É preciso impor limites urgentes na ganância dos bancos

Tom Blackburn*

Em West Palm Beach (Flórida)

  • Shaun Best/Reuters

É ilegal um banco reter mais do que 10% dos depósitos no país. Não importa. O Bank of America, o JP Morgan Chase e o Wells Fargo estão bem além do limite. Eles obtiveram dispensas no ano passado que os isenta da lei.

Todos os três cresceram durante a Grande Recessão. Reguladores praticamente lhes imploraram para engordar. Eles absorveram, respectivamente, o Merril Lynch, o Bear Stearns e o Wachovia, para evitar falências que teriam deixado credores no vazio por meses ou anos, fazendo com que muitos desses credores também afundassem.

Depois disso, teria sido desonesto se os reguladores os denunciassem. Mas seu crescimento aumenta o perigo pré-existente de ser grande demais para falir. Se algum deles, ou quatro ou cinco outros, vacilassem, o governo – ou seja, todos nós – os apoiaria novamente para evitar o pesadelo que agitou a imaginação do presidente Bush em 2008.

O problema é amplamente reconhecido. As duas coisas vitais a fazer são entender derivativos e evitar socorros a grandes instituições financeiras. Até olhos de especialistas se embaçam com o segundo "iv" de "derivativos". Mas pode-se falar em Grande Demais para Falir.

O presidente Obama, como sempre, dividiu todas as possíveis diferenças em suas sugestões sobre o que fazer. Ele obrigaria os bancos a fazer suas jogadas de mercado com seu próprio capital, não arriscando depósitos de clientes. Ele também faria com que os bancos levantassem mais capital para sustentar seus empréstimos.

O problema é que sua abordagem baseia-se sobre novas regras, e os bancos Grandes Demais para Falir são grandes demais para obedecer regras. Vide acima o limite da lei sobre seus depósitos. Vide também o relaxamento das regras de contabilidade de forma que eles possam "chutar" o valor de seus bens em níveis mais altos do que eles costumavam.

E entendam: se os banqueiros estivessem brincando com o dinheiro de um agiota, estariam andando de muletas agora, e não correndo até o Federal Reserve para novos empréstimos baratos.

O líder republicano do Senado achou que os democratas estavam dando poder demais aos burocratas. O senador Addison Mitchell Mc Connell, pelo Kentucky, também alegou, contraditoriamente, que todos esses burocratas todos-poderosos não poderiam evitar mais socorros com dinheiro de contribuintes. Sua lógica não consegue convencer nem a republicanos.

A incapacidade do senador McConnel em elaborar uma objeção inteligente às ideias de Obama, no entanto, não as torna maravilhosas. Existe algo mais eficiente a ser feito sobre as Grandes Demais para Falir.

E isso seria dividir as instituições Grandes Demais para Falir. Ninguém menos que Alan Greenspan nos lembrou que, 99 anos atrás, uma administração republicana dividiu a Standard Oil Co. em 34 entidades diferentes, que eram mais inovadoras e lucrativas separadamente do que seriam se tivessem ficado como uma coisa só. Greenspan não estava recomendando. Estava só dizendo. Mas o mesmo podia ser feito com mega-bancos.

Como caminhões em uma estrada, se o motorista perder o controle, instituições Grandes Demais para Falir são mais perigosas do que outros veículos. Os caminhões-banqueiros voltaram à estrada em 2009, mas os acostamentos continuam lotados com suas vítimas.

Enquanto passavam pelos anos 1990 e 2000, banqueiros de investimentos conseguiram transferir muito dinheiro das contas de aposentadorias de pessoas que trabalham para viver para carteiras daqueles que não trabalham.

Eles se colocaram em uma posição onde o governo implicitamente – e, por fim, explicitamente – tinha de se certificar que nada de ruim podia acontecer a eles. Ele não pode usar leis contra eles; eles passam direto pelos radares de velocidade. Eles são guardiães do Estado, mas detêm as chaves para seu fundo fiduciário. Então estão livres para jogar de formas que nenhum aspirante a competidor, com sua empresa em jogo, se atreveria.

No começo do século passado, corporações como a Standard Oil ficaram maiores que o controle social e começaram a esmagar a concorrência e controlar clientes. Republicanos chamavam corporações como essa de "trustes" e as quebraram. Não é uma ideia socialista. É antiquada, com 99 anos de idade.

*Tom Blackburn é ex-membro do The Palm Beach Post Editorial Board.

Tradutor: Lana Lim

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