Famílias das vítimas de 11 de setembro processam terroristas em US$ 1 trilhão

Bob Dart
Cox News Service
Em Washington (EUA)

Mais de 600 familiares das vítimas de 11 de setembro abriram um processo judicial de US$ 1 trilhão contra os "promotores do terrorismo", que supostamente teriam financiado o assassinato de seus parentes.

O processo solicita indenizações que seriam pagas por príncipes sauditas, pelo Sudão, por Osama bin Laden e pela empreiteira comandada por sua família, além de outras pessoas e instituições que "agiram nas sombras" e no entanto "são, em última análise, responsáveis" pela chegada do terrorismo ao território americano.

"Os recursos financeiros e a rede de apoio a estes acusados -- grupos beneficentes, bancos e financiadores individuais -- permitiram a realização dos ataques de 11 de setembro", lê-se na queixa de 259 páginas que estabelece 15 acusações. Os advogados esperam que o processo possa incluir mais de mil familiares que perderam seus parentes em Nova York, Washington e na Pensilvânia.

As pessoas e as instituições acusadas no processo "trazem nas mãos o sangue de meu filho", afirmou Matt Sellito, cujo filho de 23 anos, Matthew, morreu no World Trade Center. "E eles trazem o sangue de mais de outras 3 mil pessoas valiosas e insubstituíveis em suas mãos. E eles serão responsabilizados".

O processo solicita a "responsabilização" dos apoiadores secretos dos terroristas, segundo afirmou Allan Gerson, o advogado que também moveu o processo de parentes que perderam seus familiares após a explosão do vôo 103 da Pan Am, na Escócia.

"Eles pagarão o preço", prometeu Gerson, que negociou um acordo de US$ 2,7 bilhões com a Líbia pelo incidente do aeroporto de Lockerbie.

Entretanto esta ação legal visa mais a exposição, a vingança e a prevenção contra ataques futuros do que o dinheiro, segundo declararam familiares durante uma entrevista coletiva.

"Retiraremos os esquemas de financiamento do terrorismo das sombras e iremos expô-los à luz do dia", afirmou Thomas E. Burnett, cujo filho foi um dos passageiros que enfrentou os sequestradores do vôo 93 da United Airlines que caiu na Pensilvânia.

"Como disse meu filho Tom à sua esposa, Deena, quando estava no avião: 'nós vamos fazer alguma coisa'", disse o pai. "Hoje, somos nós que faremos alguma coisa".

Os queixosos -- Famílias Unidas pelo Fim do Terrorismo -- acusam três príncipes sauditas, o governo do Sudão, sete bancos internacionais, oito fundações islâmicas e grupos beneficentes, diversos supostos "financiadores individuais do terrorismo", entre eles Osama bin Laden e o grupo saudita Bin Laden.

"Temos boas razões para crer que os acusados deste processo ainda desviam, lavam e enviam dinheiro para a Al Qaeda", afirmou Ron Motley, advogado das famílias das vítimas. "Este não é somente um processo sobre justiça e responsabilidade. Trata-se aqui de proteger todos os americanos contra futuras atrocidades planejadas por estes bárbaros".

Os "financiadores do terror" citados no processo "são culpados até o pescoço", afirmou Motley, um dos principais advogados em uma disputa legal contra grandes empresas da indústria do tabaco que resultou em um acordo de US$ 350 bilhões para os estados envolvidos.

O processo acusa ainda alguns integrantes da família real saudita que teriam apoiado os ataques de 11 de setembro. Quinze entre os 19 terroristas que seqüestraram e e explodiram aviões americanos eram de origem saudita. A Arábia Saudita negou qualquer envolvimento, e o governo Bush sustenta que os Estados Unidos mantém boas relações com o país.

A versão narrada pelo processo é bastante diferente.

"Osama bin Laden é um saudita naturalizado cuja família ainda mantém fortes laços com o círculo mais alto da monarquia", lê-se no processo. "Apesar das negativas da realeza, o dinheiro saudita há muitos anos tem sido desviado para o financiamento do anti-americanismo radical e dos terroristas da Al Qaeda".

Constam como acusados no processo os príncipes saudistas Mohammed al-Faisal e Turki al-Faisal, o ministro saudita da Defesa Sultan bin Abdul Aziz Al Saud, Khalid bin Salim bin Mahfouz do Banco Nacional Comercial, e o Banco Islâmico Faisal.

Uma autoridade do Departamento de Estado declarou nesta quinta-feira que não dispunha de informações sobre qualquer ação legal.

"Não tenho informações a respeito do processo", afirmou Philip Reeker. "Os cidadãos americanos têm o direito de recorrer ao nosso sistema judicial. Não tenho comentário algum sobre a questão".

No entanto, ele afirmou que a amizade entre os governos americano e saudita não havia sido abalada.

"Estamos plenamente satisfeitos com o apoio que nos foi demonstrado pela Arábia Saudita em diversos aspectos da guerra contra o terrorismo -- os aspectos financeiros, a partilha de informações, as ações policiais e legais", ele afirmou.

Entre os grupos beneficentes encontram-se a Organização Islâmica de Auxílio Internacional, Sanabel Al Kheer Inc, Liga Mundial Muçulmana, Fundação Saar, Rabita Trust, Fundação Islâmica Al-Haramain, Benevolence International Foundation e a Assembléia Mundial da Juventude Muçulmana.

O processo foi instaurado na Corte Distrital Americana do Distrito de Columbia e busca indenizações de pelo menos US$ 1 trilhão para cada uma das 15 acusações.

Tradução: André Medina Carone

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