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30/04/2005

Para Spielberg e Tom Cruise, "A Guerra dos Mundos" permite interpretação religiosa

Der Spiegel
Da Redação
Em Hamburgo
O ator Tom Cruise fala sobre a Igreja da Cientologia, da qual ele é membro já faz 20 anos, um aniversário que ele está comemorando agora. Ele faz esses comentários como parte de uma discussão com o diretor Steven Spielberg a respeito de "War of the Worlds" ("Guerra dos Mundos").

No seu mais novo filme, estrelado por Cruise, que estréia em 29 de junho nos Estados Unidos e no Brasil, Spielberg encena os medos dos americanos em relação ao terrorismo.

Fred R. Conrad/The New York Times

/A próxima parceria da dupla, "A Guerra dos Mundos", vai estrear em julho nos cinemas
O diretor explica que ele sempre quis dirigir uma "invasão efetiva, hostil, aterrorizante de seres alienígenas vindos do espaço sideral", enquanto Cruise, ainda às voltas com a sua igreja, insiste: "Eu só quero ajudar as pessoas".

Der Spiegel: Sr. Spielberg, nenhum outro diretor fez tanto como o senhor para construir uma imagem positiva dos alienígenas ao representá-los. Nos seus filmes "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" (1977) e "E.T. - O Extraterrestre" (1982), o senhor os descreve como criaturas adoráveis. Já, no seu mais novo filme, "Guerra dos Mundos", que estréia no circuito em 29 de junho, o que se vê são alienígenas vindos do espaço que atacam o mundo. Qual o motivo de uma mudança de ponto de vista tão radical?

Spielberg
: Eu, provavelmente, me tornei um pouco mais...

Cruise: ...mais atrevido, estou certo?

Spielberg: Sim, há certa verdade nisso. Eu costumava ser o embaixador da boa-vontade entre as civilizações alienígenas e a nossa, e fiz todo o possível para preparar o caminho para um encontro pacífico. Fiquei entediado com isso. Eu cresci assistindo aos filmes de ficção científica dos anos 50 e 60, nos quais óvnis atacam a Terra e as pessoas precisam resistir aos alienígenas com toda a sua força. Então pensei: antes de me aposentar, eu deveria dirigir uma invasão efetiva, hostil, aterrorizante de seres alienígenas vindos do espaço sideral.

Der Spiegel: O seu filme, "Guerra dos Mundos", empresta o seu título de um romance futurista de H.G. Wells, escrito em 1898. No final deste romance, é dito que a Terra "não é mais um lugar protegido e seguro para se viver". O senhor não acha que esta frase descreve exatamente o sentimento que os americanos vêm tendo em relação à vida desde 11 de setembro de 2001?

Cruise
: Ela descreve o sentimento sobre a vida que as pessoas têm no mundo inteiro. Nós vivemos num mundo no qual nós somos capazes de nos comunicar muito rapidamente e de maneiras muito diversas, e mesmo assim nós achamos o ato de nos comunicar mais difícil do que nunca. Isso num momento em que de fato nós precisamos de comunicação mais urgentemente do que nunca, porque os inimigos que nos ameaçam são universais: as drogas, o analfabetismo e o crime. Nós precisamos lutar contra eles juntos. O filme é uma metáfora para esta batalha.

Spielberg: Nós queríamos fazer um filme no qual as pessoas precisam se unir, juntar forças, acima de todas as fronteiras e apesar de todas as suas diferenças, com o objetivo de combater um inimigo que não é de uma natureza humana.

Der Spiegel: Mas o filme está ambientado quase que exclusivamente nos Estados Unidos. Será que ele descreve realmente uma catástrofe global?

Spielberg
: Ele descreve uma catástrofe global de um ponto de vista subjetivo. O espectador toma conhecimento da guerra a partir da perspectiva do personagem de Tom, a partir do ponto de vista de um estivador americano. Mas nós não deixamos nenhuma dúvida quanto ao fato de que a Terra inteira está ameaçada.

Cruise: É claro que os públicos em outras partes do mundo verão o filme como olhos diferentes, porque as pessoas trarão com elas outras maneiras de ver o mundo e convicções políticas diferentes. Mas eu acho que as noções de medo e de ameaça ficarão evidente onde quer que "War of the Worlds" seja exibido.

Der Spiegel: Os senhores não estão com medo de que as pessoas em certos lugares do mundo possam até mesmo aplaudir quando elas virem corpos de americanos jazendo aqui e lá?

Spielberg
: Eu não gostaria de especular a este respeito. Nós não somos responsáveis se as pessoas percebem o filme de maneira diferente por causa da sua ideologia e da sua aversão ao nosso país.

