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15/11/2008

Críticos acusam a Ryanair de sexismo em calendário de caridade

Der Spiegel
Da redação da Der Spiegel
Treze comissárias de bordo de uma companhia aérea européia de baixo custo se despiram para o calendário anual de caridade da empresa, mas grupos feministas dizem que a Ryanair desta vez foi longe demais e que está perpetuando o estereótipo sexista em torno das aeromoças.

As candidatas, pelo menos, não parecem ter muito problema com isso. Mais de 700 funcionárias da companhia aérea se candidataram para fazer parte do calendário "Garotas da Ryanair" de 2009. Além disso, era por uma boa causa - pelo menos 100 mil euros da receita do calendário, vendido pela tripulação por 10 euros, serão doados para a Simon Community, uma organização de ajuda aos sem-teto em Dublin.

Mas o calendário, que exibe as comissárias de bordo seminuas posando diante de turbinas, bombas de combustível e kits de ferramentas, faz muitos gritarem "sexismo". O Instituto para as Mulheres na Espanha, um organização de direitos da mulher com sede no país onde o calendário foi fotografado, se queixou junto às autoridades irlandesas e européias pelo que descreveu como retratos sexistas de mulheres. Também está buscando tomar medidas legais contra a companhia aérea.

"É significativo que apenas mulheres sejam usadas, em um setor onde há um percentual considerável de homens", disse o grupo em uma declaração citada pelo jornal "Daily Mail" do Reino Unido. A porta-voz Maria Jesus Ortiz disse que as imagens apresentam as mulheres como "objetos sexuais". "Nós não estamos falando sobre moralidade ou nudez aqui, simplesmente sobre como as mulheres são retratadas", ela disse.

O calendário de caridade produzido pela Ryanair em 2008 também provocou revolta. O grupo de direitos do consumidor FACUA acusou a Ryanair de perpetuar estereótipos sobre as comissárias de bordo, que as mulheres da profissão combatem há anos.

Esta não é a primeira vez que a companhia aérea recebe críticas nas últimas semanas. Na Suécia, a companhia foi repreendida pela autoridade reguladora de propaganda do país, em outubro, por veicular um anúncio com uma jovem de minissaia e a chamada, "os preços escolares mais gostosos" para seus vôos de baixo custo.

Defendendo o 'direito das garotas de tirar suas roupas'
Segundo o "Daily Telegraph", a Ryanair disse que enviará cópias gratuitas do calendário para a FACUA e para Brigitta Ohlsson, uma parlamentar sueca que foi uma crítica da propaganda anterior.

Segundo o jornal, a companhia aérea reagiu à bagunça declarando: "A Ryanair continuará defendendo o direito das garotas de tirar suas roupas, particularmente quando for por caridade".

O tom estabelecido pela companhia começa pelo topo. O presidente-executivo da Ryanair, Michael O'Leary, ficou famoso por seu machismo no passado. Em uma coletiva de imprensa em Düsseldorf, no início deste ano, sua porta-voz local engasgou com o copo de água quando seu chefe anunciou que os vôos transatlânticos planejados pela sua companhia incluiriam assentos na classe econômica por 10 euros e uma classe executiva completa com "camas e boquetes". Para evitar um desastre de relações públicas, o departamento de marketing da empresa esclareceu que "camas e boquetes" era apenas uma gíria inglesa para serviço de luxo.

Na Irlanda, onde fica a sede da Ryanair, o calendário não parece estar fazendo muito sucesso. Apenas quatro comissárias de bordo irlandesas se candidataram para posar para o calendário, e nenhuma delas foi escolhida. E até mesmo alguns passageiros do sexo masculino expressaram decepção. "Eu nunca vi aeromoças como essas quando vôo pela Ryanair", escreveu um cliente da empresa em um fórum online do "Daily Mail". George El Khouri Andolfato

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