UOL Notícias Internacional
 

02/03/2005

George W. Bush poderia estar certo?

Der Spiegel
Charles Hawley
Em Hamburgo
A viagem do presidente Bush à Europa para promoção da amizade continuou na última quinta-feira (24/02) em Bratislava, na Eslováquia. Mais ou menos. Antes do encontro de cúpula Estados Unidos-Rússia, Bush disparou algumas críticas pesadas na direção do presidente russo, Vladimir Putin. Mas a parceria continua forte. Será que a Europa poderia aprender com o estilo truculento de Bush?

Stephen Crowley/NYT

Bush e Vladimir Putin participam de encontro diplomático na Europa
A coletiva de imprensa pós-encontro em Bratislava, na noite de quinta-feira, da qual participaram o presidente George W. Bush e o presidente Vladimir Putin, foi mais ou menos exatamente como se esperava. Na verdade, o clima foi aquele que Bush buscou criar ao longo de sua viagem de cinco dias pela Europa. Amistoso. Positivo. Buscando destacar as áreas de acordo.

De fato, apesar de Bush ter evitado desta vez chamar seu colega russo pelo apelido de "Pootie-Poot", ele se referiu a ele como seu amigo, o chamando pelo primeiro nome, Vladimir, e aparentemente metade das sentenças de Bush começavam com "nós concordamos".

Putin também fez bem seu papel e igualmente manteve o tom, falando sobre a importância do relacionamento russo-americano. Ele também fez questão de destacar as áreas de acordo enquanto despachava rapidamente as questões nas quais os dois não concordam.

O encontro na verdade lembrou assustadoramente os freqüentes encontros de alto nível entre o chanceler alemão, Gerhard Schröder, e seu bom amigo Vladimir Putin. (Os dois se encontraram pessoalmente 28 vezes em mais de quatro anos, mais recentemente em dezembro de 2004.)

Schröder gosta de enfatizar sua amizade com o presidente russo e até mesmo convidou Putin à sua casa. Schröder também gostava de chamá-lo de "democrata impecável", posição que defendeu até dezembro --no meio da crise eleitoral da Ucrânia, na qual Putin apoiou o candidato da situação Viktor Yanukovych em vez do candidato da oposição (e vencedor no voto popular) Viktor Yushchenko.

Mas em Bratislava, as semelhanças na forma como Bush e Schröder abordam Putin terminaram nos sorrisos e boa vontade. Na verdade, foi o subtexto do encontro Rússia-Estados Unidos que foi mais interessante --um subtexto ausente dos encontros Rússia-Alemanha.

Bush, ao que parece, passou as semanas que antecederam o encontro de cúpula na Eslováquia disparando avisos freqüentes para Moscou. Ele está preocupado com a direção que Putin está seguindo e deixou que o mundo soubesse a respeito.

Schröder? Fora uma reprimenda dócil, feita privativamente por telefone durante a crise eleitoral ucraniana em dezembro, o silêncio tem reinado.

As causas para preocupação são muitas e principalmente concentradas no compromisso aparentemente ambíguo de Putin com a democracia. Putin, nos últimos meses, presidiu uma dissolução um tanto questionável da gigante de petróleo Yukos, revogou o direito dos cidadãos russos de eleger seus próprios governadores regionais e colocou o poder firmemente em suas próprias mãos, além de silenciar vários órgãos de mídia que criticavam sua liderança.

Além das questões em torno da democracia, Bush e Putin também discordam em várias questões de política externa, o que foi acentuado mais recentemente pela declaração de Putin de que acredita que o Irã não está interessado em construir uma arma nuclear --uma posição com a qual Bush discorda categoricamente.

A mídia européia gosta de repreender Putin por sua teimosia. O silêncio dos líderes europeus, particularmente Schröder, tem sido ensurdecedor.

Para ser justo, Schröder tem uma defesa de prontidão. Ele sente que a melhor forma de assegurar a continuidade (ou retomada) da abordagem cuidadosa de Putin em relação ao Ocidente é ser gentil. Há também vários interesses de negócios alemães em jogo na Rússia --concentrados principalmente nos enormes depósitos de gás e petróleo russos-- que Schröder está intermediando.

Mas Bush, apesar de toda sua inabilidade diplomática antes e desde a guerra no Iraque (incluindo sua gafe na noite de quarta-feira, quando esqueceu de tirar suas luvas enquanto cumprimentava seus anfitriões eslovacos), não teme em confrontar Putin quando vê um problema.

Além disso, ele o faz publicamente, o que torna ainda mais difícil para Putin voltar aos negócios como de costume. De fato, a alegre coletiva de imprensa --apesar de esperada-- ficou ainda mais interessante pelos claros desentendimentos que separam os dois líderes e pela forma direta como Bush tratou tais diferenças.

Diplomacia, Bush pareceu dizer, pode --e talvez deva-- funcionar como uma amizade. Diga ao seu amigo quando você achar que ele ou ela não estão agindo corretamente. Mas ao mesmo tempo, mostre seu compromisso com os alicerces do relacionamento.

O chanceler Schröder precisa decorar tal lição. Americano expõe suas divergências com Putin; Schröder é dúbio George El Khouri Andolfato

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