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11/12/2006 - 00h02

Harbour Island: fabulosa e com areias cor-de-rosa

Cox News Service
Cheryl Blackerby
Em Dunmore Town, Bahamas
Primeiramente, o óbvio. Harbour Island é bastante conhecida pela sua praia de cinco quilômetros de extensão, dotada de areias cor-de-rosa. Os delicados cristas de coral têm a tonalidade rosada das mangas maduras. Uma garrafa borbulhante de Dom Perignon Vintage Ros 1995, de US$ 200, aberta em uma perfeita tarde de sábado, é uma boa maneira de dar início a uma temporada nesta praia.

E pouca gente discordaria de que a única cidade desta ilha é a mais agradável das Bahamas. Ela é composta de casas de madeira em tons pastéis e jardins tropicais demarcados por cercas de ripas brancas que delimitam caminhos estreitos que remontam ao século 18, com largura suficiente apenas para a passagem de um carrinho de golfe, o meio de transporte preferido por aqui.

Mas acrescente o seguinte aos seus motivos para ter vindo: Mick Jagger e Lenny Kravitz participaram de cerimônias na pequena e amarela Igreja de Deus, que conta com a melhor música da ilha. O pastor Samuel Higgs, percussionista e contra-baixista, e o guitarrista rocky Sanders tocaram em clubes de jazz na Europa antes de se estabelecerem na ilha.

Michael Bolton e Nicolette Sheridan ficaram noivos no romântico Pink Sands, um romântico hotel que fica de frente para as areias rosadas. Jimmy Buffett gosta dos cheeseburgers feitos com o pão caseiro de Ma Ruby no pequeno Hotel Tingum Village. E a modelo australiana Elle Macpherson tem uma casa aqui.

As celebridades contam com o tempo e o dinheiro para procurarem os lugares mais bonitos do planeta, e o restante de nós apenas segue atrás, embora alguns indivíduos comuns tenham descoberto esta pequena faixa de areia - com cinco quilômetros de extensão e 2,5 quilômetros de largura - na costa nordeste de Eulethera antes de Mick Jagger.

O seu tamanho reduzido e as pequenas pousadas - a ilha inteira conta com apenas 200 quartos para hóspedes - chamou ainda mais atenção quando o lugar foi considerado o número um entre as ilhas do Caribe, das Bahamas e das Bermudas (que também possui adoráveis praias de areias cor-de-rosa) pelos leitores da revista "Travel+Leisure" no ano passado.

Assim sendo, como foi que a pequena Harbour Island passou a ser notável entre ilhas bem maiores e glamorosas?

Porque certas pessoas não gostam de locais grandes e glamorosos. Esta pequena aldeia de pescadores que foi a primeira capital das Bahamas - algumas casas foram construídas no final do século 18 - conta com uma autenticidade e uma personalidade impossíveis de serem recriadas em outro local. Os telhados de zinco e as colorações pastel dos enormes resorts que aparecem por todo o país não conseguem camuflar as marcas dos projetos de concreto.

E nenhum resort conta com uma Ma Ruby, de 72 anos, que está sempre no misto de restaurante e bar em Tingum Village. Não dá para contratar uma Ma Ruby. No horário do café da manhã ela pergunta aos hóspedes como foi que estes dormiram, e à noite o que eles pretendem fazer.

E os grandes resorts certamente não cobram apenas US$ 85 por noite por um quarto com uma varanda particular sombreada por castanheiras.

A graça de Ruby Percentie é legendária, a ponto de ela ter se tornado integrante do Império Britânico em maio, tendo ido conversar com o príncipe Charles no Palácio de Buckingham.

Juanita Percentie, a mais nova entre os oito filhos de Ma Ruby, gerencia o Tingum Village, e construiu um casarão de cinco quartos, cinco banheiros, piso de mármore e enormes vidraças na praia, como uma contribuição da sua geração a Tingum. O local é suficientemente fabuloso para os padrões de Malibu, e em breve estará à disposição dos turistas, juntamente com outros quartos bem mais modestos. Ma Ruby chama orgulhosamente a nova instalação de "A Casa de Juanita".

Aliás, Tingum é uma abreviatura bahamense de thingamajig - aquilo que se diz quando não se consegue encontrar uma palavra para descrever determinada coisa. E foi um dos filhos de Ruby que batizou o Hotel Tingum, há mais de 30 anos.

É claro que as celebridades se hospedam na meia-dúzia de pousadas chiques da ilha. Gerações de bon vivants passaram semanas de inverno no Pink Sands, recriado pelo ex-proprietário da Island Records, Chris Blackwell, por meio da sua atual companhia Island Outpost, e também no exclusivo Dunmore Beach Club, que só conta com 16 unidades disponíveis em oito cabanas de luxo.

Casais em lua-de-mel ou aqueles que comemoram aniversários de casamento apreciam o aconchegante Landing, um conjunto de duas casas do século 19 voltadas para o porto; e a Rock House, um grupo de prédios históricos, que inclui uma escola e uma cadeia do século 19, renovados pela equipe que projetou a mansão de Gianni Versace em Miami.

Mas quase todo mundo acaba procurando o hotel de Ma Ruby em busca da excelente comida e do bom papo.

E os visitantes freqüentam também o restaurante especializado em frutos do mar Queen Conch, de Richard Percentie, filho de Ruby, a fim de comerem uma salada de mariscos, e ainda o clube Vic-Hum, na Barrac Street, cujo dono é Humphrey Percentie, um outro filho de Ruby, para dançarem ao som de bandas bahamenses e verem os astros do rock que de vez em quando aparecem no local.

Lá é possível apertar a mão de mais um filho de Ruby: Lee Percentie, um dentista que mora em Boston, e que está de volta à terra natal para concorrer ao parlamento bahamense, representando Harbour Island. Mas ele ainda não é tão importante a ponto de Ma Ruby não mandá-lo transportar os hóspedes até o porto para embarcarem no ferry-boat.

Nenhum grande resort eclipsa o conjunto de pequenas pousadas e hotéis da ilha. Pink Sands é a maior instalação, com 25 cabanas de um ou dois quartos, construídas décadas atrás em meio aos pés de seagrape e mogno perto da praia de areias cor-de-rosa. Martha Stewart se hospeda aqui.

Mas pequenas pousada como o Bahama House Inn, construído em 1796, atrai os turistas que não são ricos e que querem desfrutar de um pouco de luxo e de história por um preço razoável. Os sete quartos de hóspedes contam com quatro camas e mesas de escritório, e todos têm vista para o mar.

Briland, conforme a ilha é conhecida pelos seus 2.000 moradores permanentes, é facilmente acessível. Ela fica a cerca de 322 quilômetros da Flórida, e a 100 quilômetros de Nassau. Mas não há aeroporto no local, para se chegar até aqui é necessária uma viagem de dez minutos de ferry-boat a partir de Eleuthera, que fica a três quilômetros de distância.

Dunmore Town, uma das mais antigas localidades no país, foi criada por Lord Dunmore. O governador de Virgínia, leal à Coroa, fugiu da Guerra Revolucionária nos Estados Unidos e foi agraciado com o título de Lord Dunmore, governador das Bahamas. Os moradores da ilha ganhavam a vida de forma satisfatória construindo barcos e trabalhando nas usinas de refino de açúcar no final do século 19.

Os turistas começaram a aparecer por aqui quando a Bahamas Air passou a fornecer vôos até Eleuthera em 1941. E, desde então, eles continuaram chegando, mas sempre em quantidade limitada. O número de turistas jamais ultrapassa 200 em qualquer dia de inverno.

A praia cor-de-rosa de Harbour Island
A praia de areias cor-de-rosa da ilha apareceu no programa World's Best Beaches, no Travel Channel, em 2005. Denominada "A Melhor Praia de Areia", Harbour Island foi uma das dez praias de todo o mundo exibidas no programa.

A cor rosada da areia se deve a insetos de coral microscópicos, os foraminíferos, que tem uma conha de cor rosa ou vermelha brilhante, cheia de buracos, através do qual eles estendem apêndices, os chamados pseudópodos, usados para se fixarem a superfícies e para se alimentarem. Os foraminíferos estão entre os mais abundantes organismos unicelulares do oceano, e desempenham um papel importante para o meio-ambiente.

Esses animais vivem debaixo dos recifes, no fundo do mar, sob pedras e em cavernas. Depois que o inseto morre, a ação das ondas esmaga os seus corpos e os seus restos vem parar nas praias, onde se misturam com a areia e pedaços de coral. O cor-de-rosa é mais acentuado na areia molhada próxima à água.

Ao contrário do que acontece em outras partes do mundo, a areia aqui é sempre fria - não existe areia quente para queimar o pé do visitante.

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