Pela segunda vez, anúncio de Bush gera objeções

Por Julia Malone
EM WASHINGTON

Um grupo ativista árabe-americano pediu ao presidente Bush que removesse a imagem de um homem não identificado, com "aparência do Oriente Médio", de um anúncio cujo foco é o terrorismo.

"Vai contra tudo que o presidente disse depois de 11 de setembro, sobre não criar preconceitos, para que todos os árabes americanos não fossem culpados", disse James Zogby, presidente do Instituto Árabe-Americano, em entrevista telefônica na sexta-feira.

A reclamação foi a segunda em duas semanas. Vários grupos fizeram objeções ao uso de imagens da guerra ao terrorismo pelo presidente em seus anúncios para a campanha de reeleição.

Zogby, que se disse Democrata mas acrescentou que seu grupo é apartidário, disse que um breve olhar para o rosto moreno do homem, logo quando o narrador menciona o terrorismo, é uma forma de "formação de conceito racial".

Alguns críticos na Internet até apelidaram o homem de "Muhammad Horton", em uma alusão a "Willie Horton". Willie Horton, um detento negro, cometeu estupro e assassinato enquanto estava de licença de uma prisão em Massachusetts, quando Dukakis era governador. Seu caso foi usado contra o Democrata Michael Dukakis na campanha presidencial de 1988.

O porta-voz da campanha de Bush, Scott Stanzel, refutou as críticas aos anúncios "As imagens de nossa campanha representam adequadamente os desafios e ameaças que enfrentamos nesses tempos de mudança", disse ele, acrescentando que o comitê não recebera outras objeções à foto.

Na semana passada, outro conjunto de anúncios de Bush que incluíram breves cenas das ruínas do World Trade Center foram recebidos com protestos pelo sindicato dos bombeiros, assim como parentes das vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001. O sindicato endossou a campanha do rival Democrata do presidente, senador John Kerry, de Massachusetts.

Todos os anúncios de televisão foram produzidos por Maverick Media, empresa de Austin, Texas, dirigida por Mark McKinnon, consultor de propaganda de Bush desde sua primeira campanha para governador do Texas.

Matthew Dowd, que faz pesquisas de opinião para o presidente, defendeu o uso de imagens de 11 de setembro, alegando que os ataques terroristas são uma questão central das eleições. Ele disse aos repórteres, no início da semana, que os anúncios tiveram "imensa resposta" do público.

Entretanto, um relatório divulgado na sexta-feira por Adam Clymer, sobre uma Pesquisa de Eleição Nacional Annenberg, da Universidade da Pensilvânia, teve outras conclusões. Dos 1.265 entrevistados, alguns dos quais não tinham visto os anúncios, 54% disseram que o uso de imagens do World Trade Center nos anúncios de Bush não era apropriado.

Quanto à mais recente propaganda de Bush, Zogby disse que o comitê de campanha de Bush devia substituir a foto genérica com a de um terrorista reconhecível, como Osama Bin Laden. O comitê da campanha de Bush disse ao Instituto Árabe Americano que o jovem no anúncio era um ator italiano, segundo Zogby.

Isso ressalta ainda mais o perigo de usar estereótipos, disse Zogby. "Quando você depende de um único olhar para criar medo ou marcar um grupo, você acaba marcando grupos muito maiores."

Em outra escaramuça na batalha pelas ondas de televisão, a campanha de Kerry apresentou, na sexta-feira, um anúncio para televisão dizendo que o presidente estava "enganando os EUA" em sua propaganda lançada no dia anterior, que acusava Kerry de ter planos de aumentar os impostos em US$ 900 bilhões (cerca de R$ 2,7 trilhão).

"John Kerry nunca sugeriu um aumento de US$ 900 bilhões em impostos", dizia o anúncio de resposta de Kerry. "Ele quer cortar a taxação da classe média."

De sua parte, o comitê de campanha do presidente recusou-se a recuar em sua acusação. "O anúncio (de Kerry) é uma tentativa fútil de obscurecer o fato que suas propostas orçamentárias resultariam em um pico de impostos para todos americanos", contra-atacou o porta-voz de Bush Steve Schmidt. "O único mistério continua sendo exatamente quanto os americanos terão que sacrificar para pagar a conta".

(O endereço de Julia Malone é juliam@coxnews.com) Deborah Weinberg

UOL Cursos Online

Todos os cursos