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14/05/2007 - 00h01

Cresce nos Estados Unidos movimento para banir lâmpadas incandescentes

Cox News Service
Bob Keefe
San Diego
Folha Imagem
Lâmpada incandescente em loja em SP
Seria este o momento do apagar das luzes para uma das maiores invenções da humanidade?

O aumento do preço da energia e as preocupações com o meio-ambiente estão ameaçando de extinção a lâmpada incandescente, a criação de Thomas Edison que mudou o mundo.

Os legisladores da Califórnia deverão submeter em breve a votação um projeto de lei que poderá torná-lo o primeiro Estado do país a banir as vendas de lâmpadas incandescentes. A partir de 2012, os vendedores contariam com permissão para vender apenas lâmpadas mais eficientes sob o ponto de vista energético, tais como as fluorescentes compactas. Lâmpadas incandescentes pequenas e de baixa voltagem, como as luzes de Natal, ficariam isentas da proibição.

As lâmpadas incandescentes típicas custam entre US$ 0,25 (R$ 0,50) e US$ 0,5 (R$ 1), contra os US$ 3 (R$ 6) cobrados pelas lâmpadas fluorescentes - mas o custo total das lâmpadas incandescentes tradicionais é bem mais elevado.
O PREÇO REAL
Mas não são apenas os ecologistas da costa oeste dos Estados Unidos que tentam desligar as lâmpadas incandescentes que são o padrão utilizado há mais de 125 anos.

A Austrália e o Canadá recentemente aprovaram legislações semelhantes que entrarão em vigor em dois anos. E desde a apresentação do projeto de lei na Califórnia, os legisladores de pelo menos dois Estados, Connecticut e Rhode Island, passaram a analisar a possibilidade de aprovação de uma legislação do gênero.

No Texas, um projeto de lei proposto exigiria que as lâmpadas incandescentes de todas as repartições e escolas públicas estaduais fossem substituídas por lâmpadas fluorescentes ou por diodos emissores de luz (LEDs), já a partir deste ano. E o governo de Nova Jersey também está cogitando proibir lâmpadas incandescentes nos prédios públicos.

"O objetivo real disso é criar um bom exemplo em nível estadual para chamar a atenção do povo para a disponibilidade de opções de baixa voltagem", afirma o deputado Mark Strama, o democrata de Austin que propôs o projeto de lei do Texas. "Esperamos que o Estado seja capaz de iluminar um caminho a ser seguido pela população."

A adoção de lâmpadas mais eficientes reduziria o custo anual de consumo de energia em US$ 18 bi (R$ 36 bi), eliminaria a necessidade de 80 usinas termoelétricas a carvão e reduziria emissão de combustíveis fósseis em 158 milhões de toneladas por ano
NOS EUA
Sentindo o crescimento dessa tendência, o Congresso está trabalhando em conjunto com os fabricantes de lâmpadas e os ambientalistas no sentido de promover a adoção de padrões de eficiência que poderiam provocar a redução do uso das lâmpadas incandescentes nos próximos dez anos e a proibição dessas lâmpadas nos prédios públicos federais dentro de três anos.

Segundo uma lei aprovada neste mês pelo Comitê do Senado para Questões de Energia e Recursos Naturais, o governo poderia até mesmo criar uma espécie de recompensa para planos de eliminação das atuais lâmpadas incandescentes, oferecendo até US$ 20 milhões (cerca de R$ 40 milhões) em prêmios para quem desenvolvesse lâmpadas mais eficientes.

Com prêmios ou não, os fabricantes já estão abandonando as lâmpadas incandescentes tradicionais que atualmente estão encaixadas em cerca de 4 bilhões de soquetes só nos Estados Unidos.

Em março passado, a Philips Lighting Corporation, a maior fabricante de lâmpadas incandescentes do mundo, anunciou o seu plano de deixar de vender esse tipo de lâmpada até 2016. As duas outras grandes fabricantes de lâmpadas incandescentes, a General Electric Corporation - a companhia fundada por Thomas Edison - e a Osram Sylvania, também estão trabalhando com vários tipos de lâmpadas projetadas para substituir as lâmpada atuais.

Lloyd Levine, membro da Assembléia da Califórnia, que deu início ao movimento contra as lâmpadas incandescentes entre os legisladores dos Estados Unidos, quando apresentou o seu projeto de lei em fevereiro último, conta: "A reação inicial das pessoas foi se referir à minha proposta da seguinte forma: "Que diabos ele acha que está fazendo?'".

"Mas como a idéia está atraindo atenção em todo o mundo, eles agora dizem que ela 'faz sentido'", acrescenta o parlamentar.

A característica que prejudicou o futuro da lâmpada incandescente comum é a sua conhecida ineficiência energética.

Pelo menos 90% da energia utilizada por ela é perdida na forma de calor.

