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06/06/2009

Obama na Alemanha: braços abertos para a chanceler alemã

Der Spiegel
Gregor Peter Schmitz e Philipp Wittrock Em Dresden (Alemanha)
Antes da viagem do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a Dresden, nesta semana, a sua supostamente tensa relação com a chanceler Angela Merkel era o assunto principal das manchetes de jornais. Mas, na sexta-feira (05/06), os dois eram só sorrisos. E Obama tinha uma mensagem para os jornalistas reunidos em Dresden: "Parem com isso!".

A mulher idosa usando um casaco vermelho de lã ficou, por um momento, irritada. "O que?", perguntou ela. "Isso é tudo? Ele já foi embora?". Eram pouco mais de 9h30 da manhã da sexta-feira e a mulher tinha acabado de chegar na Praça Altmarkt, no centro da cidade de Dresden, onde uma banda tocava "Copacabana" em um palco decorado com balões vermelhos, brancos e azuis. A mulher estava defronte a uma enorme tela de televisão que a prefeitura da cidade instalou especialmente para a ocasião. A tela mostrava imagens do presidente dos Estados Unidos na escada que levava ao Air Force One. Ele acenou rapidamente e entrou no avião.

Porém, segundos depois, tudo ficou esclarecido. As imagens eram de um arquivo de vídeo de uma visita anterior. A visita de Obama a Dresden foi de fato curta, mas ele não decolou tão cedo quanto a mulher temia. Na verdade, enquanto algumas dezenas de pessoas se aglomeravam no centro de Dresden para a festa que a cidade organizou para Obama na fria manhã de sexta-feira, o presidente não estava muito longe dali. Obama reunia-se com a chanceler alemã Angela Merkel na famosa Grünes Gewölbe (Câmara Verde) da cidade. A instalação abriga a curiosa coleção barroca de Augusto, o Forte, que morreu em 1733, mas Obama não passou muito tempo admirando as obras de arte. Após uma hora de conversas, os dois seguiram imediatamente para o palácio da cidade para uma entrevista coletiva à imprensa.

Lá, também, pôde-se constatar que os problemas foram superados, pelo menos no que se refere às supostas dificuldades nas relações entre Estados Unidos e Alemanha. Mas o processo demorou um pouco. No início, eles ficaram juntos, rígidos, no palanque; cada um enumerando os tópicos que tinham acabado de discutir reservadamente. Merkel elogiou o discurso de Obama na quinta-feira no Cairo, chamando-o de "significativo", e Obama pediu progressos no processo de paz do Oriente Médio. Eles disseram que desejam cooperar em questões como o Irã, a crise econômica e o aquecimento global. Merkel proclamou que os alemães orientais estavam muito satisfeitos com a visita de Obama. O presidente retrucou dizendo que Dresden é muito bonita apesar da difícil história da cidade no século 20. Ele também acrescentou que aprecia a clareza e a análise inteligente de Angela Merkel.

A troca de frases foi mais cordial do que alegre.

Mas então um jornalista perguntou se havia algo a declarar a respeito das tensões entre a chanceler alemã e o presidente norte-americano - segundo boatos que foram alimentados pela decisão de Obama de não visitar Berlim, a capital alemã, nesta viagem.

Agenda de 24 horas
Obama não perdeu tempo em responder. Referindo-se aos relatos, ele afirmou: "Eles não se baseiam em fatos. A verdade é que a relação não só entre os nossos países mas também entre os nossos governos é ótima". Ele afirmou que o itinerário da sua viagem à Alemanha foi determinado em grande parte pelos desafios logísticos de tentar realizar todas as tarefas em 24 horas.

"Portanto, parem com isso, todos vocês", disse ele, provocando risadas. "Sei que vocês têm que encontrar algo que seja assunto de reportagem, mas já temos problemas mais do que suficientes sem que fabriquemos outros mais".

Angela Merkel sorriu com satisfação, e a seguir ofereceu a sua própria resposta à pergunta. "Permitam-me dizer que é agradável trabalhar em conjunto com o presidente norte-americano". Ela disse que valoriza a natureza analítica das suas discussões e que "mal pode esperar pela futura cooperação".

