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22/05/2009

"Ninguém pode avaliar a magnitude da catástrofe no Paquistão", diz funcionário da Cruz vermelha

Der Spiegel
Franziska Gerhrardt
Os combates no noroeste do Paquistão estão forçando cada vez mais pessoas a deixarem suas casas. Em um único dia, a ONU registrou 160.000 novos desabrigados. A "Spiegel Online" conversou com o Sébastien Brack, da Cruz Vermelha, sobre a dura situação na região.

Pergunta: Quantos desalojados há hoje no noroeste do Paquistão?

Sébastien Brack:
Gostaria de poder lhe dar um número exato, mas isso é difícil. As autoridades locais estimam que cerca de 360.000 pessoas fugiram da ofensiva militar até agora. De acordo com nossas estimativas, há cerca de 450.000 pessoas desabrigadas em todo o país. Essas, contudo, não contam como refugiadas de acordo com a lei internacional porque não cruzaram fronteiras.

Pergunta: Os números variam muito. A ONU fala em pelo menos 800.000 novos refugiados desde o início da ofensiva.

Brack:
Ninguém tem uma visão precisa da situação. O número estimado de refugiados não contabilizados é alto. Por muitos anos, as pessoas em situação de emergência não conseguiram registrar-se junto às autoridades locais. Mas achamos que as estatísticas de 800.000 -ou até de um milhão- recém desabrigados são exageradas.

Pergunta: Quão ruim é a situação dos refugiados?

Brack:
Para os desabrigados na região do vale Swat, a principal coisa é a subsistência. Eles têm muito pouco tempo para procurar aonde ir. Alguns não sabem onde estão seus amigos ou parentes. As ruas continuam bloqueadas enquanto há batalhas. Até para sair das zonas de combate ainda é difícil.

Pergunta: Onde as organizações humanitárias estão abrigando as pessoas?

Brack:
De acordo com nossas estimativas, menos de um quinto dos desabrigados estão ficando em campos de refugiados porque muitos deles não querem deixar as zonas de combate. Muitos estão com medo de serem roubados. Muitos tentam encontrar apartamentos para alugar em áreas menos violentas ou ficar com parentes. Um ou dois membros da família ficam para trás para vigiar a propriedade. A fuga, porém, ficou mais complicada porque os preços dos aluguéis explodiram e os meios de transporte, como charretes e riquixás, ficaram muito mais caros.

Pergunta: Quantos lugares podem fornecem acomodações de emergência?

Brack:
Sei de 11 campos de desabrigados na zona de combate. Muitos deles não têm comida, água ou recursos médicos básicos. A Cruz Vermelha dá apoio a dois campos, em Malakand e Swabi. As pessoas lá recebem tudo o que precisam.

Tradução: Deborah Weinberg

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