Minitelenovelas transmitem apoio a Obama

Eunice Moscoso
Em Washington

Partidários do senador Barack Obama, que teve dificuldade em atrair eleitores latinos, adotaram uma forma tradicionalmente hispânica de entretenimento para promover seu candidato -as telenovelas.

As novelas extraordinariamente populares -que dominam o horário nobre nos canais de língua espanhola nos EUA e na América Latina- são base em muitos lares hispânicos.

Os vídeos pró-Obama, lançados pelo comitê Vote Hope de San Francisco, mostram três histórias diferentes envolvendo a fictícia família Ortiz.

Jenifer Fernandez Ancona, porta-voz do Vote Hope, disse que as novelas fazem parte de um esforço chamado "Tu Voz, Tu Voto", para alcançar latinos que não estão envolvidos no processo político e são ignorados pela maior parte das campanhas.

"Todos nosso trabalho realmente foi tentar uma conexão com a cultura", disse ela. "No longo prazo, a política tem que se conectar mais com a cultura, ou não será relevante às pessoas."

As breves telenovelas primeiramente fizeram parte de um esforço de mobilização dos eleitores na Califórnia, no qual as pessoas davam seu número de telefone celular e outras informações em troca do vídeo. Agora, contudo, estão disponíveis no site do Vote Hope ou no YouTube. O grupo também anunciou os vídeos em alguns sites voltados para os latinos, como o univision.com e usou-os "em terra", nas visitas de porta em porta a lares hispânicos.

A primeira mini-novela de Obama é sobre jovens latinos que participam das marchas de protestos mas não votam. Na segunda, uma mulher hispânica relutantemente participa de um pequeno comício de Obama e recebe uma ligação dizendo que seu primo -excelente aluno na escola- foi preso e deportado. Ela conclui que votar em Obama poderia mudar a situação, porque ele apóia um projeto de lei chamado Ato Dream, que daria aos jovens imigrantes ilegais uma chance de se tornarem cidadãos se fizerem uma faculdade ou entrarem para o exército.

O terceiro vídeo lida com um assunto que não é muito abordado na comunidade latina -o relacionamento entre afro-americanos e hispânicos. Um jovem trabalhador negro pintando uma parede ouve um comício de Obama e diz ao organizador -que também é negro- que os hispânicos estão tirando os empregos dos afro-americanos.

O organizador diz ao trabalhador que os latinos "trabalham duro e merecem uma oportunidade" e que os negros e latinos compartilham os mesmos problemas, tais como falta de atendimento médico, escolas fracas e altos índices de encarceramento. No final do vídeo, o trabalhador negro veste um broche de Obama. O primeiro vídeo é em espanhol, com legendas em inglês. Os outros dois são ao contrário -em inglês com legendas em espanhol.

Carolina Acosta-Alzuru, professora de estudos da mídia da Faculdade Grady de Jornalismo e Comunicação em Massa, da Universidade da Geórgia, disse que as telenovelas são intrínseca da cultura latina, especialmente entre imigrantes latinos nos EUA.

"Eles cresceram assistindo novela, e seus pais assistiam novelas", disse ela.

Acosta-Alzuru disse que o formato de telenovela foi usado com sucesso em esforços de saúde nos EUA, mas não em campanhas políticas.

Os vídeos de Obama têm alguns elementos clássicos das telenovelas, inclusive uma narrativa de várias gerações, disse Acosta-Alzuru. No entanto, eles não têm um elemento chave do gênero- uma história de amor.

"Realmente não sei se isso vai dar certo para Barack Obama, porque, sim, as pessoas vão achar as histórias interessantes, mas talvez não tenham a sensação de novela", disse ela.

Obama vem lutando para conquistar eleitores hispânicos. Nas primárias em Nevada na semana passada, a senadora Hillary Clinton de Nova York obteve 64% dos votos hispânicos, de acordo com as pesquisas. Obama obteve 26% dos votos, e o senador John Edwards, da Carolina do Norte, 8%. Os latinos compreendiam 15% dos participantes. A margem de erro foi de 5,2 pontos percentuais.

Além disso, uma pesquisa divulgada nesta semana mostra que Clinton tem uma vantagem de 59% sobre 19% sobre Obama entre latinos que devem votar nas primárias da Califórnia no dia 5 de fevereiro. Entretanto, a pesquisa também mostrou que 18% estavam indecisos. A margem de erro foi de 5,2 pontos percentuais.

Clinton foi endossada por vários políticos hispânicos importantes, inclusive o prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, e organizações como o sindicato United Farm Workers.

Obama também tem endossos de latinos proeminentes como Maria Elena Durazo, líder da Federação de Trabalho do Condado de Los Angeles e o deputado Luis Gutierrez, democrata de Illinois, líder em questões de imigração no Congresso.

Gutierrez, entretanto, criticou nesta semana o esforço de Obama para atingir hispânicos, dizendo ao jornal Politico que o comitê de campanha não seguiu seu conselho de bater na porta dos eleitores latinos que não conhecem Obama.

O número de hispânicos que podem votar aumentou de cerca de 14 milhões em 2000 para 17 milhões em 2006, de acordo com o Pew Hispanic Center. Entretanto, a participação e latinos nas eleições tem sido tradicionalmente baixa. Em 2004, cerca de 16 milhões de latinos podiam votar, mas apenas 7,6 milhões foram às urnas.

O Instituto de Política Tomas Rivera da Universidade do Sul da Califórnia estima que 9,3 milhões de hispânicos votarão nas eleições gerais deste ano.

Para ver as telenovelas do Vote Hope: http://www.votehope2008.com/novelas.php Deborah Weinberg

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