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24/08/2008

Porque os dinamarqueses são o povo mais feliz do mundo

Der Spiegel
Por Matt Mabe
Há três anos, se você perguntasse a uma pessoa na Dinamarca o segredo da felicidade, você provavelmente receberia de volta um olhar intrigado. A mesma questão hoje, todavia, seria provavelmente respondida por um riso conhecedor e uma entre várias explicações.

É preciso se acostumar com o fato de reconhecido como o povo mais feliz do mundo.

Desde 2006, A Dinamarca, um país homogêneo de 5 milhões de pessoas na tempestuosa costa norte da Europa, foi agraciada com o título de lugar mais feliz da terra por duas pesquisas diferentes.

As descobertas dos estudos invalidaram a percepção internacional de longa data de que a Dinamarca era um estranho e frio exportador de laticínios com uma grande taxa de suicídio, transformando o país em um modelo de harmonia social que está prosperando na era da globalização.

A nova e improvável reputação do país —e a significativa atenção da mídia que isso engendrou— pode ter proporcionado um efeito ainda mais profundo nos próprios dinamarqueses ao desencadear um debate nacional sobre como eles vivem suas vidas.

"Isso nos deu uma chance para refletir sobre como somos um país realmente equilibrado", diz Dorte Kiilerich, diretora administrativa do Visite a Dinamarca, a organização oficial de turismo do país.

No início de 2006, a Dinamarca era a mesma de tempos atrás: um país tranqüilo, estável, mais conhecido por ser o berço de Hans Christian Andersen, dos Jardins Tivoli, e cenário do Hamlet de Shakespeare, do que por ser um epicentro de felicidade.

O turismo estava em queda há uma década, e havia uma controvérsia internacional contra o país por causa de uma série de charges sobre o profeta Mohammed, publicadas por um jornal dinamarquês meses antes.

Rede de segurança social

Então em julho daquele ano, um pesquisador da Universidade de Leicester, na Inglaterra, divulgou um ranking dos países mais felizes do mundo depois de analisar dados de diversas fontes. O relatório concluía que os fatores econômicos relacionados com o sistema de saúde, padrões de vida e acesso à educação básica eram características determinantes da atitude geral dos países.

A Dinamarca, com seus sistema de saúde gratuito, um dos PIBs per capita mais altos do mundo, e escolas de qualidade, veio em primeiro lugar.

As notícias se espalharam rapidamente. Niels Martiny, estudante de antropologia social de 26 anos de idade na Universidade de Aarhus na segunda maior cidade da Dinamarca passou o ano passado no Peru fazendo pesquisa. Mesmo lá, as notícias sobre a pesquisa haviam chegado. "Eles estavam bastante surpresos", diz Martiny rindo. "Eles tinham uma idéia a respeito do povo nórdico ser muito reservado e sério."

Os estrangeiros não foram os únicos a coçar a cabeça com os resultados. Os dinamarqueses ficaram igualmente confusos. "Muitos amigos meus ficaram surpresos", diz Martiny, que considera a si mesmo bastante feliz com sua própria vida, mas achou que o estudo pode ter cometido alguns erros. Os dinamarqueses, diz ele, tendem a não expressar suas emoções como pessoas de outras culturas fazem.

Atingindo o equilíbrio correto

Mas os resultados não foram apenas sorte. No começo desse verão, o instituto de Pesquisa de Valores Mundiais, em Estocolmo, que usa uma metodologia bem diferente, também descobriu que os dinamarqueses são as pessoas mais contentes do mundo.

O estudo concluiu que os parâmetros mais seguros para medir o bem-estar de um país são a liberdade de escolha sobre como levar a vida, o encorajamento à igualdade de gêneros, e a tolerância às minorias. Novamente, em todos os aspectos, a Dinamarca levou o primeiro prêmio.

O que a Dinamarca tem que nós não conseguimos compreender?

Atingir o equilíbrio certo é provavelmente o que mais destaca o país, sugere Kiilerich, do Visite a Dinamarca. A felicidade na maior parte das sociedades nórdicas, que ficaram em boa colocação nas listas dos países mais felizes em ambos os estudos, é conseqüência de uma combinação inefável de força econômica e programas sociais.

O modelo da Dinamarca se baseia em impostos altos e numa agressiva redistribuição de riqueza —uma maldição para muitos americanos defensores do mercado-livre— que resulta numa ampla variedade de serviços sociais como a saúde, aposentadorias, e escolas públicas de qualidade.

E mesmo assim, o país conseguiu fazer com que esse modelo funcionasse sem impedir o crescimento econômico ou os incentivos para crescer. "A Dinamarca tem uma cabeça e um coração", diz Kiilerich.

As fortes redes de segurança social que sustentam os cidadãos dinamarqueses do nascimento até a morte também são abertas para os estrangeiros. Kate Vial, uma americana de 55 anos que morou e trabalhou na Dinamarca por mais de 30 anos, desistiu de várias oportunidades para voltar aos EUA ao longo dos anos, preferindo criar seus três filhos na Dinamarca.

Vial sabe que nunca será rica, mas disse que valoriza a família, a possibilidade de viajar, e a simples segurança econômica acima de tudo. "Eu basicamente escolhi um estilo de vida mais simples, em que eu posso ir a todo lugar de bicicleta e onde não tenho que ganhar muito dinheiro para sobreviver", diz.

Algumas pessoas atribuem a atitude que prevalece entre os dinamarqueses como algo menos tangível, chamado de hygge (pronuncia-se "ruga"). Os dinamarqueses dizem que é uma palavra difícil de traduzir —e de compreender— mas é descrita como um sentimento acolhedor, de convívio, que envolve fortes laços familiares.

"A essência disso é que você não precisa fazer nada além de entregar-se", diz Vial. "É uma combinação de relaxar, comer, beber, celebrar, passar tempo com a família."

Quaisquer que sejam os motivos para a felicidade aparente da Dinamarca, os dois estudos indicam claramente que o país deve estar fazendo algo certo. Força econômica e sistema de apoio social à parte, Kiilerich diz que há algo no sangue do país que os outros países escandinavos não têm. "Nossos vizinhos nos adoram por causa disso, mas eles simplesmente não conseguem entender", diz. Eloise De Vylder

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