Candidatos democratas disputam o "Grande Prêmio de Missouri"

Eunice Moscoso
EM SAINT LOUIS, Missouri

Nove dias atrás, o Missouri era uma criança abandonada na corrida dos pré-candidatos à presidência.

E então o senador John Kerry retornou à disputa em Iowa, e o deputado Richard Gephardt, do Estado de Missouri, deixou a corrida. E o destino fez com que os candidatos democratas se mobilizassem para conquistar o Estado, que possui 74 delegados sem candidato definido e passou a ser o prêmio maior das eleições primárias de terça-feira, quando sete Estados realizarão suas eleições primárias.

"Condensaremos em poucos dias o que faríamos em alguns meses", afirma May Scheve Reardon, a presidente do Partido Democrata de Missouri.

Candidatos encontram eleitores, fazem comícios, aparecem em comerciais na televisão, seduzem os antigos assessores de Gephardt em busca do apoio de figuras influentes no Estado. Além disso, o Partido Democrata convidou todos os candidatos para um debate na noite de segunda-feira, véspera da eleição.

Kerry, que venceu a primária de New Hampshire na terça-feira, levou toda sua equipe para Saint Louis, onde participará de um comício no campus de uma faculdade comunitária nesta quarta-feira.

O senador John Edwards, do Estado da Carolina do Norte, obteve o segundo lugar em Iowa e pretende viajar na noite de quarta-feira para encontrar eleitores de Saint Louis. No início da campanha, ele discursou na Universidade do Sudoeste do Estado de Missouri, na cidade de Springfield.

O reverendo Al Sharpton também viajou a Saint Louis na quarta-feira para participar de dois comícios. E o General da reserva Wesley Clark, ao lado do ex-governador de Vermont Howard Dean, pretendem visitar o Estado na próxima semana.

Reardon afirma que a imprensa começou a telefonar logo após a desistência de Gephardt: foram 25 a 35 telefonemas por hora. Mas os candidatos não procuraram a sede do partido, com exceção de Edwards, diz ela.

"Sei que todos são ocupados e possuem suas estratégias", ela disse. "Mas quando você começa a contar delegados e examinar o mapa eleitoral, logo nota que Missouri é um Estado estratégico para o candidato democrata, seja ele quem for".

Parte do problema pode ser atribuído ao fato de que os candidatos não pretendiam gastar dinheiro em Missouri e agora se vêem obrigados a deslocar recursos para o Estado, segundo afirmam alguns coordenadores de campanha.

A sede estadual do partido espera que o debate de 90 minutos da noite de segunda-feira possa informar seus esquecidos eleitores.

Dyan Ortbal-Avalos, coordenador da campanha de Howard Dean no Missouri, afirma que a campanha foi intensa no Estado desde o início, e que a vitória de Gephardt jamais foi considerada certa. Voluntários fazem os telefonemas, entregam panlfetos de porta em porta e escrevem cartas de apoio.

"Gosto de Gephardt. Ele é um bom sujeito, mas não é o candidato que quero para derrotar Bush", afirma Ortbal-Avalos, que nasceu e cresceu no distrito eleitoral de Gephardt. É mais provável que Gephardt não declare apoio a nenhum candidato antes de terça-feira, afirma Reardon. Mas há rumores de que ele poderia escolher um dos concorrentes ainda nesta semana.

Kerry, por sua vez, obteve na terça-feira o valioso apoio do prefeito de Saint Louis, Francis Slay. E os ex-senadores Jean Carnahan e Thomas Eagleton já anunciaram que ficarão com a candidatura de Kerry.

Alguns eleitores afirmam que, sem a candidatura de Gephardt, já não sabem em quem votar.

Mitchell Duckworth, um comerciante de vinho de 32 anos, afirma que poderá votar em Clark porque prefere uma liderança que seja forte, mas não se disponha a sacrificar os direitos civis em nome da segurança. Também agrada a Duckworth o apoio de Clark aos soldados americanos e sua preocupação em garantir empregos aos exportadores amreicanos. Laura O'Connell, uma mãe solteira, afirma que ainda não sabe qual candidato tem o melhor programa para a saúde.

O tema é extremamente importante para O'Connell que deverá pagar US$ 30 mil por duas operações realizadas no ano passado.

"Eles me disseram que meus gastos não eram previstos pelo Medicare porque eu ganhava demais - US$ 14 mil ao ano", ela diz. "Por acaso isso faz sentido?"

Dan O'Neill, aludo de pós-graduação em ciência política da Universidade Washington de Saint Louis, preferia Clark no princípio, mas agora aderiu a Edwards, a quem considera um candidato "elegível".

"Acho que ele é o único democrata capaz de derrotar Bush", diz O'Neill. "Em primeiro lugar, ele é sulista. Em segundo, ele é relativamente moderado. Toda vez que escolhem um liberal do norte, os democratas são derrotados". Manoel Fontoura

UOL Cursos Online

Todos os cursos