UOL Notícias Internacional
 

10/11/2007

Alemanha ainda está dividida, 18 anos após a queda do muro

Der Spiegel
Da redação do Spiegel
Para marcar o aniversário da queda do Muro de Berlim, o Spiegel fez uma pesquisa de opinião com 1.000 alemães que cresceram nos dois lados da cortina de ferro. A conclusão perturbadora é que, 18 anos após a queda do muro, a Alemanha continua tão dividida quanto jamais foi.

A sexta-feira (09/11) marca a queda do Muro de Berlim. Também neste dia, as crianças nascidas no dia 9 de novembro de 1989 se tornaram legalmente adultas -a primeira geração que cresceu no país após o colapso da Alemanha Oriental comunista e sua reunificação com a Alemanha Ocidental.

Junto com a TNS Forschung, o Spiegel recentemente conduziu uma pesquisa com duas gerações de alemães orientais e ocidentais, para obter um retrato do progresso sobre a extensão da unificação na psique nacional. O muro proverbial ainda permanece nas mentes alemãs, quase duas décadas após a reunificação?

Quinhentas pessoas entrevistadas eram da faixa etária de 14 a 24 anos. Quando o muro caiu, os mais velhos deste grupo tinham apenas seis anos de idade -jovens demais para terem uma noção séria do que era a vida em um país dividido pela Guerra Fria.

Além disso, o Spiegel entrevistou 500 representantes dos pais da juventude pós-reunificação. Isso permitiu ao Spiegel determinar as diferenças entre as gerações mais jovens e mais velhas na sua forma de pensar a reunificação. Os resultados mostram que, mesmo após 18 anos da queda do muro, ainda não há uma Alemanha verdadeiramente unificada.

Os alemães orientais estão menos satisfeitos e menos otimistas com sua situação do que os que vivem nos Estados que compunham a antiga Alemanha Ocidental. Eles estão muito menos convencidos das virtudes da democracia do que seus colegas ocidentais, e muitos acreditam que o socialismo é uma boa idéia que simplesmente não foi bem implementada no passado.

De fato, as maiores diferenças na pesquisa aparecem quando os entrevistados orientais e ocidentais compartilham suas opiniões sobre a vida na antiga Alemanha Oriental. O Estado comunista recebe notas muito mais altas dos que moram no Leste do que dos que moram no Oeste. Dos alemães orientais de 35 a 50 anos, 92% acreditam que um dos maiores atributos da antiga Alemanha Oriental foi sua rede de segurança social; 47% dos jovens no Leste também pensam assim. Por outro lado, apenas 26% dos jovens ocidentais e 48% dos seus pais expressaram a opinião que a Alemanha Oriental tinha um sistema mais forte de bem estar social comparado com hoje.

Apesar da aparente nostalgia por certos aspectos da Alemanha Oriental, a maior parte dos alemães orientais diz que preferiria morar no oeste, se um novo Muro de Berlim fosse construído hoje.

Há um toque de otimismo nos resultados: apesar de importantes divergências nas opiniões entre os alemães orientais e ocidentais mais velhos, essas diferenças parecem estar encolhendo com a geração mais jovem. Lentamente, o país parece estar se unindo.

Quanto tempo, entretanto, levará para essa união se completar? Isso, é claro, depende de quem responde. Não levará mais do que cinco outros anos, responderam 25% dos jovens alemães ocidentais e 5% dos orientais. Quando o mesmo foi perguntado aos pais, somente 12% e 4%, respectivamente, concordaram.

Parte do problema é a identidade. O estudo revelou que 67% dos alemães orientais e ocidentais sentiam que tinham identidades diferentes um do outro. Quando a geração de seus pais foi perguntada a mesma pergunta, 82% disseram que os alemães orientais eram diferentes dos ocidentais. As diferenças entre os jovens alemães, porém, não são mais tão dramáticas quanto eram na geração dos pais.

Muitos alemães orientais mais jovens vêem o país reunido como um lugar onde seus pais têm dificuldades para encontrar um caminho. E apesar de eles praticamente não terem vivenciado a vida sob o socialismo, sua forma de pensar parece ter sido moldada em parte pelas situações dos pais e as histórias que compartilharam com eles sobre a vida na Alemanha Oriental.

De fato, os jovens alemães orientais vêem a antiga Alemanha Oriental sob uma luz mais amena do que seus compatriotas no Oeste. Em algumas áreas, eles têm mais alta opinião sobre o país desaparecido que seus pais -como no que diz respeito ao padrão de vida na Alemanha Oriental. É uma opinião de lentes cor de rosa, que vê uma Alemanha Oriental com emprego para todos, creches para todas as crianças e um sistema de bem estar social que acompanhava o cidadão do berço ao túmulo. É claro, essa geração não foi exposta aos aspectos negativos da vida sob o domínio comunista -como filas de comida e repressão da polícia.

Ainda assim, os sentimentos positivos para certos aspectos da antiga Alemanha Oriental continuam altos. Dos jovens alemães orientais entrevistados, 60% disseram que achavam que era ruim que nada tivesse restado das coisas que se podia orgulhar na Alemanha Oriental.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    2,22
    5,107
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -5,51
    73.428,78
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host