UOL Notícias Internacional
 

05/10/2006

Sons de macaco no estádio

Der Spiegel
Mike Glindmeier
Os constantes insultos racistas de parte dos torcedores de um clube de futebol do leste da Alemanha contra um jogador nigeriano salientaram que o racismo continua sendo um problema nos campeonatos de futebol na Alemanha e em outros lugares da Europa, apesar das novas penalidades anunciadas pela FIFA, o órgão mundial que regulamenta o esporte.

O jogo na última segunda-feira entre dois times da quarta divisão da Alemanha mais uma vez revelou a existência de um racismo latente no futebol alemão e europeu. No segundo tempo, torcedores do Hallesche FC visitante gritaram ruídos de macaco contra o meio-campo nigeriano Adebowale Ogungbure, do FC Sachsen de Leipzig, e seu companheiro de time Rolf-Christel Guie-Mien.

Segundo Uwe Walter, um assessor de segurança do Sachsen, os ruídos vieram da torcida do time visitante depois que Ogungbure cometeu uma falta.

Um funcionário do "Fanprojekt" de Halle, um grupo formado para promover uma cultura de torcida positiva, afirmou que apenas cerca de 50 dos 2 mil torcedores que viajaram a Leipzig fizeram ruídos de macaco.

Este não é um incidente isolado. Em março deste ano, Ogungbure foi alvo de cusparadas e gritos, e chegou a ser atacado por torcedores do mesmo time, o Hallesche , que fizeram barulhos de macaco depois que os dois times empataram num jogo. Ogungbure retaliou levantando dois dedos à boca para imitar o bigode de Hitler e fez a saudação nazista.

Esse gesto é proibido na Alemanha, e promotores abriram uma investigação contra Ogungbure por fazer um "gesto inconstitucional". A investigação foi rapidamente abandonada depois de um grande movimento nacional de apoio ao jogador, que só havia reagido a uma intensa provocação.

O incidente de domingo chamou a atenção da Federação Nacional de Futebol da Alemanha (DFB), cujo presidente, Theo Zwanziger, quis mais informações sobre o que havia acontecido, segundo Christopher Zenker, co-fundador da campanha anti-racismo "We are Ade" depois do incidente de março.

Mas o porta-voz da DFB Harald Stenger disse ao "Spiegel Online" que cabe ao órgão regulador regional decidir se vai multar o clube pelo comportamento de seus torcedores.

Não está claro se o Hallesche será multado. Zenker disse que está mais que na hora de se implementarem as novas regras da FIFA para combater o racismo no esporte. As novas medidas da FIFA pedem a suspensão de jogos, dedução de pontos e desclassificação de competições se as torcidas praticarem atos racistas.

Os torcedores do Hallesche não foram os únicos ofensores nesta temporada. Vaias racistas durante um jogo da primeira divisão entre o Alemannia Aachen e o Borussia Mönchengladbach resultou nas mais altas penalidades impostas pela DFB (50 mil e 19 mil euros, respectivamente).

E o Francine Hansa Rostock foi multado em 20 mil euros depois que torcedores fizeram insultos racistas ao jogador da seleção alemã Gerald Asamoah durante uma partida entre o time B do Hansa e o Schalke 04 em setembro. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    14h00

    0,09
    3,268
    Outras moedas
  • Bovespa

    14h08

    -0,57
    63.719,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host