Donos dizem amar seus iPads

Em Austin, Texas (EUA)

  • Jessica Rinaldi/Reuters

    Comprador comemora aquisição de iPad em Nova York, nos Estados Unidos

    Comprador comemora aquisição de iPad em Nova York, nos Estados Unidos

B.J. Heinley, um designer gráfico, queria um iPad da Apple há 10 anos, antes mesmo dele existir ou ter um nome. 

Ele viu um aparelho como esse em um episódio de "Jornada Nas Estrelas: A Nova Geração" sendo usado pelo capitão Jean-Luc Picard. 

"Picard está falando com alguém em algo parecido com um iPad", disse Heinley, "e eu pensei: "É disso que o mundo precisa!" Uma janela barata aproximadamente desse tamanho, na qual seja possível colocar coisas, pilotar a nave, mostrar um gráfico para alguém e então jogá-la na mesa sem se preocupar". 

Heinley teve seu iPad entregue há uma semana, o encomendando na pré-venda após superar suas reservas em relação ao preço. "Minha esposa disse: "Você fala nesta coisa há cerca de 10 anos. Eu acho que você precisa comprar um"." 

O designer gráfico estava entre os cerca de 300 mil fãs da Apple, primeiros usuários, desenvolvedores de aplicativos e outros que ficaram na fila ou esperaram em casa pela entrega da mais recente criação da Apple, um aparelho de Internet com tela de 9,7 polegadas que parece um iPod Touch grande, quadrado. 

A versão Wi-Fi do iPad (um modelo habilitado para Internet 3G será lançado em aproximadamente um mês) saiu em 3 de abril e, no universo Apple, se encaixa entre o onipresente iPhone e a linha de notebooks da Apple. As versões Wi-Fi vêm em tamanhos de 16, 32 e 64 gigabytes e custam US$ 499, US$ 599 e US$ 699, respectivamente. As versões 3G custarão US$ 629, US$ 729 e US$ 829 nesses tamanhos. 

Até o momento, apesar da reação de pessoas que o consideram um brinquedo excessivamente caro, as críticas têm sido positivas, com os compradores dizendo que esperam que o iPad mudará a forma como navegam na Internet e, em alguns caso, a forma como trabalham. Nós falamos com cinco donos de iPad e todos eles disseram que amam seus novos aparelhos e não têm a intenção de devolvê-los. 

Caroline Tang aguardou sete horas na Apple Store no The Domain, juntamente com seu marido e centenas de outras pessoas, para comprar um. Era o aniversário de seu marido, mas assim que chegaram à frente da fila, eles decidiram comprar dois. 

"Após o tempo que investimos, nós queríamos ter um retorno", disse Tang. 

Ela planeja usar seu iPad para jogar videogames como seu favorito, "Plants vs. Zombies", usar sites de rede social como Facebook e Twitter e para pesquisar coisas na Wikipedia, enquanto assiste TV ou está deitada na cama. 

Mas ela não substituirá o Kindle da Amazon para leitura de livros eletrônicos. "Eu tentei usar o aplicativo do Kindle no iPad. É pior para os olhos por causa do brilho. Quando você usa um Kindle, a sensação é realmente de um livro." 

O iPad exibe vídeo, tem um browser completo de Internet e pode rodar todo o acervo de aplicativos do iPhone já existentes, assim como novos, mais completos, criados para o iPad. Mas ele não é como um notebook e carece da câmera e portabilidade do iPhone. 

Muitos donos de iPad compraram o aparelho antes de descobrirem como ele exatamente se encaixará em suas vidas. (Essa é parte da magia da Apple: o nome e a reputação por si só fazem muitos abrirem suas carteiras.) 

Charlie Wood, um desenvolvedor de software, ganhou o iPad como um presente da família, mas descobriu que um serviço baseado em Internet no qual sua empresa, a Spanning Sync, está trabalhando funciona mal no iPad. Ele planeja criar uma versão para iPad para resolver esses problemas. 

Mas, de modo geral, ele planeja usar o iPad como parte de sua rotina matinal, sentado em sua varanda com uma xícara de café, lendo as notícias. 

"Eu tive o que considero a experiência seminal de iPad. Se ele não fizer nada mais além disso, eu já estou contente", ele disse. 

Ele diz que os críticos do iPad podem estar enfastiados demais. "É realmente fácil ficar cínico a respeito da tecnologia atualmente. Avanços inovadores são quase uma ocorrência cotidiana", disse Wood. "Eu tenho a impressão distinta, segurando isto, de que estou segurando um artefato do futuro." 

Cole Huggings, um engenheiro civil, não espera que seu iPad tenha qualquer utilidade profissional, mas ele o considera mais fácil para viajar do que um notebook, porque é mais leve e menor quando levado juntamente com as câmeras SLR digitais utilizadas por ele e sua esposa. Sua primeira impressão do iPad é que é mais veloz do que os iPhones utilizados com frequência por ele e sua esposa. 

"Eu mal acreditei em quão rápido tudo parecia", ele disse. Seu aplicativo favorito até o momento é o Junecloud Deliveries, que monitora os pacotes de uma série de lojas online e entregadoras, os mostrando para você em um mapa. 

John Oeffinger gosta tanto de seu iPad que planeja comprar outro, provavelmente a versão 3G, quando estiver disponível. Ele é um usuário da Apple desde o computador Apple II no final dos anos 70 e considera o iPad outra transição na forma como computamos. 

"Ele vai abrir oportunidades para as pessoas fazerem coisas antes consideradas impossíveis de uma forma portátil", disse Oeffinger. 

Ele é co-proprietário de uma empresa de educação digital, a O2 Digital Media LLC, e acredita que o iPad será grande entre os estudantes e introduzirá uma era de navegação em Internet na poltrona. 

"O que isto faz agora é me dar a oportunidade de começar a ler e-mail, realizar tweets e ver coisas no Facebook mais facilmente. Eu não tenho que me sentar na cadeira (do escritório). A ergonomia e diferente", disse Oeffinger. 

Apesar da falta de uma câmera embutida no iPad, Oeffinger está usando aplicativos como o Photogene para editar fotos de outros aparelhos e um chamado LightTrac, que mostra a posição do sol a qualquer momento, para a fotografia com baixa luminosidade que ele realiza ao nascer e entardecer. 

O iPad foi chamado de "aparelho de consumo de mídia" –isto é, um aparelho para assistir filmes, ler livros e ouvir música, mas não exatamente para as pessoas criarem seu próprio conteúdo. Mas à medida que os desenvolvedores de aplicativos apresentarem mais ferramentas na App Store, a criatividade digital florescerá no iPad, acredita Heinley. 

Ele já usou um aplicativo de caderno de esboços para fazer desenhos para seus filhos para um projeto de livro no qual estavam trabalhando. "Minha ideia é poder ser criativo com ele", ele disse. "Eu não fiquei decepcionado." 

Omar L. Gallaga escreve para o "Austin American-Statesman".
E-mail: ogallaga@statesman.com

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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