Senadores apresentam resolução contra plano de guerra de Bush

Bob Deans
em Washington

Nesta quarta-feira (17/1), democratas no Senado, apoiados por um republicano crítico da guerra, apresentaram uma resolução que se opõe ao plano da Casa Branca de aumentar o número de soldados no Iraque em 21.500, o primeiro disparo naquela que promete ser uma luta política constante em torno da condução da guerra.

Faltou pouco para a resolução não obrigatória pedir o corte da verba para o aumento de tropas ou pedir uma retirada imediata do Iraque. Ela serviria como um marcador simbólico visando demonstrar o fraco apoio político a qualquer aumento de tropas e um pedido para "um prazo rápido" para permitir que os iraquianos lidem com o derramamento de sangue sectário provocado pela guerra e para que as tropas americanas voltem para casa.

"O aprofundamento do envolvimento militar americano no Iraque com o aumento da presença de nossas tropas é um erro", disse o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Joseph Biden, democrata de Delaware, que chamou os planos para aumento das tropas de "um grande erro de curso".

Biden co-patrocinou a resolução juntamente com o presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, Carl Levin, democrata de Michigan, e o senador Chuck Hagel, republicano de Nebraska. "Eu farei tudo o que puder para deter a política do presidente", disse Hagel aos repórteres em uma coletiva de imprensa no Capitólio. "Eu acho que é perigosamente irresponsável." A senadora republicana Olympia Snowe, do Maine, disse posteriormente que apoiará a resolução.

O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, rejeitou a resolução, dizendo que Bush acredita que o aumento das forças americanas no Iraque é a melhor forma de combater a violência dos rebeldes no Iraque e ele pretende implementar o aumento de tropas. "O presidente tem obrigações como comandante-em-chefe e irá em frente e as executará", Snow disse aos repórteres.

Ele também avisou que o governo cobrará um preço político para aqueles que apoiarem a resolução, associando os dissidentes a uma hesitação em apoiar os iraquianos e colocarem os americanos em risco. "Que sinal isto envia aos iraquianos em termos de prontidão?" perguntou Snow. "Isto faz as tropas se sentirem melhores com o apoio que recebem dos Estados Unidos?"

Não ficou claro quão breve o Senado votará a resolução, que deverá passar por uma audiência perante o comitê de Relações Exteriores na próxima semana. Uma resolução semelhante deverá se apresentada na Câmara.

O líder da minoria no Senado, Mitch McConnell, republicano do Kentucky, ameaçou organizar uma obstrução para bloquear tal resolução. Romper uma obstrução do Senado exige 60 votos: na matemática atual, os democratas precisariam da solidariedade e ajuda de pelo menos 10 republicanos para colocar um fim à obstrução. Até o momento, oito republicanos disseram ser contrários ao envio de mais tropas ao Iraque. Um independente que vota com os democratas, Joseph Lieberman, de Connecticut, apóia o plano do presidente.

A senadora Hillary Rodham Clinton, democrata de Nova York, o senador Barack Obama, democrata de Illinois, e o senador Christopher Dodd, democrata de Connecticut, todos três potenciais candidatos presidenciais, pediram por um teto no número de soldados no Iraque, com a exigência de que Bush peça aprovação ao Congresso para qualquer plano que ultrapasse os limites especificados. Obama disse que apresentará a legislação para teto do número de soldados e pedirá por uma retirada gradual das forças americanas.

Snow disse que tal legislação ameaça restringir Bush e o Pentágono na condução da guerra. "Ela amarra as mãos do comandante-em-chefe e também as dos generais", disse Snow. "Amarrar a mão de alguém em tempos de guerra é uma medida extrema."

Os democratas do Senado são contrários ao aumento do número de soldados americanos no Iraque, onde já estão cerca de 137 mil, com mais de 3 mil soldados americanos mortos desde que Bush lançou a invasão em março de 2003. "Continuar colocando vidas americanas no meio de uma guerra civil sectária bem definida é errado", disse Hagel. "Isto não mudará as coisas. Nós já estamos lá há quatro anos. Nós gastamos uma quantia tremenda de dinheiro e sangue americano." George El Khouri Andolfato

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