UOL Notícias Internacional
 

14/10/2009

China, a convidada não desejada da Feira do Livro de Frankfurt

Der Spiegel
Der Spiegel
A China, que censura centenas de livros todos os anos, foi uma escolha polêmica como a convidada de honra da Feira do Livro de Frankfurt deste ano. Mas alguns dos escritores chineses que participarão do evento, que tem início nesta quarta-feira (13), conseguiram burlar os censores e inserir material político em seus trabalhos.

Uma mulher notável usando uma elegante blusa preta senta-se em uma cadeira volumosa no saguão do Hotel Kempinski de Pequim. O nome dela é Tie Ning e ela é a diretora da Associação de Escritores Chineses, o que significa que representa 8.920 escritores apoiados pelo Estado.

"Censura?", questiona a mulher. "Que censura? Na China os artistas desfrutam de grandes liberdades. Nós estamos aguardando entusiasmadamente a troca aberta de opiniões que ocorrerá em Frankfurt".
  • Michael Probst/AP

    Homem prepara livros no setor de literatura chinesa da feira do livro de Frankfurt, na Alemanha

Esta poderá ser de fato uma festa de livros alegre. Com uma delegação oficial de exatamente cem escritores, juntamente com mais de mil funcionários e gerentes de editoras, os chineses estão aparecendo na maior feira de livros do mundo como os convidados de honra neste ano. Os organizadores em Frankfurt prometem um "diálogo crítico" durante o evento.

"Em Pequim, é necessário obedecer as leis e as regulamentações. Isso é tudo", afirma Tie, com a fisionomia muito séria. Ela fala como se nunca tivesse ouvido falar que aproximadamente 600 livros são banidos todos os anos na China. A seguir ela move-se de forma a assumir uma postura ereta, ajusta o grande broche de prata na blusa, e exibe um sorriso rígido.

Humanidade destruída
Tie Ning tem 52 anos de idade. No passado ela escreveu romances que foram muito respeitados. Um deles, "Porta Rosa", fala sobre os horrores da Revolução Cultural, referindo-se a uma época em que, conforme ela própria diz, "todo o senso de humanidade foi destruído".

No catálogo anual de liberdades de imprensa em todo o mundo, publicado pela organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras, a República Popular da China está atualmente em 167º lugar em um universo de 173 países. Pelo menos 40 jornalistas e escritores estão atualmente na prisão. A tortura e os abusos são "generalizados", afirma a Anistia Internacional. Os ativistas do meio ambiente são seguidos por agentes policiais do Estado. Quem exibir uma faixa de protesto proclamando os direitos dos tibetanos e uigures pode passar anos atrás das grades.

Nesta locomotiva econômica, frequentemente nem mesmo a popular plataforma de rede social da Internet, o Facebook, pode ser acessada nos milhões de computadores espalhados pelo país porque o website foi novamente bloqueado. Tudo isso é bem conhecido e deprimente.

Mas ainda assim, existe na China uma tendência surpreendente ao desafio.

Muitos chineses acreditam que a repressão estatal está longe de ser tão ruim quanto geralmente se acredita no Ocidente.

O dinheiro supera a política
Em uma agência opulenta na Estrada Terceiro Anel, em Pequim, é possível conhecer um jovem esguio que é aclamado por muitos como um poeta popular e de sucesso - um astro da literatura dos jovens chineses. E ele não transmite nem um pouco a impressão de estar sendo oprimido por qualquer aspecto da vida na China moderna.

Guo Jingming tem 26 anos de idade, mas ele é magro como um garoto de dez anos. O seu cabelo é penteado para frente e fixado para o alto. Ele usa ruge na face, um suéter listrado e tênis branco. Guo escreve desde os 18 anos e diz que foca-se exclusivamente naquelas coisas que realmente mexem com ele - a sua vida e o seu amor. Ele escreve linhas como: "Você mostrou-me uma gota de lágrima, e eu vi o oceano no seu coração". O seu livro atual chama-se "Pequenos Tempos".

