UOL Notícias Internacional
 

22/08/2008

Influência dos Kennedy cresce com ascensão de Obama - parte 2

Der Spiegel
Marc Hujer
Continuação da parte 1

Carente do brilho de seus irmãos
Quando Obama seguir para a convenção de indicação de seu partido em Denver, no final de agosto, Ted Kennedy não estará ausente. Ele dificilmente estará lá em pessoa -ele está doente demais para isso- mas aparecerá em uma tela, parecendo grandioso. Ele já está trabalhando em um vídeo de cinco minutos, que poderá se tornar uma espécie de legado, talvez até um discurso de adeus à nação.

Não foi uma herança fácil a que Ted Kennedy e os democratas aceitaram há 40 anos. Após a morte de seu irmão Robert em 1968, Ted era o Kennedy na posição mais elevada. Ele sempre teve muitos amigos entre os democratas e republicanos, mais que a maioria de seus colegas, mas carecia do brilho de seus irmãos. Ele envelheceu em uma família que personificava a juventude.

Por muitos anos, as coisas não transcorreram bem para os Kennedy. Os irmãos de Ted deram às pessoas esperança de que poderiam melhorar o mundo, mas os assassinatos de ambos os Kennedy, e o de Martin Luther King, mergulharam a nação, quatro décadas atrás, em dúvida e em uma longa luta consigo mesma. Não era mais um tempo para o qual os Kennedy eram apropriados.

Mike Theiler/Reuters 
Barack Obama abraça o senador Edward Kennedy após receber apoio à sua candidatura

Outras famílias ganharam influência, acima de tudo os Bush e Clinton. Dos 40 anos que se passaram desde o assassinato de Robert Kennedy, eles serviram, alternadamente, 28 anos na Casa Branca. George H.W. Bush passou 12 anos lá, primeiro como vice-presidente de Ronald Reagan e depois como presidente. Ele foi seguido por Bill Clinton, que serviu por oito anos, e então por George W. Bush, por outros oito anos. Se Hillary Clinton tivesse vencido as primárias contra Barack Obama, o país poderia ter visto uma Clinton no governo por mais oito anos. Em comparação, os Kennedy estiveram na Casa Branca por apenas três anos, e entre os sobrinhos e sobrinhas de JFK não há ninguém com chance de ser eleito presidente.

Todavia, muitos deles concorreram por cargos políticos, apesar de freqüentemente sem sucesso. Matthew Maxwell Kennedy e Mark Shriver concorreram ao Congresso, mas foram tão malsucedidos quanto Christopher Kennedy em sua candidatura a vice-governador de Illinois. Alguns conseguiram entrar na política, como Kathleen Kennedy Townsend, que se tornou vice-governadora de Maryland, e Joseph Patrick Kennedy II, que ainda representa Massachusetts na Câmara dos Deputados. Mas sempre que se interessaram por cargos políticos mais altos, eles fracassaram. A família parecia perturbada. O grande nome tinha se tornado um fardo. O "Boston Globe", o jornal doméstico da família, por fim escreveu: "O país está cansado dos Kennedy".

Praticamente nenhum dos Kennedy sobreviventes levou uma vida normal. Drogas, álcool e sexo se tornaram lapsos diários da geração seguinte. Dos 16 herdeiros do sexo masculino que restaram após os assassinatos de John F. e Robert Kennedy, pelo menos sete tiveram problemas com drogas ou álcool, dois foram acusados de estupro e três tiveram mortes violentas, em parte como resultado de suas crises pessoais.

VIOLÊNCIA NO BEIRA RIO
Damon Winter/The New York Times
Caroline Kennedy e Edward Kennedy participam de campanha de Obama em Washington
PARTE 1
PARTE 2
Mas Bobby Shriver está sentando em seu escritório na Arizona Avenue, a 10 quadras da praia, em uma casa de sítio atraente, de tijolos vermelhos, no centro de Santa Monica. Ele também já teve suas crises pessoais e também já foi pego com drogas, mas agora Shriver -o filho mais velho da irmã de JFK, Eunice Kennedy Shriver -é um dos Kennedy mais bem-sucedidos de sua geração. Ele é um dos poucos Kennedy que ganhou seus próprios milhões, como um banqueiro de investimento trabalhando com James Wolfensohn, que posteriormente se tornou chefe do Banco Mundial.

De seu escritório em Santa Monica, Shriver agora arrecada dinheiro para a África. Ele administra o selo de filantropia Product Red. Muitas empresas participam do programa, incluindo Armani, Converse, Gap e American Express. As empresas vendem produtos vermelhos -relógios vermelhos, camisetas vermelhas, calçados vermelhos, cartões de crédito vermelhos- com a palavra RED escrita neles. Metade do lucro com as vendas destes produtos é destinado ao Fundo Global para Combate à Aids, Tuberculose e Malária. Mais de US$ 100 milhões já foram arrecadados desde 2006. "Nós somos como o Comitê Olímpico", diz Shriver. "As pessoas podem usar nosso logotipo, mas nós decidimos o que funciona e o que não."

