Centenas de mexicanos querem se alistar no exército americano

Susan Ferriss


CIDADE DO MÉXICO - Desde o início da guerra no Iraque a embaixada americana no México e seus nove consulados receberam centenas de ligações telefônicas de mexicanos perguntando se podem se alistar nas forças armadas americanas.

Mais de uma dúzia de outros procuram diariamente a embaixada na capital mexicana, cujos funcionários dizem estar recebendo de dez a 25 consultas por e-mail por dia.

Correm rumores nas ruas do México de que os mexicanos podem conseguir a cidadania americana se servirem nas forças armadas dos Estados Unidos. A embaixada colocou um aviso em seu site na web explicando que somente cidadãos americanos ou residentes permanentes podem ingressar nas forças militares americanas.

A cobertura da guerra no Iraque na mídia local parece ser uma fonte de confusão, com seus relatos de mortos e prisioneiros de guerra latinos e parentes de soldados americanos que falam espanhol, alguns dos quais vivem no México.

Juan Manuel Cruz, 39, dirigiu-se à embaixada na sexta-feira para se informar sobre o serviço voluntário. "Estou aqui mais por necessidade econômica que qualquer outra coisa. Entendi pelo noticiário que os Estados Unidos pagam aos latinos um bom dinheiro para se tornar soldados. E que você também recebe um visto", disse o motorista de ônibus, que ganha cerca de US$ 25 por dia.

"Se eu conseguir que alguém me escute, direi que estou a serviço do exército americano", disse Cruz, endireitando-se como se fosse bater continência.

Somente quando um oficial da embaixada saiu para falar com repórteres mexicanos, Cruz, que escutava atentamente, pareceu entender que não poderia se alistar. "Ora...", ele disse, encolhendo os ombros.

"Essas ligações sobre alistamento são surpreendentes, já que as pesquisas mostram que 80% do país são contra a guerra", disse o porta-voz da embaixada Jim Dickmeyer, que foi cercado pela mídia mexicana para esclarecer a confusão sobre a política de alistamento dos Estados Unidos. Ele lembrou um fenômeno semelhante durante a Guerra do Golfo de 1991, quando servia na Bolívia.

Uma amostra das consultas por e-mail à embaixada mostra que os motivos dos remetentes variam da admiração pelos Estados Unidos à franca admissão de necessidade financeira.

"Existem jovens em todo lugar que querem entrar numa guerra", acrescentou Dickmeyer. "Eles acham que é um rito de passagem."

Um e-mail pedia "informação para médicos que têm interesse em se alistar no exército americano e ir à guerra no Iraque, assim obtendo benefícios como residência nos Estados Unidos para um médico e sua família".

Uma mulher escreveu: "Preciso me alistar em suas fileiras e apoiar seu país e o exército que está combatendo aqueles que são contra os ideais de seu grande país. ... Se eu não obtiver informação, terei de ir até a fronteira e entrar em seu país e me alistar na primeira base militar que encontrar".

Outra mensagem era de um homem, dizendo que queria combater o terrorismo: "Ao ver os Estados Unidos da América do Norte combatendo essa doença terrível, comecei a sentir um grande desejo e interesse em me unir às forças armadas dos Estados Unidos da América do Norte. Eu gostaria de saber se teria alguma oportunidade de me alistar e servir com honra e com alto grau de disciplina e ajudar os camaradas que estão nas linhas de frente".

Outro dizia: "Não estou interessado em obter residência e não preciso de benefícios, apenas quero ser voluntário". Um rapaz de 24 anos, dizendo ser um atirador treinado, escreveu: "Quero me alistar por dois motivos: defender os seus objetivos e também por razões econômicas".


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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