Prefeito de Nova York quer proibir fumo em todos os locais públicos

Shelley Emling
Cox News Service
Em Nova York (EUA)

Será que uma cruzada apaixonada contra o tabagismo poderia tornar Nova York na Los Angeles da Costa Leste? Essa era a pergunta que os nova-iorquinos se faziam na quinta-feira (10) à tarde, depois que o prefeito Michael Bloomberg vigorosamente defendeu sua proposta de proibir o fumo em todos os locais públicos.

"Será que seu desejo de fumar em qualquer lugar, em qualquer hora, não atropela o direito dos outros, de respirarem ar puro no trabalho?" perguntou Bloomberg, ex-fumante. "A necessidade de respirar ar puro é mais importante do que a permissão para poluí-lo".

Opositores alegam que a proibição, que seria uma das mais rigorosas leis antifumo do país, comprometeria a famosa vida noturna da cidade.

O colunista Sidney Zion, de Nova York, escreveu nesta semana que Bloomberg quer fazer de Nova York uma "Los Angeles do Leste". Segundo ele, os "fascistas antitabagistas" ameaçam acabar com o cigarro até mesmo em parques.

Por outro lado, os defensores da proposta dizem que os riscos do cigarro à saúde são muito piores que as preocupações econômicas.

"As pessoas não pararam de ir ao estádio Yankee só por que não podiam fumar", disse Bloomberg.

Muitos acreditam que a aprovação da medida na maior cidade do país poderia inspirar outras cidades e Estados a tomar o mesmo passo.

"Califórnia aprovou esse tipo de lei há anos, mas as pessoas consideram lugares como Los Angeles exageradamente preocupados com a saúde. No entanto, ninguém jamais acusou a cidade de Nova York disso antes" disse John Banzhaf, que é diretor executivo da Ação para o Cigarro e a Saúde. A organização, sem fins lucrativos, dedica-se a proteger os direitos dos não fumantes.

"A proibição do fumo em um lugar como Nova York certamente levará outras grandes cidades --até mesmo estados- do país a fazerem o mesmo", disse.

Atualmente a maior parte dos Estados adotou alguma restrição ao fumo em locais públicos. Califórnia, Delaware e vários municípios proibiram totalmente fumar em bares e restaurantes. Maine, Utah e Vermont vetam o fumo em restaurantes, mas não em bares.

O condado de Nassau, no lado oeste de Nova York, acaba de proibir o fumo em locais públicos. O condado de Suffolk está considerando proibição similar.

Flórida poderia ser o próximo Estado a oficialmente extinguir o fumo em restaurantes. Em novembro, os eleitores decidirão, em plebiscito, se aprovam ou não a proposta de proibir o fumo na maior parte dos locais de trabalho, inclusive em 38.000 restaurantes.

As pessoas ainda poderiam fumar em bares que não servem comida.

Algumas jurisdições, porém, têm relutado em entrar no bonde do antitabagismo.

Na Geórgia, um regulamento do Condado de Fulton --que inclui Atlanta- proíbe fumar na maior parte dos escritórios, mas não em restaurantes, onde ao menos 50% de suas mesas para não-fumantes.

O Conselho da Cidade de Atlanta considerou proibir o cigarro em restaurantes em 1999, mas a idéia foi derrubada depois de reclamações da indústria.

Bloomberg sugeriu sua proposta pela primeira vez em agosto, como forma de proteger a saúde de quem trabalha em restaurantes.

"Se houvesse asbesto no ar, tiraríamos todos do local rapidamente", disse.

Na audiência de quinta-feira, Bloomberg e seus partidários citaram estudos que mostram que quem trabalha em bares e restaurantes tem 50% mais chance de desenvolver câncer de pulmão que outros trabalhadores.

Quem está do outro lado do debate, entretanto, argumenta que os riscos de saúde foram exagerados e que uma proibição desestimularia o turismo --especialmente o internacional.

Um garçom em Staten Island disse que "as pessoas trabalham em bares por escolha".

Ele disse que uma proibição forçaria os clientes e sair do bar a cada 10 minutos para fumar, uma situação que criaria barulho e poluição perto de áreas residenciais.

Nova York já proíbe fumar em restaurantes com mais de 35 lugares, mas não há restrições em bares ou bares de restaurantes.

A proposta de Bloomberg proibiria o fumo em quase toda parte --até mesmo em piscinas públicas.

A Associação de Vida Noturna de Nova York disse que um quinto dos clientes entrevistados em bares e boates na cidade disseram que passariam menos tempo e gastariam menos dinheiro nesses estabelecimentos se fumar fosse proibido.

Críticos também dizem que a medida de Bloomberg extinguiria os vários bares de charutos.

A audiência de quinta-feira com o prefeito foi a primeira de duas. A votação final não deverá acontecer antes de um mês. Bloomberg, que já tem o apoio de ao menos 22 membros, precisa dos votos de 26 dos 51 membros do Conselho da Cidade para que sua proposta seja aprovada.

Tradução: Deborah Weinberg

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