Cruise: Como profissionais do cinema, nós estamos trabalhando especificamente contra esta maneira redutora de encarar a realidade, contra essa paranóia xenófoba que pode conduzir ao ódio por um país inteiro. O que nos preocupa, sobretudo, são os indivíduos e as ações que eles empreendem. Por exemplo, eu acho que as pessoas, em vez de falarem sempre "no governo", deveriam antes falar especificamente de quem atua no governo. É preciso evitar generalizar sempre as coisas. Mas, no que se refere às pessoas que estiverem nos odiando do fundo do seu coração, elas verão exatamente aquilo que elas estão querendo ver no nosso filme.

Der Spiegel: Sr. Spielberg, os seus planos de fazer um filme sobre o tema da "Guerra dos Mundos" remontam ao início dos anos 90. Teria o senhor realizado este filme se os atentados de 11 de setembro de 2001 não tivessem acontecido?

Spielberg
: Provavelmente não. O romance de Wells foi adaptado diversas vezes para o cinema, e, de maneira notável, sempre em épocas de crise internacional: a Segunda Guerra Mundial havia apenas começado quando Orson Welles aterrorizou milhões de americanos com a sua lendária versão, em forma de novela radiofônica da "Guerra dos Mundos". Naquele momento, predominavam nas manchetes dos jornais os relatos da invasão da Polônia e da Hungria por Hitler. Quando a primeira versão filmada estreou nas salas de cinema, em 1953, os americanos estavam muito assustados com um possível ataque nuclear por parte da União Soviética. E a nossa versão também surge num momento em que os americanos se sentem profundamente vulneráveis.

Der Spiegel: O Sr não acha que este filme, na verdade, vai exacerbar este sentimento de vulnerabilidade?

Spielberg
: Ele provavelmente vai exercer este efeito, sim. Mas, por outro lado, é difícil imaginar que nós poderíamos ter uma sensação de vulnerabilidade ainda pior do que aquela que nós já temos atualmente.

Der Spiegel: Será mesmo legítimo por parte de um cineasta não só fazer uso dos temores reais dos espectadores na própria concepção de um filme, como também exacerbar efetivamente esses temores?

Spielberg
: Antes de tudo, você precisa utilizar os seus próprios temores. Quando eu me arrisquei a fazer "Tubarão" (1975), eu tive de enfrentar o meu próprio pavor da água e dos tubarões. E posteriormente, isso provou ser uma excelente receita para o sucesso, com as seqüências sucessivas que o filme teve; porque o que costuma me deixar aterrorizado, normalmente choca também o público.

Cruise: Você tem toda razão. Depois de ter assistido a este filme, muita gente, inclusive pessoas como eu, temia pela própria vida, mesmo dentro de uma banheira.

Der Spiegel: Com o seu "Tubarão", Sr. Spielberg, milhões de pessoas acabaram não achando mais graça alguma em tomar banho de mar. O senhor nunca se sentiu culpado por isso?

Spielberg
: Nem um pouco! Pelo contrário, isso me agradou de maneira quase diabólica. As reações do público foram uma prova para mim de que o filme funcionava e que ele estava mexendo com os medos mais primitivos dos espectadores. A coisa mais importante que um cineasta possa realizar é um filme que funciona num nível muito fundamental. Além disso, eu também aumentei o prazer do banho de mar de muitas pessoas: depois de assistirem ao filme, elas organizaram até mesmo pequenas competições nas praias para ver quem tinha a coragem de nadar o mais longe possível.

Cruise: Até mesmo os meus filhos assobiam o tema do filme quando eles vão para as suas aulas de mergulho. E eles nem sequer assistiram ao filme!

Der Spiegel: Quando o mais poderoso diretor de Hollywood e a sua maior estrela se juntam para rodar um dos filmes mais elaborados de todos os tempos, todo mundo tem a expectativa de que ele será um sucesso de bilheteria. Isso chega a incomodar vocês?

Cruise
: De jeito nenhum.

Spielberg: À noite, nós dormimos profundamente apesar disso. Desde "Tubarão", eu sempre tive de conviver com essa pressão criada pelas expectativas das pessoas. Mas se eu não tivesse sido capaz de lidar com elas, eu nunca poderia ter feito filmes tais como "A Lista de Schindler" (1993), porque eu teria ficado amedrontado demais com a possibilidade de desapontar o meu público. Eu andei alternando as grandes produções que movimentam as massas com pequenos projetos de natureza esotérica e pessoal - sempre mantendo certa variação. Eu gostaria de continuar a dar voltas para cima e para baixo pelos diferentes mundos do cinema, e continuar sempre a desafiar a mim mesmo e ao meu público, de maneira renovada.

Der Spiegel: Não seria uma decepção se "Guerra dos Mundos" obtivesse um resultado nas bilheterias inferior àquele conseguido por "Titanic" (1998), o filme de maior sucesso de todos os tempos até agora?

Spielberg
: Seria uma honra.

