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30/11/2006

A influência americana no Oriente Médio

Der Spiegel
Mohammad Ghazal
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está seguindo na quarta-feira para Amã, Jordânia, para um encontro com o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al Maliki. Será que os Estados Unidos mudarão sua estratégia para o Iraque? A "Spiegel Online" conversou com Yasar Qatarneh, diretor do Centro Regional de Prevenção de Conflitos, em Amã, sobre como o problema do Iraque poderia ser resolvido.

Spiegel Online: O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se encontrará com o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al Maliki, em Amã, Jordânia, na quarta e quinta-feira, para conversações urgentes sobre a situação da segurança no Iraque. Mas as coisas não vão bem no Iraque há algum tempo. Por que agora?

Yasar Qatarneh:
Alguns sugerem que este encontro está ocorrendo agora porque Bush já estava deste lado do Atlântico, para o encontro de cúpula da Otan em Riga. Outros dizem que apenas faz parte da revisão pelo governo de sua política para o Iraque e que isto dará a Bush a chance de ouvir as opiniões do governo iraquiano. Eu não acho que nenhum dois são o motivo verdadeiro. O encontro foi provocado pelo convite do Irã ao presidente iraquiano, Jalal Talabani, e ao presidente sírio, Bashar Assad, para visitarem Teerã para conversarem sobre o Iraque.

Spiegel Online: Você quer dizer que é apenas uma visita pro forma para mostrar ao mundo que os Estados Unidos ainda são os protagonistas na região.

Qatarneh:
É claro que Bush está seriamente preocupado com o crescente conflito sectário no Iraque -e o efeito que está tendo sobre a opinião pública americana. Também é verdade que o governo americano está descontente com o governo iraquiano e está começando a considerar o governo de Maliki como incompetente e inepto. Mas a iniciativa iraniana ofuscou Bush. Washington não tem contatos diretos com o Irã, o que significa que o encontro de segunda-feira entre Talabani e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, passou a impressão de que os Estados Unidos estavam sendo colocados de lado até mesmo por seus aliados em Bagdá.

Spiegel Online: O encontro faz parte de uma mudança americana de estratégia na região?

Qatarneh:
Ele não produzirá nada significativo. Eu não espero que o governo anuncie alguma mudança na estratégia antes que veja os resultados da análise do Pentágono das opções americanas no Iraque, assim como as do Grupo de Estudos para o Iraque.

Spiegel Online: A região ficaria melhor com uma retirada completa dos americanos, ou o Oriente Médio precisa de uma forte presença americana?

Qatarneh:
Além da questão de uma maior presença americana versus uma retirada, um novo clima de mudança está se desenvolvendo em Washington após as recentes eleições para o Congresso. Após conquistarem tanto o Senado quanto a Câmara dos Deputados, os democratas têm discutido publicamente a volta de um comitê de supervisão e o início de investigações dos gastos da Defesa. Eles também insinuaram investigações sobre a condução da guerra pelo governo Bush. Tudo isto dificulta uma política de "manutenção do curso" no Iraque. Tendo isto como fundo, eu acredito que o Iraque é um caso para a ONU, com apoio pleno e irrestrito da União Européia. A ONU precisa assumir o comando no Iraque. Tal empreendimento imenso envolveria dar ao Iraque um status semelhante ao de Kosovo. A soberania do Iraque teria que ser colocada temporariamente nas mãos da comunidade internacional.

Spiegel Online: Muitos parecem contentes em depositar 100% da culpa pelo colapso em andamento no Iraque sobre os ombros dos Estados Unidos. Mas os sunitas e xiitas no país certamente não tornaram as coisas mais fáceis. Eles não merecem parte da culpa?

Qatarneh:
O verdadeiro motivo para a violência é que o governo Bush nunca definiu um conjunto realista e praticável de metas militares no Oriente Médio em geral e no Iraque em particular. Sua meta política original - o estabelecimento de um Iraque unido, pró-americano, que assinaria contratos de petróleo favoráveis com os Estados Unidos, que se aliaria a Israel e formaria um trampolim para uma maior pressão americana sobre o Irã e a Síria- provou ser totalmente irrealista. A incapacidade dos neoconservadores em Washington de abrir mão destes objetivos é o maior problema que temos no Iraque e no Oriente Médio. É daí que vem a violência. As ambições imperiais do atual governo precisam acabar.

Spiegel Online: Então, qual é o caminho à frente?

Qatarneh:
Um novo processo de paz supervisionado por árbitros internacionais neutros e garantido pela ONU. A atual elite iraquiana do governo teria um lugar à mesa, mas não poderia permanecer no governo durante as negociações. Seu lugar à frente de ministérios falhos ou semifuncionais seria temporariamente tomado por funcionários públicos internacionais.

Spiegel Online: Mas a principal preocupação dos iraquianos no momento é a segurança. Carros-bomba e execuções ao estilo gangue se tornaram ocorrências diárias. Isto pode ser resolvido pela comunidade internacional?

Qatarneh:
Uma força de paz multilateral não associada à invasão americana e suas conseqüências sangrentas teria que tomar o lugar das forças americanas. Enquanto isso, em troca de um lugar à mesa, os rebeldes teriam que concordar em rejeitar as forças da Al Qaeda no país. Assim que um processo de paz e reconciliação patrocinado pela ONU estiver implementado, as metas dos rebeldes iraquianos, voltados como estão ao controle do Estado iraquiano, seriam facilmente distinguíveis das metas da Al Qaeda, que está travando uma guerra permanente contra o Ocidente, tendo o Iraque como uma atração paralela. Assim que tanto a comunidade internacional quanto a América superarem as profundas divisões causadas pela invasão, o caminho estará aberto para a entrada de mais ajuda e perícia no país.

Spiegel Online: Que papel o Irã tem nisto tudo? Teerã é uma força para estabilização ou desestabilização no Oriente Médio?

Qatarneh:
O Irã se encontra no coração do arco de crises no Oriente Médio. Ele tem laços políticos, culturais e econômicos intricados com o Iraque. Também tem um longo envolvimento com movimentos de oposição que trabalharam com Washington. Também não se pode esquecer sua importância econômica, já que conta com cerca de 11% das reservas de petróleo do mundo. Além disso, como um Estado religioso e o maior país xiita, ele influencia fortemente debates doutrinários mais amplos no Islã. Tudo isto o torna um participante fundamental na estabilidade da região. "A ONU precisa assumir o comando no Iraque" George El Khouri Andolfato

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