Plano de emergência para o vazamento de óleo dá lugar à limpeza a longo prazo

Dara Kam
Em Pensacola Beach, Flórida (EUA)

  • Lee Celano/Reuters

    Vazamento de óleo no golfo do México trouxe grandes danos à fauna local

    Vazamento de óleo no golfo do México trouxe grandes danos à fauna local

A BP concluirá sua resposta de emergência ao massivo vazamento de petróleo no golfo do México na Flórida no final do mês, disseram funcionários da gigante do petróleo e do governo federal aos moradores de Panhandle esta semana, e iniciará esforços de restauração de longo prazo.

A maior parte dos esforços de recuperação na Flórida serão concentrados na limpeza das praias e empregarão uma equipe esquelética se comparada aos milhares de trabalhadores de limpeza e capitães de barcos que passaram quase dois meses recebendo salários para ajudar na resposta ao desastre.

A transição dos esforços de emergência para os de restauração transfere a responsabilidade pelo desastre do Comando Unificado, liderado pela BP e pela Guarda Costeira dos EUA, para a Organização de Restauração do Litoral do Golfo, liderada pelo executivo da BP Bob Dudley.

Oficiais da BP insistem que continuam comprometidos a concluir a limpeza como prometeram, enquanto iniciam o "reescalonamento" das operações.

"Não vamos colocar nenhum prazo para isso. Estaremos em 'modo de resposta' pelo tempo que for necessário ficar em modo de resposta", disse o porta-voz da BP Phil Cochrane numa entrevista por telefone. "Estamos aqui a longo prazo. Nossas atividades poderão ser diferentes, mas o óleo na água é um dos principais motivos. E se houver óleo subindo para a praia nós tomaremos as medidas necessárias para fazer o que for necessário."

A BP chegou a ter 27 mil trabalhadores no pico das atividades para contenção do desastre causado pela explosão da plataforma de petróleo Deepwater Horizon em 20 de abril, que derramou milhões de galões de petróleo no golfo do México e manchou as praias de Panhandle durante a temporada de verão. Mas ela reduziu este número para cerca de dois terços.

Autoridades federais insistem que 75% do petróleo desapareceu e que não há mais petróleo para ser removido na superfície do golfo, apesar dos relatos de manchas de petróleo na água e no fundo do oceano.

O secretário do Departamento de Proteção Ambiental da Flórida, Mike Sole, principal autoridade do Estado no gerenciamento do desastre, disse no começo desta semana que os mergulhadores e barcos da Guarda Costeira dos EUA não encontraram nada ao investigar esses relatos. Um tapete de óleo de tamanho considerável ainda está presente na praia, próximo ao farol de Pensacola.

Os banhistas não encontrarão mais os trabalhadores da limpeza, vestidos com macacões e armados com pás de crianças e redes de pescar em miniatura, rastelando bolas de alcatrão das praias de Panhandle.

O trabalho manual será substituído pela "Sand Shark" [ou "Tubarão da Areia"], uma máquina que ainda está sendo desenvolvida e experimentada em Orange Beach, Alabama, de acordo com Cochrane. A Sand Shark – um equipamento enorme que usa uma esteira para separar o alcatrão da areia – será testado na praia de Pensacola na próxima semana, disse ele.

Mas a máquina de limpeza de US$ 300 mil da BP pode causar problemas para a restauração da praia uma vez que ela só cava a 45 centímetros abaixo da superfície da areia e as bolas de alcatrão estão enterradas em até 60 centímetros de profundidade ao longo da costa de Panhandle.

Tampouco será mais necessário o programa "barcos de oportunidade" ("vessels of opportunity", ou VOO em inglês) que levou centenas de pescadores e capitães de barcos sem trabalho de volta à água para procurar óleo, ajudar a montar barreiras de proteção e transportar suprimentos para os navios que coletavam óleo.

"O uso do VOO está de fato ligado à descoberta do óleo e à necessidade de continuar essas atividades. Então uma vez que o vazamento esteja contido, obviamente a necessidade e o uso desses barcos é menor", disse Cochrane.

Em vez disso, um punhado de barcos locais será usado para fazer análises da água, quer transportando funcionários que farão os testes, quer colhendo eles mesmos as amostras.

Os testes devem acontecer quando – e se – for encontrado óleo na água. Alguns pontos permanentes de amostragem serão estabelecidos por toda a região do golfo.

John Naybor, que é dono de quatro marinas em Pensacola, diz que como a maior parte do alcatrão visível está fora da praia, este é o momento certo para a BP transferir os recursos para onde são mais necessários.

"Não há motivo para adotar uma estratégia de corpo de bombeiros e ter um grupo grande de pessoas sentadas esperando o sinal de fogo", diz Naybor. "Em algum momento precisamos retomar nossas vidas e seguir adiante."

Tradução: Eloise De Vylder

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