Já aquelas pequenas e retorcidas lâmpadas fluorescentes podem custar mais na hora de passar pelo caixa, mas elas convertem cerca de 75% da corrente elétrica em luz. Como resultado, cada lâmpada pode fazer com que o consumidor poupe US$ 50 (R$ 100) no decorrer da vida útil do produto, que é de cerca de 10 mil horas - aproximadamente dez vezes maior que a das lâmpadas incandescentes.

Autoridades do governo dizem que se apenas os Estados Unidos substituíssem as suas lâmpadas incandescentes por fluorescentes, isso reduziria os custos do país com energia elétrica em mais de US$ 18 bilhões por ano (R$ 36 bi), tornaria desnecessárias 80 usinas termo-elétricas movidas a carvão e, conseqüentemente, reduziria as emissões de gases causadores do efeito estufa em 158 milhões de toneladas por ano.

Os LEDs, freqüentemente agrupados em semáforos ou telas de propaganda, podem ser ainda mais eficientes. Alguns LEDs duram de 10 a 100 vezes mais do que as fluorescentes, são acesos mais rapidamente e têm um brilho mais intenso.

Durante a maior parte do século 20, poucas pessoas se importaram muito com o fato de a energia elétrica consumida pelas lâmpadas incandescentes afetar o meio-ambiente.

Mas as preocupações atuais com o preço elevado da energia, os suprimentos de petróleo estrangeiro e os problemas ambientais têm contribuído para fazer da abolição da lâmpada incandescente um ponto de inflexão no processo de mudança no setor energético.

"Há uma onda crescente de interesse pela eficiência energética", afirma Kateri Callahan, presidente da organização sem fins lucrativos Alliance to Save Energy, que trabalha em conjunto com o Congresso no sentido de colaborar para a adoção de novos padrões de consumo de energia. "E a lâmpada incandescente é um ícone do consumo da energia. Essa é a primeira coisa que vem à mente."

No entanto, nem todos acreditam que o banimento da lâmpada incandescente seja uma idéia brilhante.

Dois meses atrás, a deputada Pricey Harrison apresentou um projeto de lei na Carolina do Norte com o objetivo de acabar com o uso de lâmpadas incandescentes naquele Estado até 2016. A iniciativa gerou centenas de e-mails, telefonemas e cartas furiosos.

Segundo ela, várias reclamações foram feitas por pessoas que afirmaram simplesmente não gostar da aparência das lâmpadas fluorescentes. Outros oponentes afirmaram que as fluorescentes contêm traços de mercúrio, um elemento tóxico.

Recentemente, Harrison revisou o texto do projeto de lei. Agora este preconiza apenas que o Estado busque formas mais eficientes de iluminação bem como maneiras de descartar de uma maneira melhor as lâmpadas fluorescentes no futuro.

"Não somos a Califórnia", disse ela em uma entrevista por telefone. "Fui bastante criticada".

A Associação Americana de Iluminação, um grupo comercial de fabricantes, vendedores e projetistas de lâmpadas, com sede em Dallas, apóia integralmente a adoção de padrões para iluminação mais eficientes sob o aspecto energético.

Mas, segundo o presidente da entidade, Richard Upton, um banimento completo das lâmpadas incandescentes seria uma medida equivocada.

"Achamos que nenhuma tecnologia deva ser banida", diz ele. "Tecnologias diferentes funcionam melhor ou pior dependendo da situação."

Upton diz que as lâmpadas fluorescentes compactas podem ser ideais para a iluminação de corredores, ou para serem usadas em abajures. Mas ele acha que as incandescentes são melhores para leitura ou para iluminar objetos de arte.

Porém, Upton admite que as lâmpadas fluorescentes compactas passaram por um aperfeiçoamento drástico nos últimos anos, sendo muito melhores do que a iluminação grosseira de escritórios que muitos consumidores conhecem bem.

Até mesmo as lâmpadas fluorescentes compactas mais baratas não apresentam mais aquelas longas e irritantes cintilações quando são acesas, e a maioria se encaixa melhor do que antes nos soquetes tradicionais.

E embora as fluorescentes baratas ainda possam lançar uma tonalidade pálida em um aposento, ou mostrarem-se incapazes de funcionar com um regulador de intensidade luminosa, as lâmpadas fluorescentes mais caras são praticamente indistinguíveis das incandescentes aos olhos do consumidor.

Mas Upton diz que as fluorescentes compactas não são também o instrumento final de iluminação. Por exemplo, lâmpadas incandescentes mais eficientes desenvolvidas pela General Electric podem no futuro se mostrar melhores do que as fluorescentes em várias residências. E o mesmo se aplica aos LEDs.

Levine, o legislador da Califórnia, conta que conversou com autoridades da General Electric e de outras instituições, e que ainda poderia modificar a sua proposta de forma a torná-la menos restritiva.

"Parte disso diz respeito apenas a atrair atenção para essa questão", afirma ele. "Trata-se de fazer com que as pessoas olhem de forma diferente para o mundo a sua volta além de deixar que saibam que existem medidas muitos simples capazes de tornar o mundo melhor."

O endereço eletrônico de Bob Keefe é bkeefe@coxnews.com

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