Guo Jingming tem apartamentos em Pequim e Xangai. Na capital ele dirige um Cadillac e em Xangai um Mercedes S-Class, ou melhor, é o motorista dele que dirige. Ele ganha mais do que a maioria dos escritores na China. "Dinheiro é ótimo", afirma o jovem escritor. A escritora britânica J. K. Rowling, que criou a séria altamente popular Harry Potter, é o principal modelo de Guo.

Guo aparece em programas de jogos na televisão, possui um blog e publica uma revista. Ele está pensando em entrar para o setor de filmes. Guo contrata pessoas para responder aos 500 e-mails que recebe todos os dias. Há quem diga que ele tira a sua inspiração do trabalho de outros, por exemplo, de filmes de Hollywood como "O Diabo Veste Prada".

Guo vê a China como uma terra de oportunidades ilimitadas, uma terra que lhe deu riqueza, e que ele é agora capaz de desfrutar.

E quanto à política?

"A política não me interessa", afirma Guo.

"Uma sensação incrível de raiva"
Todos os anos 150 mil livros são lançados na China. A mais impressionante livraria no centro da cidade possui uma fachada de concreto decorada com letras douradas e chama-se Prédio de Livros Pequim. Ela pertence à mesma companhia estatal que opera a agência oficial de notícias "Xinhua", que significa "nova China". Multidões de fregueses incrivelmente grandes movimentam-se pelo prédio de quatro andares, abrindo caminho pelos corredores entre as estantes de livros. Os mais vendidos são os livros com dicas sobre como ter uma vida saudável e esquemas para enriquecer, incluindo a "Bíblia das Vendas" e os conselhos do grande guru do capitalismo, Warren Buffett.

"Eu sempre ando por Pequim com uma sensação incrível de raiva", diz a novelista e cineasta Guo Xiaolu. Ela mora durante a metade do ano em Londres, e durante a outra metade em Pequim. Quando visitantes ocidentais enaltecem o entusiasmo da China por novos empreendimentos e a energia do país, ela fica furiosa. "Eles não percebem que esse entusiasmo maníaco por novos arranha-céus e carros tem um cerne incrivelmente melancólico, e até mesmo deprimido".

Ela nasceu em 1973 em uma vila de pescadores no sul da China. "Ninguém lá, nem mesmo os meus pais, jamais leu um livro", conta Guo Xiaolu. Ela começou a escreveu aos dez anos e lançou o seu primeiro livro de poesias as 14 anos de idade. Aos 18 ela conseguiu ser aceita pela Academia de Cinema de Pequim. O filme dela, "Ela, uma Chinesa", ganhou o cobiçado Leopardo de Ouro no Festival Internacional de Cinema em Locarno. O filme conta a história de uma menina chinesa que muda-se para a cidade grande, onde ela se vê cercada de cafetões e assassinos, e finalmente vai parar no Reino Unido.

Em 2002, Guo Xiaolu foi para a Europa com uma bolsa de estudos. Ela trabalha atualmente com editoras e produtoras britânicas e alemãs, mas não deseja abrir mão do seu apartamento em Pequim. O seu último livro, "OVNI nos Olhos Dela", é uma sátira à modernização da China, e passa-se no ano 2012.

No seu romance, o prefeito de uma aldeia chinesa proclama que "tudo o que for velho deve dar lugar ao novo", e espalha faixas com slogans como "Livrem-se dos fracos e dos preguiçosos!". O livro inclui ainda alguns obtusos agentes policiais do Estado e uma mãe que lamenta os 5.000 mineiros, em sua maioria jovens, que morrem todos os anos nas minas da China. Guo Xiaolu afirma que é totalmente impossível que "OVNI nos Olhos Dela" seja um dia publicado na China. Ela diz que foi criada como comunista, mas que hoje em dia sofre de "asfixia" em Pequim.

Exército de censores
Um enorme exército de censores - cujos nomes e números exatos continuam desconhecidos - fiscalizam a mídia chinesa. Os escritores são controlados por uma agência especial do governo, a Administração Geral de Imprensa e Publicações (Agip). A Agip é a parceira oficial da Feira do Livro de Frankfurt. Ela organiza o programa do país convidado e lançou várias iniciativas, incluindo a doação de meio milhão de euros (aproximadamente US$ 739 mil) em subsídios para a tradução de romances chineses para o alemão.

