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18/11/2006

Socialistas indicam sua rainha

Der Spiegel
Kim Rahir
em Paris
Os socialistas da França fizeram história ao nomearem uma mulher como candidata à presidência, Ségolène Royal. Seu provável oponente conservador é o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy.

Ségolène Royal despontou na noite de quinta-feira (16) como a vencedora da indicação do Partido Socialista na França, abrindo o caminho para que concorra à presidência no próximo ano. Se vencer, a ex-ministra do Meio Ambiente será a primeira mulher a ocupar o cargo político mais alto da França.

A apuração oficial deu a Royal 60,6% dos votos, enquanto seus concorrentes, o ex-ministro das Finanças, Dominique Strauss-Kahn, e o ex-primeiro-ministro, Laurent Fabius, receberam 20,8% e 18,5%, respectivamente.

Há um ano, os líderes do Partido Socialista ridicularizavam abertamente as ambições presidenciais de Royal, mas há meses ela é a rainha das pesquisas.

Para a maioria dos observadores, sua indicação por 220 mil membros do partido já era fato consumado - a verdadeira pergunta era simplesmente se a candidata de 53 anos venceria no primeiro turno ou disputaria o segundo turno nas próximas semanas.

Royal é uma reformista centrista do Partido Socialista que por muito tempo era considerada menos popular junto à sua base do que junto à imprensa e ao público em geral. Se este ainda é o caso é questionável: Royal lembrou ao seu partido em propagandas no início da campanha que qualquer um poderia votar desde que se inscrevesse no partido a tempo. Agora, o Partido Socialista, tradicionalmente não muito numeroso, conta com 70 mil novos membros - muitos dos quais ativistas exclusivos para Royal.

"Vaca velha tagarela"

A primeira vítima de Royal, ironicamente, foi seu marido, o líder do partido François Hollande. Ele tinha esperanças de ser o candidato, apesar do seu perfil fraco e relativa falta de força política. O espetáculo incomum de marido e esposa competindo na política foi explorado pelos rivais.

Quando a carreira política de Royal decolou, por exemplo, Laurent Fabius perguntou sobre quem cuidaria dos quatro filhos de Ségolène caso ela se tornasse presidente. Um senador socialista também chamou Royal -que atualmente serve como presidente da região Poitou-Charentes da França- de "vaca velha tagarela". Mas tais ataques mais ajudaram que prejudicaram Royal, pois mostraram que ela não fazia parte da elite política francesa, que os eleitores aprenderam a odiar.

A velha guarda do partido ficou aguardando que ela cometesse um erro decisivo. Quando ela visitou uma escola em um bairro pobre, desolado e tomado pela violência e anunciou que a ordem precisava ser restaurada e que talvez alguns dos jovens de maior risco deveriam ser enviados para programas com treinamento militar, os líderes socialistas esfregaram suas mãos -até dias depois, quando Royal deu outro salto nas pesquisas, mesmo dentro de seu próprio partido.

Quando os jornalistas tentaram apanhá-la com perguntas complexas de política externa, ela respondeu de forma furiosa. Ela argumentou que era interessante que nunca faziam as mesmas perguntas para os demais candidatos -as pessoas tentavam expô-la apenas por ser uma mulher.

Apenas Royal tem chance contra Sarkozy

Para Royal, tudo se resume em derrotar os conservadores na eleição presidencial no próximo ano. Para os franceses, parece que Royal e apenas ela tem chance de vencer o hiperativo ministro do Interior populista e chefe da conservadora UMP (União por um Movimento Popular), Nicolas Sarkozy. Este é o motivo para as pessoas estarem seu unindo em torno de sua bandeira. Jack Lang, o ex-ministro da Cultura que até poucas semanas atrás era um candidato, anunciou seu apoio a Royal. No dia da votação ele disse que votar em Royal era uma questão de "bom senso" e "eficiência". Ele acrescentou: "Este é o primeiro passo no caminho para retomada do poder".

É uma avaliação assustadoramente franca, já que se trata não de questões, mas de encontrar a personalidade certa para enfrentar Sarkozy.

O fenômeno Sarkozy tem muitas semelhanças com o fenômeno Royal. Ele representa uma "ruptura" com tudo que é velho, tradicional e antiquado. Isto agrada aos franceses, que estão cansados da tradição após doze anos sob o presidente Jacques Chirac, quando há abundância de escândalos e casos mas quase nenhuma reforma.

Alguns políticos não entenderam esta nova realidade. Fabius, o rival de Royal, entrou na arena política nos anos 80 como um chefe de Estado quase a favor do livre mercado, mas agora, como um esquerdista resoluto, tenta evocar os bons velhos tempos dos socialistas. O próprio Chirac tenta bloquear recém-chegados que possam querer fazer as coisas de modo diferente. Ele ainda pensa na idéia de um terceiro mandato. "Veja como ele está em forma", disse recentemente sua esposa, Bernadette, para uma multidão.

Mas comparado a Sarkozy, o presidente parece um vovô dócil -e o velho careca e ligeiramente rechonchudo não se sai melhor ao lado de Ségolène Royal. George El Khouri Andolfato

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