Cruise: Nós fizemos "Guerra dos Mundos" por acharmos que era isso que nós tínhamos de fazer. É claro, o que se espera deste filme é que ele possa corresponder ao dinheiro que foi investido na sua produção. Mas nós temos uma influência apenas limitada sobre o sucesso que terá efetivamente "Guerra dos Mundos". Talvez existam certas pessoas na indústria cinematográfica que multiplicam os nossos dois nomes e acham que com isso elas podem calcular as receitas do filme no box-office. Mas nós não estamos nem aí para pessoas como essas.

Spielberg: Eu faço os meus filmes em primeiro lugar para mim mesmo - e, em segundo lugar, para todos aqueles que não são bons em matemática.

Der Spiegel: Nós fomos visitar uma das suas locações perto de Los Angeles, e ficamos espantados ao descobrir uma tenda toda equipada e muito movimentada da organização de Cientologia, bem ao lado das barracas de mantimentos para os jornalistas e os figurantes.

Cruise
: O que os deixou espantados?

Der Spiegel: Por que o senhor repercute para o público de uma forma tão extrema as suas convicções pessoais?

Cruise
: Eu acredito em liberdade de expressão e de opinião. Eu me senti honrado por ter a presença de ministros da Cientologia, que estiveram no set de filmagem por sua própria vontade. Eles estavam prestando ajuda às equipes técnicas. Quando eu estou trabalhando num filme, eu faço todo o possível para ajudar as pessoas que estão envolvidas no projeto. Eu acredito em comunicação.

Der Spiegel: Ainda assim, deparar com a tenda de uma seita, instalada no local de trabalho de um dos seus seguidores, isso nos parece ser uma situação bastante estranha. Sr. Spielberg, a presença dessa tenda não chegou a lhe parecer um pouco insólita?

Spielberg
: Para mim, aquilo nada mais era que uma tenda de informação. Ninguém tinha obrigação de freqüentá-la, mas ela estava à disposição para qualquer um que tenha uma mente aberta e que seja curioso o bastante para querer descobrir um outro sistema de crença.

Cruise: Os ministros voluntários da Cientologia estavam ali para ajudar pessoas doentes e feridas. Isso agradava bastante as pessoas que trabalhavam no set. Eu não tenho absolutamente nada contra o fato de falar das minhas crenças. Mas eu faço muito mais do que isso. Nós vivemos num mundo onde as pessoas estão viciadas em drogas, e o serão para sempre. Onde até mesmo as crianças se drogam. Onde os crimes contra a humanidade são tão extremos que a maioria das pessoas não consegue agüentar. Elas fogem, tomadas pelo horror e o desespero. Estas são as coisas que eu considero como importantes. Para mim, toda pessoa pode acreditar no que ela quiser. Isso não me importa. Não me importa qual seja a sua nacionalidade. Mas se alguém quiser parar com as drogas, eu posso ajudá-lo. Se alguém quiser aprender a ler, eu posso ajudá-lo. Se alguém quiser deixar de ser um criminoso, eu posso fornecer-lhe ferramentas que o ajudarão a melhorar a sua vida. Você não tem a menor idéia de quantas pessoas querem conhecer a Cientologia.

Der Spiegel: O senhor chega a considerar como sendo uma função sua, a de recrutar novos seguidores para a Cientologia?

Cruise
: Eu sou alguém que auxilia. Por exemplo, eu mesmo ajudei centenas de pessoas a pararem com as drogas. Na Cientologia, nós temos o único programa de reabilitação dos dependentes de drogas bem-sucedido do mundo. É chamado de Narconon.

Der Spiegel: Isso é inexato. O seu programa nunca é mencionado entre os programas de desintoxicação reconhecidos. Além disso, ele tem sido denunciado por vários especialistas independentes como sendo um programa embasado em elementos pseudo-científicos.

Cruise
: Você não está entendendo o que eu estou dizendo. Está comprovado, com base em estatísticas, que existe apenas um só programa de reabilitação bem-sucedido contra as drogas no mundo. E ponto.

Der Spiegel: Com todo o respeito, nós temos as nossas dúvidas. Sr. Cruise, o senhor conseguiu aliciar executivos da indústria do filme, por exemplo, dos estúdios Paramount, para fazê-los visitarem o "Centro da Celebridade", mantido pela Igreja da Cientologia em Hollywood. Estaria o senhor tentando ampliar a influência da Cientologia sobre Hollywood?

Cruise
: Eu só quero ajudar as pessoas. Eu quero que todo mundo se dê bem.

Spielberg: Eu também preciso responder com freqüência a perguntas similares em relação à minha fundação Shoa. Perguntam-me por que estou tentando disseminar as minhas crenças profundas - centradas na importância de se fortalecer a tolerância -, por meio do ensino da história do Holocausto que a minha fundação vem realizando nas escolas públicas. Eu acredito que ninguém deveria poder cursar em qualquer universidade sem antes ter tido aulas de educação sobre tolerância. Além do mais, isso deveria ser um item importante do currículo de estudos sociais.