Como se para sublinhar a mensagem, teve início uma discussão a respeito do possível comparecimento de Obama aos eventos na capital alemã para comemorar o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. O convite foi feito, mas Obama ainda não aceitou. Qualquer aprofundamento da relação entre Estados Unidos e Alemanha provavelmente terá que esperar a realização das eleições gerais alemãs em setembro próximo.

É claro que nem Angela Merkel nem Obama forneceram quaisquer detalhes a respeito de como os vínculos poderiam ser estreitados. Angela Merkel prometeu cooperação no que diz respeito ao desejo dos Estados Unidos de que a Alemanha aceite alguns prisioneiros que deverão ser libertados de Guantánamo - embora o próprio ministro do Interior dela, Wolfgang Schäuble, tenha se oposto veementemente à ideia. Obama insistiu: "Nós não solicitamos à chanceler que assumisse compromissos difíceis e ela também não nos apresentou nenhum compromisso desse tipo. Houve apenas uma conversa séria para definir se há maneiras de resolvermos esse problema".

"Trabalho duro"
No entanto, Guantánamo não é o único tópico no qual os Estados Unidos gostariam de observar maior envolvimento alemão e europeu. O Paquistão e o Afeganistão também têm se constituído em um desafio, mas na sexta-feira os dois líderes só mencionaram essas duas questões superficialmente. "Temos que manter esse compromisso", foi tudo o que disse Obama.

Como resultado, um outro tópico definiu as discussões e, especialmente, as perguntas feitas pelos jornalistas norte-americanos - o discurso de Obama no Cairo e o processo de paz no Oriente Médio. "O que houve ontem foi apenas um discurso", disse Obama. "Ele não substitui todo o trabalho duro que precisará ser feito". Nas próximas semanas, George Mitchell, o enviado do presidente norte-americano ao Oriente Médio, viajará novamente para a região. Angela Merkel ofereceu a ajuda da Alemanha durante os próximos passos devido à relação especial do país com Israel e ao seu compromisso com a criação de um Estado palestino.

Após um curto desvio de roteiro até a Frauenkirche - a famosa Igreja de Nossa Senhora, em Dresden -, Obama seguiu para o seu quarto de hotel para entrevistas com a mídia dos Estados Unidos. Um dos tópicos foi o 65º aniversário da invasão das tropas norte-americanas na Normandia, onde Obama participará das comemorações neste fim de semana. Uma comemoração da "Melhor das Gerações" - os veteranos norte-americanos da Segunda Guerra Mundial - constitui-se em uma visita que terá como alvo a plateia doméstica de Obama, assim como a visita que ele fez na tarde da sexta-feira ao memorial do campo de concentração de Buchenwald.

As fotos de Dresden não chegam a entusiasmar. Na borda da zona de segurança, algumas poucas centenas de turistas e moradores locais participaram de uma "Festa de Boas-Vindas a Obama". Eles assistiram à entrevista coletiva à imprensa em um telão mas o próprio Barack Obama não pôde ser visto devido às barreiras policiais.

Obama já tinha partido
Na Praça Altmarkt, as pessoas que não puderam ver Obama ao vivo improvisaram com uma versão em cartolina do presidente. Elas faziam fila na banca de jornais Sächsische Zeitung para serem fotografadas com uma figura em tamanho real de Obama. Por 50 centavos de euro, a fotografia era impressa em uma falsa manchete de primeira página da "edição especial" de um jornal. A manchete era: "Obama em Dresden - Eu estava lá".

Mas, a poucos metros dali, na praça em frente à Frauenkirche, houve finalmente uma chance para que os visitantes proeminentes da cidade interagissem com a multidão. Obama, no entanto, não procurou expectadores. O presidente entrou na igreja reconstruída por uma porta traseira e deixou o local da mesma maneira. Ele já tinha partido havia muito tempo na sua limusine quando uma mulher aproximou-se da barreira de segurança e sacudiu alegremente um par de mãos estendidas.

Eram as mãos de Angela Merkel.

Tradução: UOL

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