EUA querem que outros países coloquem policiais em vôos internacionais

Eunice Moscoso
EM WASHINGTON

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (29/12) que companhias de aviação de outros países deverão colocar agentes armados em certos vôos como medida extra de segurança contra ataques terroristas.

Mas o anúncio gerou preocupações em uma empresa aérea britânica e desagradou aos pilotos do Reino Unido, que não gostaram da idéia de ter armas em aviões.

"Essas diretrizes, que entrarão em vigor imediatamente, são parte do nosso presente esforço para tornar as viagens aéreas mais seguras, tanto para norte-americanos como para visitantes estrangeiros", afirmou em uma entrevista coletiva à imprensa o secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Tom Ridge.

O Reino Unido anunciou no último domingo (28) que utilizará agentes policiais armados em vôos transatlânticos, caso essa medida seja necessária para inibir possíveis ataques terroristas.

A Associação de Pilotos de Companhias Aéreas Britânicas declarou na segunda-feira que não concorda com a decisão, mas que não tem escolha, a não ser acatá-la. A associação disse que está negociando com o Departamento Britânico de Transportes e com diferentes companhias aéreas um acordo que permitiria que qualquer tripulante se recusasse a trabalhar em um vôo que contasse com um agente armado.

"Estamos convictos de que é um direito dos tripulantes se recusar a trabalhar em tais vôos", declarou a associação, que representa mais de 8.000 pilotos.

A associação dos pilotos disse que a tripulação precisa ser informada da presença de um agente armado a bordo e que esse agente tem que estar subordinado ao capitão da aeronave.

A British Airways também expressou preocupações após o anúncio inicial feito pelo governo britânico, mas, nesta segunda, a companhia aérea recuou, afirmando em um comunicado que acataria a decisão, caso se convencesse de que a segurança "aumentaria suficientemente" com a presença dos agentes armados.

Ridge disse confiar que os aliados dos Estados Unidos, incluindo Reino Unido, França e México, vão cooperar com a regra, que exige que o país anfitrião forneça os agentes armados.

Algumas nações já colocam por conta própria policiais armados em vôos que viajam para os Estados Unidos, que decolam daquele país ou que sobrevoam o território norte-americano, segundo funcionários da Secretaria de Segurança Interna. Mas a nova regra os obriga a tomar tal providência em certos vôos. Caso a companhia aérea se recuse a obedecer a essa determinação, os Estados Unidos poderão bani-la do espaço aéreo norte-americano.

"Qualquer governo soberano possui o direito de revogar o privilégio de vôo proveniente de ou com destino ao seu país, ou até mesmo de proibir o tráfego por seu espaço aéreo. Portanto, em última instância, o trunfo com que todo país conta é a proibição do acesso de aeronaves ao seu território", explicou Ridge.

A Austrália anunciou na última quinta-feira que chegou a um acordo com a Qantas Airlines para introduzir agentes policiais armados em vôos internacionais provenientes de ou com destino a Cingapura, país que é considerado alvo do grupo militante islâmico Jemaah Islamiyah. Autoridades australianas também estão mantendo conversações com os Estados Unidos sobre um plano similar.

Além disso, a companhia aérea alemã Lufthansa anunciou nesta semana que começou a posicionar agentes armados em alguns dos seus vôos para os Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Um programa para a utilização de agentes federais norte-americanos armados em aviões foi elaborado em resposta aos ataques. O número exato desses agentes e a freqüência com que são incluídos em vôos são informações confidenciais, embora um relatório recente do Departamento Geral de Contabilidade tenha citado "vários milhares" desses profissionais.

A nova diretriz para as companhias aéreas internacionais se aplica tanto a aeronaves de passageiros quanto de cargas, provenientes dos Estados Unidos, com destino àquele país, ou que sobrevoam o seu espaço aéreo.

O senador democrata pelo Estado de Nova York, Charles Schumer, disse que essa exigência deveria ter sido feita há muito tempo.

"Foi positivo o fato de o governo ter tomado essa medida, mas, devido ao perigo óbvio de terroristas utilizarem um avião estrangeiro para um ataque semelhante aos de 11 de setembro, a presença de policiais nesses vôos deveria ter sido exigida um ano atrás", afirmou o senador em um comunicado.

As diretrizes denotam a preocupação quanto à segurança da aviação durante a movimentada estação de feriados de fins de ano.

Na semana passada, seis vôos da Air France - três provenientes de Paris, com destino a Los Angeles, e três retornando a Paris - foram cancelados a pedido de autoridades dos Estados Unidos, devido à possibilidade de que os aparelhos pudessem ser usados como armas contra alvos norte-americanos.

"Compartilhamos informações com pessoas que poderiam tomar iniciativas para nos ajudar. E somos gratos pelo fato de as autoridades francesas terem respondido imediatamente", disse Ridge nesta segunda.

Autoridades francesas, no entanto, disseram não ter encontrado evidências que justificassem as suspeitas de que poderia haver um ataque.

Nos Estados Unidos, o governo federal elevou o nível de alerta terrorista no país para laranja, ou "alto", em 22 de dezembro, alegando que a Al Qaeda continua pensando em utilizar aeronaves como armas e que a organização extremista está avaliando certos procedimentos nos Estados Unidos e no exterior para encontrar brechas na segurança. Laranja é o segundo mais alto nível, dentre os cinco que foram estabelecidos no ano passado para orientar a resposta do governo às ameaças terroristas.

Ao anunciar a elevação do nível de alerta, Ridge citou informação de fontes confiáveis que sugerem que "extremistas no exterior" estariam maquinando ataques "que eles acreditam que igualarão ou superarão os de 11 de setembro de 2001".

Como resposta, a segurança foi reforçada nos aeroportos, nas fronteiras e nos portos do país, incluindo a mobilização de mais patrulhas aéreas e marítimas da Guarda Costeira ao largo da costa norte-americana.

Na segunda-feira, o Departamento de Segurança Interna reiterou que o governo continua preocupado com a possibilidade de a Al Qaeda desejar realizar ataques nos Estados Unidos por meio de aeronaves comerciais.

Ridge disse que a nação continuará em estado de alerta laranja pelo menos até o Ano-Novo. Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos