Katrina chega ao continente e castiga a Flórida

Robert P. King, Thomas R. Collins e Pat Beall*
Em West Palm Beach, Flórida

Na quinta-feira, nós esperamos.

Katrina ganhou força de furacão enquanto passava o dia avançando para o Sul da Flórida, borrifando a costa com rajadas de chuva antes de chegar às 18h30 ao sul de Hallandale.

O furacão de classe 1, com ventos de 128 km/h ao chegar em terra, foi imediatamente responsabilizado pela morte de duas pessoas por quedas de árvores em Broward County. Ele também deixou mais de 412 mil lares e empresas sem energia em todo Estado, incluindo cerca de 58 mil clientes da Florida Power & Light em Palm Beach County.

Uma guinada para o sul no último minuto poupou Palm Beach County e Treasure Coast do pior da fúria imediata do Katrina --apesar de Boca Raton ter começado a sentir ventos com força de tempestade tropical às 16 horas.

Mas as autoridades alertaram que inundações são prováveis nos próximos dois dias, à medida que o furacão e sua calda encharcada atravessem a região, despejando até 380 mm de chuva em alguns lugares.

Incapazes de fazer mais do que esperar na quinta-feira (25/08), moradores e autoridades tomaram todas as precauções que podiam enquanto as rajadas de vento faziam as árvores dançarem e a chuva molhava compradores e estudantes. As condições foram ficando cada vez piores assim que a borda dianteira do olho do Katrina chegou em terra na tarde, prenunciando a chegada oficial da tempestade em terra nos limites dos condados de Miami-Dade e Broward.

As prefeituras fecharam cedo em Palm Beach County e Treasure Coast, assim como escolas e algumas empresas e lojas. O Aeroporto Internacional de Palm Beach e o Internacional Fort Lauderdale-Hollywood suspenderam todos os vôos comerciais.

Abrigos foram abertos, atraindo centenas de moradores evacuados das ilhas e moradores de casas móveis --assim como pessoas, como idosos que dependem de tanques de oxigênio, que preferiram não correr o risco dos blecautes previstos.

Os consumidores compraram toda a água engarrafada dos supermercados e outros suprimentos para tempestade. Algumas pessoas --não muitas, segundo todos os relatos-- fecharam suas casas e as cobriram com protetores e tábuas em preparação aos ventos que deverão soprar até o fim da manhã de sexta-feira.

"Eu sou daqui e sempre me prepararei", disse John Aden, 77 anos, enquanto colocava protetores de alumínio na casa de dois quartos de sua irmã, na Briggs Street em West Palm Beach. "Nós não sabemos como esta tempestade se desenvolverá vindo da Corrente do Golfo."

E o perigo não passará após o Katrina avançar para o oeste, na direção do Golfo do México, e entrar novamente no continente no Panhandle da Flórida, disse Max Mayfield, diretor do Centro Nacional de Furacões, perto de Miami.

Segundo ele, a região enfrentará pelo menos mais dois dias de chuva. Mayfield também notou que o furacão Irene, outra tempestade fraca mas encharcada que causou grandes inundações em outubro de 1999, matou oito pessoas no Sul da Flórida --cinco por eletrocussão e três por afogamento.

"Isto não acabará após sua chegada em terra", disse ele.

Com ventos fortes esperados na madrugada, as autoridades pediram a muitos moradores que não saiam de casa. "Fiquem em suas casas o máximo possível nas próximas 24 horas", disse Tony Masilotti, presidente da Autoridade de Palm Beach County. "Será uma noite maravilhosa para ficar em casa e assistir um filme com sua família."

Pelo menos para aqueles com eletricidade.

Cerca de 58 mil lares e empresas de Palm Beach County ficaram sem eletricidade às 18 horas, principalmente no sul do condado, disse a Florida Power & Light Co. (FPL). Milhares destes blecautes ocorreram horas antes da chegada do Katrina.

As vítimas do blecaute incluíam vários postos dos bombeiros e um abrigo de evacuação na Boynton Beach High School, mas eles passaram a usar energia de geradores, disseram as autoridades.

Outros 350 mil clientes da FPL ficaram sem energia em Broward e Miami-Dade.

Os assinantes do serviço de televisão a cabo Adelphia também sofreram perdas intermitentes de sinal, incluindo uma na manhã de quinta-feira em West Palm Beach.

Os condados de Palm Beach, Martin e Saint Lucie tiveram uma folga do Katrina: normalmente, os ventos e chuvas mais fortes ocorrem na zona nordeste do olho de um furacão. Mas o lento avanço do Katrina fez com que os ventos mais fortes ficassem no sul, disse Mayfield.

O avanço lento do furacão também significa dias de chuvas torrenciais em uma região que já enfrentou uma primavera e início de verão encharcados.

Assim que os ventos se acalmarem, funcionários tentarão restabelecer a eletricidade nas comunidades sem luz, disse o porta-voz da FPL, Max Macon. Ele disse que cerca de 3.900 funcionários de árvores e linhas de transmissão de fora da Flórida estarão na região na sexta-feira, com metade deles já presentes na quinta-feira.

As equipes não trabalharão nos cabos de força até os ventos caírem para menos de 56 km/h, disse Macon. Os administradores de águas também planejam enviar equipes em caminhões e helicópteros à procura de inundações.

Eles esperam alagamentos --restritos a ruas, valas e pátios-- particularmente ruins em bairros mais velhos. Os bairros mais novos são construídos para suportar entre 200 e 250 mm de chuva, disse Bob Howard, diretor de operações da South Florida Water Management District.

Mas Howard disse que moradores mais novos terão dificuldade em lidar com esta chuva. "Pessoas novas no Estado não têm referência de que como é a Flórida e o Sul da Flórida durante uma tempestade", disse ele.

Se a chuva passar e não houver muito alagamento, os moradores vão querer limpar os escoamentos dos escombros da tempestade para impedir inundações, disse o engenheiro George Webb de Palm Beach County.

Mas "as pessoas precisam ter bom senso", disse ele. Não saiam para fora em caso de falta de energia elétrica. E não deixem as crianças brincarem nos alagamentos.

Os diretores de águas também alertam que o Lago Okeechobee poderá subir até 30 centímetros nas próximas semanas, alimentado pelas chuvas do Katrina e seus vestígios. Isto poderá significar um maior vazão das águas do lago, já na sexta-feira, para o Rio Saint Lucie, que já está sofrendo do aumento de algas tóxicas, alimentadas pelo escoamento anterior do lago.

O serviço de meteorologia disse que os ventos do Katrina poderão jogar as águas do lago para sudoeste, elevando o nível das águas em mais de 90 centímetros de Belle Glade até Moore Haven. O furacão Jeanne provocou um efeito semelhante no lago no ano passado.

Kristine Petersen, a vice-chefe de polícia de Clewiston, disse que a elevação das águas e a chuva a fazem temer inundações. Mas os administradores de águas disseram que os esforços para baixar as águas do lago no início deste verão poderão minimizar tais preocupações.

Na quinta-feira, os inspetores não encontraram nenhum vazamento na barragem Herbert Hoover que envolve o lago, informou a Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos.

*Colaboraram Hector Florin, John Pacenti, Stacey Singer, Jennifer Sorentrue, Meghan Meyer e Rachel Harris. Chegada do furacão mata duas pessoas e deixa 412 mil sem energia George El Khouri Andolfato

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