Der Spiegel: Sr. Spielberg, estaria o senhor comparando o trabalho educacional da Fundação Shoa com o que a Cientologia faz?

Spielberg
: Não, não estou fazendo isso. Tom explicou-lhe qual é a sua crença, e então, foi a minha vez de falar sobre as coisas nas quais eu acredito. De forma alguma isto é uma comparação entre a Igreja da Cientologia, a fundação Shoa e o Holocausto. Eu só estava tentando lhe mostrar que aqui em Hollywood, algumas pessoas do nosso meio tomaram a iniciativa de realizar mais coisas, não se limitando a serem apenas atores ou diretores. Uma parte dentre nós realiza missões de natureza muito pessoal. No caso de Tom, é a sua igreja, e, no meu, a Fundação Shoa, por meio da qual eu tento ajudar outras pessoas a aprenderem o que é preciso saber a respeito dos perigos mortais do puro ódio.

Der Spiegel: De que maneira o senhor está realizando isso?

Spielberg
: Eu penso que a única maneira de ensinarmos os jovens a não se matarem uns aos outros é mostrando-lhes os depoimentos dos sobreviventes do Holocausto - os quais podem contar para eles da sua própria maneira até que ponto pode chegar a desumanidade do homem em relação ao próprio homem. O quanto eles eram odiados e o que esse ódio gerava. De que maneira eles foram levados das suas casas. De que maneira as suas famílias foram eliminadas e como, graças a qual milagre, eles mesmos conseguiram sobreviver a tudo isso.

Cruise: De que maneira começou o Holocausto? As pessoas não nascem para serem intolerantes com os outros. As pessoas não nascem fanáticas e racistas. Esses sentimentos lhes são ensinados.

Der Spiegel: Sr. Cruise, deve ser do seu conhecimento que a Igreja da Cientologia tem estado sob vigilância federal na Alemanha. A Cientologia não é considerada como uma religião neste país, e sim como um culto explorador com tendências totalitárias.

Cruise
: Hoje esta vigilância é bem menos severa do que ela era tempos atrás. E você sabe por que? Porque as autoridades dos serviços de inteligência nunca encontraram nada. Porque não havia nada para ser encontrado. Nós ganhamos mais de 50 casos na Justiça, na Alemanha. E não é verdade que todo mundo na Alemanha apóia esta linha de conduta contra nós. Todas as vezes que eu viajo para este país, tenho experiências incríveis. Sempre encontro pessoas muito generosas e extraordinárias. Se uma minoria de alemães optarem pelo ódio - o que posso fazer?

Der Spiegel: Existe uma diferença entre sentir ódio e adotar uma perspectiva crítica.

Cruise
: Para mim, uma tal perspectiva está conectada com a intolerância.

Der Spiegel: No passado, por exemplo, por ocasião da estréia na Alemanha de "Mission: Impossible" (1996), alguns políticos alemães apelaram a população para boicotar os seus filmes. O senhor não tem medo de que o seu apoio à Cientologia possa prejudicar a sua carreira?

Cruise
: De modo algum. Eu sempre fui muito franco e nunca tive nada a esconder. Já faz 20 anos que eu sou um cientologista. Se alguém for tão intolerante a ponto de não querer ver um cientologista num filme, então é melhor ele não entrar numa sala de cinema. Isso não me importa. Aqui, nos Estados Unidos, a Cientologia é uma religião. Se alguns dos políticos do seu país não concordam com isso, mais uma vez eu não estou nem aí.

Der Spiegel: Sr. Spielberg, "Guerra dos Mundos" não seria um filme religioso? Qual é a sua concepção a este respeito? H.G. Wells louvava a sabedoria do Criador por ele ter criado até mesmo a bactéria, porque na sua história, são os micróbios que finalmente conseguem acabar com os alienígenas. A versão para o cinema de 1953 transportou até mesmo a grande cena final para dentro de uma igreja.

Spielberg
: Eu acho que algumas pessoas verão as suas crenças pessoais serem confirmadas, e outras não. Mas, acima de tudo, elas sentirão medo e se esconderão debaixo da poltrona, e elas dirão depois disso que aquilo foi uma grande experiência. Nós dois decidimos deliberadamente não concluir este filme dentro de uma igreja, de uma sinagoga ou uma mesquita.

Cruise: É simplesmente porque a história não tem nada ver com isso.

Der Spiegel: Sr. Cruise, Sr. Spielberg, muito obrigado por esta entrevista. Diretor e ator falam do filme e da cientologia, em dupla entrevista Jean-Yves de Neufville

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