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06/12/2007

A queda do dólar - parte 7: o fator China

Der Spiegel
Um papel fundamental cabe agora à China. Ironicamente, este Estado
(oficialmente) comunista conta atualmente com o poder para determinar se o bastião do capitalismo implodirá. Se a China descarregasse no mercado apenas uma porção das reservas em dólar que acumulou nos últimos anos, as transações cambiais com a moeda norte-americana entrariam em colapso.

Mas se fizesse tal coisa a China infligiria um grande dano a si própria. As suas reservas remanescentes quase não teriam valor, e quem seria capaz de pagar pelas grandes quantidades de bens de consumo que as fábricas chinesas despejam diariamente no mundo? Ambos os lados, os norte-americanos e os chineses, beneficiam-se do sistema atual, que proporciona aos Estados Unidos bens de consumo baratos e à China dólares em abundância.

No entanto, esse mecanismo parece estar atingindo os seus limites.
Reconhecendo isso, os políticos ocidentais vêm pedindo há anos aos líderes chineses que abandonem a desvalorização artificial da sua moeda, mas sem sucesso. Com a exceção de uns poucos ajustes de menor importância, até agora nada aconteceu.
DÓLAR EM QUEDA LIVRE
O mercado não confia mais na vitalidade da economia norte-americana. Políticos observam impotentes. E uma continuidade da crise do dólar resultará em maior inflação, redução dos gastos dos consumidores e menores índices de crescimento nos Estados Unidos e em conseqüências ainda mais sérias para a economia global.

Acompanhe no UOL o especial da Spiegel Online em 7 partes:

PARTE 1: PROBLEMA MUNDIAL
PARTE 2: 'AMO UM EURO FORTE'
PARTE 3: UMA ERA PÓS-DÓLAR
PARTE 4: INDÚSTRIA PERDIDA
PARTE 5: ALIMENTO PARA CRISE
PARTE 6: DESACELERAÇÃO
PARTE 7: FATOR CHINA


Jean-Claude Juncker, diretor do grupo Euro, formado pelos ministros das Finanças da zona do euro, viajou a Pequim nesta semana para rogar mais uma vez aos chineses que reajustem o yuan. A chanceler alemã Angela Merkel disse em uma entrevista na semana passada na estação de televisão N24: "Estamos trabalhando internacionalmente no sentido de obter um equilíbrio razoável entre as moedas".

Mas o trabalho ao qual ela se referiu consiste de pouco mais do que visitas e apelos, porque o que está faltando é um conjunto de instrumentos adequados para garantir que as ações sigam-se às palavras. Porém, acima de tudo, existem sérias dúvidas de que os norte-americanos estejam interessados em um dólar forte.

Autoridades graduadas do Ministério das Finanças da Alemanha suspeitam fortemente que a política dos Estados Unidos - conforme ocorreu nas décadas de 1960 e 1970 - seja sistematicamente orientada para a redução do valor da moeda por meio de uma inflação maior, reduzindo desta maneira a dívida do país para com os chineses e outras nações asiáticas. Segundo um funcionário de alto escalão do Ministério das Finanças, taxas de câmbio de US$ 2 por euro são possíveis no médio prazo, mesmo que, conforme acreditam alguns, haja uma correção de curto prazo no ano que vem.

"Sob a perspectiva dos Estados Unidos, há pouca pressão para se fazer algo em relação ao dólar fraco", afirma Michael Heise, o principal economista da Allianz, a gigante alemã do setor de seguros. "A pressão sobre o governo e o Federal Reserve só aumentará se houver uma verdadeira crise de confiança na moeda e como resultado o fluxo de capital começar a diminuir". Mas este é um risco que Heise não vê se materializar, pelo menos por ora.

Como os norte-americanos aparentemente não estão dispostos a tomar qualquer medida em relação ao dólar fraco, existe um apoio crescente para que os europeus adotem uma abordagem mais ativa e fortaleçam a moeda norte-americana, comprando dólares e vendendo euros nos mercados de câmbio. "O Banco Central Europeu (ECB na sigla em inglês) precisa deixar claro que não aceitará a elevação constante do euro e que poderá até intervir", diz Gustav Adolf Horn, do Instituto de Política Macroeconômica, em Düsseldorf, um grupo vinculado aos sindicatos alemães.

No entanto, intervenções no mercado de moeda estrangeira geralmente só são efetivas se todos os bancos centrais cooperarem, conforme aconteceu sete anos atrás. Os corretores de títulos e valores só se impressionam quando percebem que todos os grandes protagonistas juntam forças. Se isso ocorresse, eles não teriam mais confiança para apostar em um dólar em queda. Historicamente, aqueles que especularam contra a força conjunta dos bancos centrais raramente terminaram como vencedores.
Mas os bancos centrais e os seus governos estão longe da unanimidade necessária. Os norte-americanos, mais do que todos, não seguirão essa linha.

Além disso, há desacordos quanto à possibilidade de as intervenções serem até mesmo efetivas na atual situação. Joachim Poss, o vice-diretor do grupo de social-democratas no parlamento alemão, acredita que "uma tentativa de fortalecer o dólar poderia se dissipar de forma muito rápida".

O motivo para isso é que existe um número suficiente de países que estão simplesmente aguardando a oportunidade certa para transferir pelo menos parte das suas reservas em dólares para euros. Se o ECB intervier contra o dólar, haverá uma grande tentação nesses países no sentido de tirar vantagem dos preços mais elevados do dólar a fim de comprar euros.

"Dessa forma, dólares adicionais voltariam a entrar nos mercados, o que eliminaria total ou parcialmente a estabilização pretendida", argumenta Poss.

O ECB raramente se viu tão impotente quanto nos dias atuais. Ele nada pode fazer em relação ao dólar anêmico, e tampouco é capaz de cumprir a sua verdadeira tarefa de proteger o valor intrínseco do euro. A inflação na Europa subiu para acima da meta de 2% já faz algum tempo, o que deveria ter feito com que o ECB elevasse as taxas de juros. Mas isso tornaria o euro ainda mais caro em relação ao dólar - causando ainda mais danos à economia.

Por este motivo, muitos economistas temem que o ECB nada possa fazer, a não ser seguir o exemplo do Fed e continuar reduzindo as taxas de juros. Mas esse tipo de política monetária tem o seu preço: o aumento da inflação.

Isso deixa políticos e banqueiros centrais com poucas opções a não ser adotar uma abordagem impotente de esperar para ver o que acontece - e torcer para que o resultado final não seja tão negativo quanto muitos temem.

Klaus-Peter Müller, o presidente do Commerzbank da Alemanha, também espera que as coisas acabem se mostrando melhores do que têm sido antecipado. Ele acha que o euro flutuará entre US$ 1,50 e US$ 1,60 nos próximos 12 meses, mas acrescenta que isso "não é um quadro muito otimista".

Mas diversos observadores vêem essa possibilidade sob uma ótica inteiramente diferente. Eles chamam tal cenário de altamente otimista. UOL

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