 -- escapa de uma explosiva tentativa de assassinato, o cavaleiro jedy Obi-Wan Kenobi (um barbado Ewan McGregor) e o seu magro discípulo adolescente, Anakin, saem voando em perseguição ao indivíduo que tentou assassinar Amidala, um pistoleiro da Federação.

Anakin é estabanado, arrogante, impaciente e insubordinado. ("Por que eu acho que você será a minha morte?", grita o mestre jedi, impaciente, em uma das passagens mais brilhantes do filme, que é uma profecia quanto aos eventos futuros). Passando para a ação, Anakin salta no ar rumo a sua presa, após ter sido obrigado a fatiar uma mortífera centopéia -- algo que não parece ser muito digno de um cavaleiro jedi.

O produtor Gavin Bocquet e um comitê de supervisores de efeitos visuais parecem não ter economizado em termos de engenhosidade, criando cenários reais e digitais surpreendentes, incluindo um bar futurista de esportes que traz à memória um pouco do espírito da cena clássica da cantina, do "Episódio 4". Também surpreendente é um veículo onde Anakin aprende o significado de um dardo tóxico que o leva até a linha de montagem do exército de clones.

Desde a primeira visão da fábrica de soldados, ficamos sabemos que os nossos heróis -- e o confiável, e às vezes enferrujado andróide C-3P0 -- serão levados até a esteira de transportes, tentado evitar ser esmagados por peças de metal ou vaporizados por minério derretido. Caso alguém ache que isso não tem cheiro de seriado de TV, Anakin, Obi-Wan e Padme quase viram comida de animais de estimação em um anfiteatro para entretenimento das massas. Porém, a emoção fica mais por conta do espetáculo do que do suspense, já que todos sabem que eles precisam sobreviver para fazer parte dos próximos episódios.

Vários cavaleiros jedis se envolvem em ação com os sabres de luz, incluindo Mace Windu (Samuel L. Jackson), que finalmente se levanta do seu assento no conselho. Se ele mal apareceu em "A Ameaça Fantasma", esse lapso é compensado desta vez por Jimmy Smits, um senador de colarinho amarrotado que acaba adotando Luke e Leia.

Talvez para demonstrar que não se sente intimidado por reações de fãs, Lucas traz de volta o criticado Jar Jar Binks, um pouco menos irritante desta vez. Por outro lado, ele utiliza bem o veterano dos filmes de terror, Christopher Lee, no papel do Conde Dooku, um cavaleiro jedi desvirtuado. E uma criatura há muito apreciada, que sabíamos que podia manejar um sabre, desta vez tem a oportunidade de demonstrar toda a sua habilidade.

Porém, com as suas seqüências de diálogos patéticos, "O Ataque dos Clones" não chega a desenvolver um ritmo dramático consistente e dá a impressão de ser mais longo do que as suas duas horas e quinze minutos de duração.

Ou talvez seja "Guerra nas Estrelas" que esteja sentindo o peso da idade. Vinte e cinco anos após o início da saga, ela parece se levar muito a sério. Seria ainda mais difícil imaginar um quinto episódio do "Homem-Aranha" daqui a 25 anos. Mas, nas férias de meados deste ano, será o filme da Marvel que proporcionará mais fantasia às platéias.

Tradução: Danilo Fonseca

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