Foi idéia de Bono. O astro do rock do U2 queria forçar os países industrializados a perdoarem as dívidas dos países mais pobres da África, e Bono achou que se pudesse obter o apoio dos Kennedy para seu projeto, ele também poderia convencer o público americano. "Então Bono telefonou para minha mãe", diz Shriver. "Ele perguntou a ela se Ted poderia ajudá-lo, mas minha mãe disse que não, que não era coisa para o Teddy, para que ele pedisse ao Bobby. Então Bono me telefonou e eu disse ok, vou analisar a idéia."

Uma juventude darwinista, cruel
Os Kennedy sentem sua oportunidade. Bobby e o restante de seu clã, uma família grande e autoconfiante, anseiam por cargos políticos. Há muitos rumores sobre as perspectivas deles, incluindo a de Maria Shriver, a filha de Eunice Kennedy e esposa de Arnold Schwarzenegger, assumir a cadeira de Ted Kennedy no Senado, Bobby Kennedy Jr. finalmente se tornar secretário do Interior, e Caroline Kennedy, que está ajudando Obama a procurar por um candidato a vice-presidente, ser ela própria a indicada. Obama também poderia trazer Schwarzenegger, o governador da Califórnia e o único republicano no clã Kennedy, como seu czar de energia.

As expectativas elevadas que freqüentemente levaram ao fracasso de muitos Kennedy também ajudaram os sobreviventes a promover um retorno. Mesmo em tempos difíceis, eles nunca foram preguiçosos, e sua disputa interna consistentemente os impulsiona a novas realizações. "Eu sempre senti que tinha que lutar para não ficar para trás", diz Bobby Shriver. "Derrotar outras pessoas no esporte não contava. Era preciso derrotar um irmão ou primo de sua idade. Eu sou melhor tenista que Bobby Kennedy? Ok, isso é ótimo. Então posso relaxar."

A mãe de Shriver tinha altas expectativas em relação a ele quando criança, mesmo nos seus horários de descanso. "Quando voltávamos para casa da escola, ele dizia, ok, vamos correr daqui até o mastro", diz Shriver. "Qualquer mãe normal deixaria seu filho vencer, mas minha mãe corria e vencia a corrida."

Foi uma juventude darwinista, cruel, muito distante da juventude de Barack Obama. Obama cresceu no Havaí, longe dos tumultos de raça, da confusão em torno dos Kennedy assassinados, que dividiram os Estados Unidos. Nada disso importava para ele, vivendo em uma ilha onde parecia para ele "que a natureza, cansada da guerra e agressão, tinha colocado aquelas rochas verdes no oceano para que pudessem ser colonizadas por pioneiros de todo o mundo e seus filhos bronzeados".

Os Kennedy escreveram a história ao colocar um de seus próprios no Escritório Oval. E Obama supostamente deve ser o herdeiro deles? Barack Obama, cuja carreira na política nacional começou há apenas quatro anos? Sua fama devida a um único discurso, feito na Convenção Democrata em julho de 2004. Foi sem dúvida um grande discurso. Mas discursos bastam?

Quando Obama embarcou em sua celebrada turnê européia, seu adversário, John McCain, o comparou a celebridades de tablóide como Britney Spears e Paris Hilton. Obama, disse McCain, "perderia uma guerra para não perder uma eleição". Nas propagandas de campanha de McCain, Obama foi descrito como um superastro, e os membros da equipe de McCain se referem a ele sarcasticamente como "O Escolhido", altivo, narcisista e arrogante. "Apenas celebridades como Barack Obama vão à academia de ginástica três vezes ao dia, exigem 'barras de proteína MET-RX de chocolate e amendoim e... se preocupam com o preço da rúcula'".

"Nós ficamos calejados", diz Bobby Shriver. "E para o 'mundo não calejado' externo, isto às vezes é difícil de entender."

O telefone toca. Seus principais conselheiros estão na linha: um prefeito, uma autoridade local eleita e um especialista em negócios. Shriver, um membro do câmara municipal de Santa Monica, fala sobre as novas leis de fumo e sobre os indigentes na praia de Santa Monica. E então um deles diz para ele: "Ei, Bobby, sua prima Caroline está escolhendo o próximo vice-presidente dos Estados Unidos. Isso significa que tudo vai melhorar?"

Bobby Shriver passa a mão no cabelo, da forma como sempre faz quando se sente bem a respeito de algo que está fazendo. Ele é novamente um líder, o líder que já foi quando os Shrivers e os Kennedy competiam no futebol e no tênis, acreditando que eram seus próprios melhores desafiantes.

"Naturalmente", diz Bobby Shriver, "eu telefonei para Caroline e lhe disse que ela precisa pensar cuidadosamente em quem escolherá para vice-presidente. E também lhe disse: antes de perguntar ao meu irmão menor, é a minha vez". George El Khouri Andolfato

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