Depois dos cortes no orçamento, Obama diz que está "100% comprometido com a missão da NASA"

Eliot Kleinberg

O presidente Barack Obama disse a ansiosos trabalhadores do setor espacial na quinta-feira que, apesar do fim iminente para o ônibus espacial e da aposentadoria da nave espacial que o substituiria, "não estamos só procurando continuar. Queremos dar um salto no futuro".

No prédio de Operações e Testes, uma longa e cavernosa fortificação onde a carga espacial é processada e astronautas se vestem, Obama ficou na frente de um modelo da nave Orion, que terá sua montagem final aqui. Na plateia: gerentes da NASA, ex-astronautas e políticos.

O administrador da NASA Charles Bolden, ao apresentar o presidente, disse que a NASA não só tinha um passado histórico, "como também, eu lhes garanto, um futuro histórico".

Obama deu detalhes de partes do projeto relatado na quarta-feira: a Casa Branca desistirá da ideia, esboçada em fevereiro em seu orçamento proposto, de aposentar a Orion, que deveria substituir o ônibus espacial.

A Orion continuará não indo para a Lua. Em vez disso, será usada como um veículo de emergência não tripulado que faria uma conexão temporária com a Estação Espacial Internacional como um veículo de retorno de emergência, disse a Casa Branca.

E a NASA investiria bilhões em pesquisas para acelerar o desenvolvimento de um imenso foguete que enviaria pessoas e cargas para o espaço sideral, ainda que não tenha especificado onde. Ela escolheria o projeto até 2015.

"Estamos estabelecendo um novo curso com marcos específicos e realizáveis", disse o presidente dos EUA.

"Quero deixar claro", disse. "Estou 100% comprometido com a missão da NASA e seu futuro".

Obama disse que aumentará o orçamento da NASA em US$ 6 bilhões dentro de cinco anos.

O presidente propôs missões tripuladas para o espaço sideral até 2025, com uma possível missão para Marte.

"Espero estar por aqui para ver isso", disse.

O plano espacial de Obama ainda depende de que empresas privadas voem até a estação espacial. A Rússia atualmente cobra cerca de US$ 50 milhões por passageiro. A indústria espacial comercial lançou, na terça-feira, um estudo dizendo que isso resultaria em 11.800 empregos.

Mas grupos da Costa Espacial calcularam uma perda líquida de 7 mil a 23 mil empregos locais.

A Casa Branca diz que seu novo plano significaria mais 2.500 empregos na Flórida do que o esboçado pelo então presidente George W. Bush, e descartado desde então pela Casa Branca.

Na quarta-feira, a deputada Suzanne Kosmas, cujo distrito inclui o Centro Espacial Kennedy, e que submeteu um projeto de lei que daria incentivos aos trabalhadores do setor espacial para virarem professores, chamou o novo plano de "um desenvolvimento animador".

Mas na segunda-feira, Marion Blakey, líder da Associação de Indústrias Aeroespaciais, disse à organização Forum Club of the Palm Beaches, "Os melhores e mais brilhantes não ficarão por aqui, presumindo que em algum momento nosso programa espacial será retomado".

Enquanto isso, milhares de trabalhadores do setor espacial, políticos e líderes de empresas locais realizaram um comício "Salve nosso Espaço" em Cocoa, no domingo.

"Um foguete sem um destino seria um grande salto para trás para o programa espacial dos Estados Unidos", disse o senador da Flórida George LeMieux, que apresentou na quarta-feira um projeto de lei para preservar o programa Constellation. "Promessas de tomar decisões mais tarde minará nossa liderança em exploração espacial tripulada".

Na quinta-feira de manhã, na filial da Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores do Setor Aéreo-Espacial em Cabo Canaveral, o representante comercial Johnny Walker planejava assistir a Obama na televisão. Ele não esperava ouvir nada de novo – ou promissor.

"Não temos grandes expectativas", disse.

Walker disse que os sindicatos esperam que o Congresso devolva parte do dinheiro do programa espacial.

"Não há nenhum emprego (aqui)", disse. "O pessoal vai ter de ir embora".

Com colaboração da Associated Press.

Eliot Kleinberg escreve para o "The Palm Beach Post".

Tradutor: Lana Lim

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