Avião não tripulado fará segurança na fronteira do Texas (EUA)

Tim Eaton

Em Austin, Texas (EUA)

  • Divulgação/USAF

    Avião militar não tripulado dos fabricado e usado na segurança dos Estados Unidos

    Avião militar não tripulado dos fabricado e usado na segurança dos Estados Unidos

Após anos de pressão por parte dos políticos do Texas, o deputado federal Henry Cuellar disse que espera que o governo federal entregue até o final do ano uma aeronave não tripulada para vigilância da fronteira com o México. 

Cuellar, um democrata de Laredo, Texas, disse que discutiu com altos funcionários do escritório de operações aéreas e marítimas da Alfândega e Proteção de Fronteira dos Estados Unidos, e eles concordaram com o prazo, sujeito a aprovação da Administração Federal de Aviação (FAA) para que os aviões de vigilância –frequentemente chamados pelos políticos de "aviões-robô Predator"– sobrevoem o Texas. 

Laura Brown, uma porta-voz da FAA, disse que o governo está "trabalhando o mais rápido que pode nisto". 

Cuellar disse que a FAA lhe disse que a principal preocupação dos reguladores é com o tráfego aéreo pesado do Texas –tanto particular quanto comercial. 

Se aprovada, a aeronave não tripulada no Texas se somaria ao esforço do governo federal existente na fronteira, que inclui um punhado de outras aeronaves não tripuladas, 20 mil agentes da Patrulha de Fronteira, cerca de 1.050 quilômetros de cercas de fronteira e 41 sistemas móveis de vigilância, segundo a Alfândega e Proteção de Fronteira. 

O avião, que é fabricado pela General Atomics Aeronautical Systems e oficialmente chamado de Predator B, é capaz de avistar atividade ilegal na fronteira e enviar imagens em tempo real para os agentes, que então seriam enviados, segundo a Alfândega e Proteção de Fronteira. 

Cuellar –juntamente com os senadores John Cornyn e Kay Bailey Hutchison e o governador Rick Perry– estão tentando trazer a aeronave não tripulada ao Texas há anos. 

Cornyn e Perry, ambos republicanos, estão entre os maiores críticos do ritmo de trabalho dos reguladores. 

"Washington precisa deixar de enrolar enquanto a região da fronteira da América queima", disse Perry, que pede por aeronaves Predator desde 2005. 

Também na semana passada, Cornyn disse que o ritmo da FAA "beira o corpo mole". 

Cuellar evitou usar palavras duras contra a FAA. Em vez disso, ele convidou o administrador da FAA, Randy Babbitt, e o comissário de Alfândega e Proteção de Fronteira, Alan Bersin, ao seu gabinete em 20 de maio para assegurar que um acordo seja acertado. 

"Meu interesse nisto é que tudo seja feito o mais rápido possível", ele disse. 

Cuellar, que lidera o Subcomitê de Segurança Interna da Câmara para Fronteira, Mar e Contraterrorismo, pediu à FAA que dê prioridade ao pedido do Texas. Cuellar e as autoridades da Alfândega e Proteção de Fronteira disseram que já encontraram uma base para o Predator no Texas, na Estação Aeronaval de Corpus Christi. 

Kimberly Kasitz, uma porta-voz da General Atomics, disse que uma aeronave não tripulada custa entre US$ 10 milhões a US$ 12 milhões. 

As discussões em Washington se centraram em posicionar um Predator no Texas ao longo da fronteira com o México, para combater o tráfico de drogas, o contrabando de imigrantes e os violentos cartéis das drogas mexicanos. 

O avião do Texas ainda está em construção, disse Cuellar. Se ele não estiver pronto quando a FAA aprovar seu voo, então um seria emprestado de outra localização, disse Cuellar. Ele não disse de onde por motivos de segurança. 

Locais dotados de sistemas de aeronaves não tripuladas nos Estados Unidos incluem o Arizona, que tem três; Dakota do Norte, que tem duas; e a Flórida, que tem uma. 

As aeronaves não tripuladas cresceram rapidamente em popularidade nos setores de defesa e vigilância, disse Peter W. Singer, um membro sênior da Instituição Brookings e autor de "Wired for War: The Robotics Revolution and Conflict in the 21st Century". 

Desde 2003, as forças armadas adquiriram cerca de 7 mil aeronaves não tripuladas que realizam voos de vigilância e missões de combate em guerras no exterior, disse Singer, e tudo aconteceu "em um piscar de olho burocrático". 

Até hoje, cada uma das forças armadas permanece ávida em obter mais. 

"Basicamente, a Força Aérea as está comprando o mais rapidamente que pode", disse Singer. 

Enquanto isso, a Alfândega e Proteção de Fronteira disse que pretende aumentar os sistemas de aeronaves não tripuladas por todo o país neste ano, e espera uma rede completa de aviões não tripulados ao longo de toda a fronteira até 2015. 

As autoridades ressaltaram a eficácia dos Predators em um comunicado publicado em fevereiro de 2009. Elas relataram que os aviões Predator B voaram mais de 1.500 horas e contribuíram para a apreensão de mais de 6.800 quilos de maconha e a detenção de mais de 4 mil pessoas sem documentos. 

Mas muito mais pode ser realizado com a aeronave não tripulada, disse Cuellar na segunda-feira. 

Discussões já estão em andamento sobre voltar as câmeras de alta resolução do Predator, que Cuellar disse que são capazes de ler o rótulo de uma garrafa a 5.800 metros de altitude, para o México para rastrear a movimentação dos cartéis das drogas. 

Mas ainda há muitas questões de soberania, acrescentou Cuellar, de forma que qualquer avanço da ideia dependerá das autoridades do governo mexicano.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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