Mais mulheres exigem cesarianas

Carolyn Susman
em West Palm Beach, Flórida

Jovem e em sua primeira gravidez, Jennifer Potter tinha medo do parto.

"Realmente não queria passar por um parto doloroso, ficar 10 horas em trabalho de parto e depois fazer uma cesariana. Tinha muita ansiedade com a possibilidade de desconforto, de ficar empurrando e ter um parto horrível", disse a moça de 24 anos.

Potter, gerente em um consultório médico, viu suas amigas terem que fazer cesariana depois de passarem pelo trabalho de parto e sabia que sua mãe tinha feito duas cesarianas sem o menor problema.

Ela não gostava da possibilidade de tentar um parto normal que desse errado e terminasse fazendo uma cesariana de qualquer forma -por que não planejá-la de uma vez?

"Gosto de planejar as coisas", disse ela. "Você não sabe o que vai acontecer (em partos naturais). Com uma cesariana, você aparece, eles fazem uma incisão e puxam o bebê para fora."

Parecia bom.

Mas seu médico, assim como um número crescente de obstetras e profissionais da área, expressou alarme com o interesse crescente das mulheres em cesarianas eletivas.

Um artigo publicado na edição de junho da revista Obstetrics & Gynecology -uma publicação do Colégio Americano de Obstetras e
Ginecologistas- revelou um "aumento substancial (de cesarianas) de 27,6% para 29,1% em 2004".

O estudo concluiu que as mulheres talvez não estejam conscientes dos problemas resultantes de várias cesarianas, como histerectomia e internação.

Potter disse que seu médico foi franco: cesarianas não são feitas para a conveniência do médico ou paciente; são uma cirurgia.

"Você tem que confiar no seu médico", disse ela.

Então resolveu tentar o parto normal, mas complicações obrigaram-na a fazer uma cesariana. "Fiquei feliz", disse ela.

No entanto, ela não acha que as mulheres devam exigir o procedimento porque "depende de tantos fatores", e apesar de ter se recuperado com razoável rapidez, sabe que não é assim para todas.

A atriz Angelina Jolie e a cantora Gwen Stefani fizeram cesarianas recentemente, ambos pela mesma razão -o bebê não estava posicionado corretamente. Mas a cantora Britney Spears, assim como as atrizes Catherine Zeta-Jones, Elizabeth Hurley e a "Spice Girl" Victoria Beckham aparentemente escolheram fazer cesariana.

As cesarianas eletivas -feitas por escolha da mãe e não por razão médica- não são inteiramente responsáveis pelo aumento no número dessas cirurgias. Ninguém sabe exatamente quantas são verdadeiramente eletivas, mas há uma tendência grande o suficiente para fazer o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas estabelecer uma regra.

"Nesta altura, nossa posição é que as cesarianas devem ser feitas (apenas) por razões médicas", disse Stanley Zinberg, em declaração emitida em maio pela instituição.

Algumas mães querem a conveniência da hora marcada.

"Tive uma paciente hoje pensando em ter outro filho", disse Maureen Whelihan, ginecologista obstetra que não faz mais partos. "Ela já tinha feito uma cesariana. Seu comentário foi: 'Posso fazer outra cesariana se quiser, certo? Você não vai me fazer passar pelo trabalho de parto, vai?'Quando eu disse que era escolha dela, ela respondeu: 'Simplesmente acho que outra cesariana seria conveniente.'"

Pesando os riscos

Algumas mães escolhem a cesariana para impedir danos ao assoalho pélvico, para preservar a função sexual e, anos depois, o controle urinário. Mas os médicos agora aconselham que o procedimento não seja retratado como alternativa fácil para as complicações do parto normal.

Jeff Kotzen, obstetra, disse que acha que o desejo pelas cesarianas é "uma conseqüência do reconhecimento de que existem fatores negativos no parto vaginal. Com o tempo e o tamanho dos bebês, você pode acabar rasgando tecidos pélvicos e o assoalho pélvico."

"O ponto é que a cesariana está sendo assumida como alternativa possível."

Mas, ele ressaltou: "Há que haver verdadeira compreensão do que você esta recebendo. Os benefícios da cesariana são que você evita a incerteza do trabalho de parto, o sofrimento fetal, danos fetais, danos ao assoalho pélvico, ruptura uterina. A cesariana elimina muitos riscos ao feto. Ele não tem que passar pelo estresse do nascimento, os rigores do parto."

"Há atualmente uma noção crescente que as mulheres devem ter sua opinião sobre seus corpos. Minha recomendação é que, se uma mulher escolhe fazer uma cesariana, ela tem a palavra final."

Mas e o risco de complicações, como maior risco de problemas respiratórios para o bebê, estadia hospitalar mais longa para a mãe e risco de complicações sérias para futuras gestações?

"Claramente, este é o outro lado do argumento", disse Kotzen. "Eu ofereço esse argumento para todas minhas pacientes. Mas elas podem morrer de parto normal (também)."

Além da saúde da mãe e da criança, há considerações de seguro que estão cada vez mais presentes.

Mudando a opinião médica?

Kotzen não tem seguro por erros médicos -não é obrigatório na Flórida- e há um risco legal mais alto associado ao parto normal. Será que este fator estaria levando os médicos a promoverem cesarianas?

"A maior parte dos obstetras é processada por complicações relacionadas ao parto. Raramente as queixas se relacionam a complicações de cesariana. Sim, é menos arriscado para mim, deste ponto de vista", disse ele.

De fato, o estudo que mostra os índices crescentes de cesarianas em
2004 -citados recentemente pela Academia de Medicina de Nova York, durante seu seminário em cesariana- concluiu que "muitas das novas cesarianas resultam do desejo dos médicos de reduzirem o risco de resultados fetais ruins e protegerem-se de processos legais".

Apesar da forte declaração do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas contra cesarianas eletivas, estaria a opinião médica mudando?

"Até recentemente, prevalecia a opinião médica de que o parto normal era mais seguro que a cesariana", disse a declaração da Academia de Nova York.

"A cesariana eletiva em uma gravidez sem complicações não era considerada apropriada, e pedidos para tais procedimentos por parte de mulheres grávidas eram recusados."

Mas agora muitos estão questionando essa concepção, admitiu a Academia.

O que é uma cesariana?

Uma cesariana é uma forma de parto no qual um corte cirúrgico é feito no abdome da mãe e no útero para a retirada do bebê. No passado, era usado quando um parto vaginal acarretaria em complicações médicas.

Uma incisão é feita no abdome acima do osso púbico. O corte é em geral horizontal (uma incisão na linha do biquíni, que fica mais discreta), mas pode ser vertical. Uma segunda incisão é feita no útero.

O bebê e a placenta passam pelas incisões. A incisão uterina é costurada e a incisão externa é costurada ou grampeada. A cirurgia leva cerca de uma hora.

Depois da cirurgia, a mãe continua a receber medicação para dor e deve evitar levantar qualquer coisa mais pesada do que o bebê por várias semanas. A cicatriz pode coçar ou ficar dormente e vermelha.

Fonte: Harvard Medical School Family Health Guide

Riscos

- Menos de uma em 2.500 mulheres que fazem cesariana morrem como
resultado.

- Uma em cada 10.000 mulheres que fazem parto natural morrem.

- Um estudo de 30.132 mulheres que fizeram cesariana revelou que os
riscos de histerectomia, danos aos intestinos, internação e outras dificuldades aumentam a cada vez.

- Uma em cada 40 mulheres que fazem a quarta cesariana precisaram
fazer histerectomia. Deborah Weinberg

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