Kerry tem crescimento pífio depois da convenção

Moni Basu
Em Boston

John Kerry e John Edwards iniciaram uma blitz de costa a costa nesta sexta-feira (30/07) esperando capitalizar no impulso habitual que os candidatos à Casa Branca recebem após a convenção nacional do partido.

Mas neste anos, com o país politicamente polarizado, tal impulso poderá não ser tão convencional. Uma nova pesquisa Zogby, divulgada na noite desta quinta, mostrou a chapa democrata com uma vantagem de apenas 5 pontos percentuais sobre a rival republicana, com 48% a 43%, e 8% de indecisos. Isto não representou nenhum ganho em relação à pesquisa realizada no início de julho, que apontou Kerry-Edwards à frente de Bush-Cheney por 48% a 46%, com 5% de indecisos -apesar de os republicanos terem perdido 3 pontos percentuais para a categoria dos indecisos.

A mudança está dentro da margem de erro de 3,2 pontos porcentuais da pesquisa, que foi realizada de segunda-feira até o momento em que Kerry realizou seu discurso de aceitação, na noite de quinta-feira. E o pesquisador John Zogby disse que se os republicanos realizarem uma convenção forte, "o presidente recuperará estes 3 pontos".

As pesquisas dificilmente mostrarão o tipo de vantagem pós-convenção que os candidatos desfrutaram em anos anteriores devido a grande maioria de os eleitores já ter se decidido, disse John Greer, um cientista político da Universidade Vanderbilt e especialista em pesquisas presidenciais.

"O habitual é você receber um impulso de 10% a 15%", disse Greer. "Isto é um sinal de uma convenção bem-sucedida. Mas o ganho potencial neste ano é limitado porque grande parte dos eleitores já se decidiu. Você não conquistará eleitores de Bush com a convenção, mas sim os indecisos."

Historicamente, de 20% a 25% dos eleitores do país ainda estão indecisos na época das convenções. Mas neste ano, tal categoria foi reduzida para algo entre 5% e 10%, disse Zogby.

Os democratas estão esperando que a turnê Kerry-Edwards por 21 Estados indefinidos impulsionará ainda mais seus candidatos.

Os democratas partiram rapidamente de Boston para uma turnê de 5.600 quilômetros de ônibus, barco, trem e avião, que busca repetir a turnê de 1948 do presidente Truman por todos os Estados Unidos. Ela também presta homenagem ao presidente Clinton, cuja turnê pós-convenção em 1992 ajudou a levá-lo à Casa Branca.

Bush, que não assistiu ao discurso de Kerry na convenção, passou a usar um novo mantra eleitoral -"resultados importam"- e partiu na sua própria turnê de campanha pelo Meio-Oeste.

"Meus oponentes são bem-intencionados, mas intenções nem sempre se traduzem em resultados", disse Bush aos seus simpatizantes em Springfield, Missouri. "Quando se trata de escolher um presidente, os resultados importam."

Após um hiato de uma semana nas propagandas na televisão, a campanha Bush-Cheney também distribuirá 8 milhões de cópias de um vídeo curto, que utiliza os comentários de Kerry sobre a guerra no Iraque para pintá-lo como um indeciso não confiável. As propagandas de Bush para televisão serão exibidas em Estados indefinidos chaves.

Os republicanos planejam gastar milhões de dólares de campanha em tais propagandas antes da convenção deles em 30 de agosto. Durante estas cinco semanas, disseram funcionários de Kerry, a campanha democrata "sairá do ar", evitando comprar propagandas para a TV em um esforço para guardar o dinheiro para o outono.

Isto porque no momento em que Kerry aceitou a indicação, ele entrou oficialmente em campanha para a eleição geral e está limitado a gastar US$ 75 milhões em fundos públicos de campanha.

Bush só aceitará sua indicação em 2 de setembro, o que lhe dará cinco semanas adicionais para levantar e gastar dinheiro livremente.

Ainda assim, a campanha Kerry, que continuou a levantar fundos até o último minuto na quinta-feira, poderá transferir o dinheiro para o Comitê Nacional Democrata para uso em propaganda. O comitê disse que combaterá a blitz de Bush na TV com uma nova propaganda promovendo a liderança de Kerry em tempo de guerra. Pesquisa aponta 48% para o democrata e 43% para presidente Bush George El Khouri Andolfato

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