Uma entrevista com Bjork

Em Austin, Texas

Bjork respondeu perguntas - dos críticos de música Joe Gross e Michael Corcoran e solicitadas aos leitores do blog Austin Music Source - por e-mail no início deste mês.

Você já se apresentou em Austin? O que você sabe sobre o Austin City Limits Music Festival?
Meu cérebro vira uma bagunça quando penso onde já me apresentei. Mas certamente já me apresentei lá uma vez com o Sugarcubes.

O que influencia seu estilo fashion único e quem é seu diretor de videoclipe favorito?
Esta é uma grande pergunta. Se eu tiver que escolher algo, então eu direi que a liberdade influencia meu estilo fashion. Se tiver que escolher outra, então é a diversão. E se tiver que escolher mais uma, é o conforto. Mas não há como escolher um diretor de videoclipe favorito. Todos são divertidos ao seu próprio modo.

Guillaume Baptiste/AFP 
Cantora islandesa Bjork se apresenta no Festival Rock en Seine, na França

Você já considerou retornar ao som pop com sintetizadores de "Debut" e das faixas que estão sendo remasterizadas com colaboração artística preferidas pelo público mais jovem dos anos 90?
Bem, do meu ponto de vista, "Volta" foi definitivamente um olhar para trás para o início dos anos 90. O 808 e 909 (sintetizadores) e o tipo de lance trance. Mas o restante do álbum olha para frente, eu espero. Eu não acho nostalgia tão ruim, mas também é preciso olhar para frente. Nós já temos 10 remixes prontos. Eu gosto muito deles. Meu favorito é o mix de Matthew Herbert para "Wanderlust".

Que novos escultores, arquitetos ou trabalho de outros artistas modernos você gosta de ver atualmente?
Hmmm... Em geral eu não acompanho muito este tipo de coisa. Eu tenho amigos que me mostram coisas mas eu sempre esqueço os nomes imediatamente.

O que você acha da decisão do Prince de distribuir seu mais recente álbum gratuitamente em um jornal britânico?
Bom para ele! Ele parece ter encontrado seu espaço. Independência como esta é preciosa. De qualquer forma parece estar caminhando por esta trilha. As turnês são onde as pessoas estão dispostas a comprar ingressos sem lamentação. A Internet dá acesso a tantas coisas (incluindo downloads gratuitos, YouTube e assim por diante) que a única coisa que não pode dar é a experiência "ao vivo". Assim, isto se tornou duplamente precioso.

Com a recente cobertura abrangente das escapadas de Lindsay Lohan, Paris Hilton e outros, a imprensa parece obcecada por notícias de celebridades. O que os jornais e a televisão deveriam cobrir em vez disto?
Eles devem cobrir o que o público compra. E é isto o que o público compra. Este é o motivo para estar nos jornais.

Estar casada com o artista plástico Matthew Barney mudou o estilo visual de suas apresentações? A forma como você compõe?
Realmente não. Se algo mudou, foi ter me tornado mais forte no que sempre fui.

Como uma pessoa de metabolismo sueco, tenha cuidado com o calor e a umidade em Austin. Minha pergunta: Qual é seu som de 'instrumento' vocal favorito?
A respiração.

O que motiva você a escolher as poucas canções em meio à grande variedade de música quando se apresenta ao vivo? Há sons ou instrumentos particulares que você valoriza mais que outros para grandes apresentações ao ar livre?
Bem, em cada turnê você dispõe de certos instrumentos musicais. Nesta turnê eu tenho 10 instrumentistas de metais, um baterista, um tecladista e dois sujeitos com eletrônicos. Então procurei em meus oito álbuns e escolhi as canções que melhor se encaixavam. Mas provavelmente é mais motivado pela emoção. Nesta turnê eu estava me sentindo mais festiva, bruta, tribal e vigorosa.

Sua atuação em "Dançando no Escuro" foi fantástica. Você deseja trabalhar em outro filme?
Realmente não. Eu nunca desejei. Eu fiz uma exceção com aquele filme, mas fora ele. Eu estou mais interessada em dedicar todo meu tempo à música.

Com a volta de tantas bandas dos anos 80 e 90, você já se sentiu tentada a trabalhar mais uma vez com o Sugarcubes, talvez em uma turnê?
Não.

Usar o vestido de cisne no Oscar foi talvez a declaração fashion mais provocante e controversa de todos os tempos. Você às vezes sente que seu lado visual desvia a atenção da música?
É um pouco incômodo. Eu já vesti coisas mais "ultrajantes" na Europa e ninguém disse nada. Por exemplo, o que eu vesti em Cannes. Eu acho que há um espaço na Europa para "excêntricos" que não há nos Estados Unidos no momento. É realmente triste. Se Janis Joplin, Jimi Hendrix, Boy George, George Clinton ou algumas destas pessoas aparecessem hoje, os Estados Unidos não saberiam lidar com isto. Os anos Bush tornaram este lugar muito, muito conservador. Mas talvez também seja o controle oculto exercido por Hollywood. É sagrado demais para as pessoas daqui. Eu não sabia. Eu achei que eram capazes de aceitar um pouco de humor. Se você gozar de Hollywood você será punido por sete anos. (Já faz tudo isto, dá para acreditar?) Mas para ser honesta com você, eu prefiro dedicar minha energia ao que está acontecendo agora.

Você já trabalhou com músicos tão diversos quanto Timbaland, Nellee Hooper e Lightning Bolt. Como compositora, você se alimenta desta interação ou você procura estes músicos com uma idéia bastante específica do que deseja?
Ambos. Realmente varia. Com estes três foram três formas bem diferentes de trabalhar. Nunca foi igual. É preciso ser espontânea, seguir o instinto. George El Khouri Andolfato

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