Para a família Rios-Martinez, não há debate em relação à pena de morte

Emily Minor

Junny Rios-Martinez completaria 29 anos em 6 de maio. Mas em vez disso, ele tem 11 anos para sempre - bonitinho, fofo e banguela.

Junny em um jogo da Liga Infantil em suas calças de beisebol de poliéster e blusa laranja.

Junny no parque, comendo sobre uma mesa de piquenique.

Junny com sua família.

O Estado da Flórida executou Mark Dean Schwab, o assassino de Junny, na última terça-feira. Disseram que a morte de Schwab foi pacífica e tranqüila.

Nada de cadeiras elétricas com esponjas que podem pegar fogo. Nada de injeções que erram o alvo, prolongando o último suspiro por quase 30 minutos.

Nada disso.

"Tomara que todos tenhamos a mesma sorte quando chegar nossa hora", disse o pai de Junny, também chamado Junny, depois da execução planejada de Schwab.

Não há meio termo em se tratando de pena de morte, essa é provavelmente a única coisa certa a respeito do tema. Você tem algum parente ou amigo, ou conhece algum político que esteja indeciso em relação às execuções pelo Estado? Além disso, a pena de morte não é uma idéia que um bom liberal costume endossar.

A não ser?

E se você fosse a mãe de Junny Rios-Martinez? Ou o pai? Ou a irmã? Ou se fosse o seu filhinho querido que tivesse sido ludibriado por um homem como Schwab, que se fazia passar por repórter de jornal e disse que queria escrever uma história sobre o prêmio que Junny havia ganhado empinando pipa? E então?

"Tudo que espero é que meu filho também tenha morrido em paz", disse a mãe, depois da morte de Schwab.

Francamente, eu sabia muito pouco sobre a vida e a morte de Junny Rios-Martinez até que a sentença de Schwab foi marcada para a semana passada.

Na verdade, Junny Rios-Martinez não estava no meu radar.

Mas agora eu sei: sua família é de Cocoa. O crime aconteceu em 1991, dois meses depois que eu tive meu próprio filho - um menino que viveu toda sua vida, pleno e feliz e maravilhoso, depois da morte de Junny.

Assisti a um documentário de 10 minutos na página da família no MySpace. É uma seqüência de memórias de família sombria e comovente - Junny correndo no beisebol; Junny com um bolo de aniversário; Junny, pequenininho, com o rosto gordinho de criança, pilotando sua Big Wheel.

E então, lá está ela, a mãe - com um jeito simples e contido, sentada em uma sala bonita, com apenas um abajur fornecendo uma luz fraca.

E ela está dizendo todas as coisas que uma boa mãe jamais deveria dizer.

"Fico muito feliz de ter podido passar aqueles onze anos com ele."

Na terça-feira, ela e o marido assistiram à execução, à morte da última pessoa que tocou seu filho. Depois voltaram dirigindo para suas vidas na costa do Atlântico.

Na manhã de quarta-feira, um dia depois que o assassino de seu filho morreu mais pacificamente do que o próprio menino, Vicki Rios-Martinez levantou-se e foi trabalhar.

Como se fosse um dia normal no meio da semana.

Vicki Rios-Martinez - mãe do adorável garoto banguela da Liga Infantil que terá onze anos para sempre - finalmente conseguiu sua paz.

E não importa qual seja a política, simplesmente não posso invejá-la por isso. Eloise De Vylder

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos