UOL Notícias Internacional
 

01/12/2007

A agenda de Bali

Der Spiegel
Patrick McGroarty
Em Berlim
Cronograma
A Conferência de Mudança Climática de Bali ocorrerá de 3 a 14 de dezembro na ilha de Bali, na Indonésia. A tarefa mais urgente para os delegados será estabelecer um cronograma para redigir um novo tratado. O protocolo de Kyoto, que foi redigido em 1997 e entrou em vigor em 2005, expira em 2012. O objetivo é criar um tratado sucessor até 2009, o que segundo as autoridades da ONU dará tempo suficiente para ser ratificado pelas nações em torno do mundo e entrar em vigor em 2012.

Mitigação
"Mitigação é uma palavra rebuscada para 'reduzir emissões'", disse Yvo de Boer, secretário executivo da Convenção de Mudança Climática da ONU. "Estamos falando sobre o que os países ricos podem fazer para de fato reduzir as emissões em 20 a 30%". Um importante foco do novo tratado será um compromisso das nações mais ricas do mundo de reduzirem suas emissões de gases de efeito estufa até 30% abaixo dos níveis de 1990. Líderes europeus disseram nesta semana que também pretendem que o novo contrato cubra as economias emergentes do Brasil, China e Índia. As emissões nesses países estão crescendo rapidamente, mas cada um foi isento de se comprometer no protocolo de Kyoto porque suas economias ainda estão em fase de desenvolvimento.
AQUECIMENTO GLOBAL
Claro Cortes IV - Reuters
 
CORRENDO CONTRA O TEMPO


Adaptação
Adaptação significa ajudar os países pobres e subdesenvolvidos a se prepararem para o impacto da mudança climática já a caminho devido às emissões prévias.

Estudos recentes, particularmente o relatório do IPCC divulgado em abril, mostram que as emissões de gases de efeito estufa vão aumentar a temperatura média na Terra o suficiente para causar o aumento dos níveis dos oceanos, mudança nos padrões climáticos, falta de água e tempestades tropicais mais freqüentes. Os métodos de adaptação implementados por um novo tratado talvez incluam programas de educação para ajudar os agricultores e pescadores a se adaptarem à mudança do clima, projetos estruturais como comportas, pontes e estradas e políticas públicas para administração de desastres e conservação ambiental.

Tecnologia
Outro fator sob discussão para inclusão no novo tratado será a tecnologia - o compartilhamento dos esforços entre economias avançadas e as nações mais pobres. Por exemplo, sistemas de computador e equipamentos de monitoração científica desenvolvidos em nações ricas talvez sejam empregados em regiões mais pobres para monitorar os impactos na mudança climática e ajudar a administração dos recursos naturais. Tal equipamento também deve ajudar a monitorar os índices de emissões de gases de efeito estufa em países com uma história mais curta em avaliar suas emissões.

Desmatamento
Um estudo divulgado em agosto determinou que, como as florestas não foram incluídas em esquemas internacionais de redução de emissões, havia pouco incentivo para os líderes de nações subdesenvolvidas protegerem suas grandes florestas tropicais. Estas absorvem uma enorme quantidade de carbono e sua destruição, por derrubadas, desenvolvimento e queimadas para plantios, geram de 20 a 25% das emissões de carbono anual do mundo.

"Agora está ficando cada vez mais claro que o papel do desmatamento é enorme. Então, (...) por que não protegermos essas florestas?", disse Russell Mittermeier, presidente da Conservação Internacional e co-autor do estudo.

Uma solução pode ser nações ricas investirem na preservação das florestas de países mais pobre, seja pela ajuda direta ou para ganhar créditos em um esquema internacional de troca de carbono.

Troca de carbono
Para cumprir seus compromissos de redução de emissões do Protocolo de Kyoto, os Estados membros da União Européia optaram por alcançar um objetivo coletivo e trocar quotas de emissão entre eles em um mercado aberto. O sistema que criaram é chamado de Esquema de Negociação de Emissões (ETS). Créditos de Redução de Emissão Certificada (CER) são comprados e vendidos entre emissores de gases de efeito estufa em um mercado aberto. Cada crédito equivale a uma tonelada de carbono. De acordo com a UNFCC, o Protocolo de Kyoto levou a um volume de negociação de emissões de US$ 30 bilhões em 2006, na maior parte no ETS da União Européia.

A Organização das Nações Unidas está estimulando a expansão desse modelo para o mercado internacional. Se fosse adotado como na Europa, um mercado internacional de troca entre nações ricas e pobres poderia negociar até US$ 100 bilhões por ano, disse Yvo de Boer, secretário executivo da UNFCC.

"Isso ofereceria aos países ricos a escolha de reduzir emissões em casa ou implementar um projeto em países em desenvolvimento", disse Boer. "Freqüentemente, reduzir emissões em países em desenvolvimento é muito mais barato."

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