Os censores da Agip intervêm quando líderes importantes do Partido Comunista são atacados, quando as minorias étnicas do país são retratadas de uma forma pouco lisonjeira ou quando fazem-se alusões às revoltas estudantis de 1989. Mas a agência também atua no sentido de suprimir a pornografia, ou aquilo que é considerado pornografia na puritana China. Em geral, tudo o que possa ameaçar a "estabilidade e a unidade da China" é considerado indesejável.

Assim como ocorreu em outros Estados comunistas, os livros foram as armas mais contundentes do discurso intelectual na China até a década de noventa. Mas, nos últimos anos, a Internet tem sido a principal plataforma para o debate inteligente e de protesto.

É sempre difícil ter uma ideia do que está ocorrendo nos veículos de comunicação e publicações chinesas, já que a cada ano são publicados 150 mil livros e lançados milhões de novos websites no país. Mas especialmente desnorteante é o fato de vários tópicos claramente banidos poderem ser atualmente discutidos em Pequim sem que as autoridades se importem.

"Nós não pedimos permissão"
Um exemplo da recente tolerância pode ser encontrado por detrás das paredes cinzentas da Livraria Sanwei, que fica na principal avenida no sentido leste-oeste no coração da cidade, não muito longe da Praça da Paz Celestial. O prédio é um sobrado tradicional, como os milhares que antigamente pontilhavam a cidade de Pequim. Agora ele fica isolado em meio a enormes prédios de escritórios e grandes canteiros de construção, como se fosse um anão entre gigantes.

Desde 1988, Li Shiqiang administra a primeira livraria independente daqui, juntamente com a sua mulher, Liu Yuansheng. As paredes estão cobertas de fotos em preto e branco emolduradas da velha Pequim e, em um espaço do tamanho de duas salas de estar, livros de natureza principalmente política são exibidos em mesas de madeira altas. Há livros sobre Barack Obama, a proteção ao clima global, a crise econômica e Bob Dylan. Visitantes da Alemanha poderão também se surpreender ao encontrarem uma antologia de ensaios do filósofo Jürgen Habermas traduzidos para o chinês, bem como o livro do ex-chanceler alemão Helmut Schmidt, "Homens no Poder: Uma Retrospectiva Política".

Na sala de chá da livraria, há 60 cadeiras e algumas mesas. De vez em quando há um concerto de jazz, e todas as tardes de sábado pessoas são convidadas para participarem de apresentações e discussões. Os participantes falam sobre os limites morais da ganância e os lucros excessivos, e ainda sobre o caráter politicamente explosivo do islamismo e as problemas gerados pela censura chinesa. "Quase nunca algum evento é proibido pelas autoridades governamentais", afirma Li Shiqiang. "Nós simplesmente não pedimos permissão, e geralmente ninguém se preocupa conosco".

Prevenindo catástrofes
Li Shiqiang nasceu em 1945, depois que os ocupantes japoneses foram derrotados, quando a China era um autêntico campo de batalha esfacelado pela guerra civil. Ele tinha quatro anos de idade quando centenas de milhares de pessoas comemoraram o nascimento da República Popular da China na Praça da Paz Celestial. Li tornou-se engenheiro. Em 1958, a sua mulher perdeu o emprego de professora por ser supostamente "direitista". Em 1966, Mao proclamou a Revolução Cultural, e indivíduos de alto nível educacional passaram subitamente a ser vistos como uma escória.

Durante sete anos, de 1968 a 1975, Li foi mantido na prisão. "Nós passamos por várias catástrofes", diz ele, enquanto a sua mulher serve chá. "E, mesmo que isso possa soar ridículo, porque somos apenas dois indivíduos comuns, nós desejamos usar o trabalho na nossa loja para fazermos tudo o que pudermos para prevenirmos novas catástrofes".

Em 1989, quando as forças armadas usaram tanques para esmagar a rebelião estudantil na Praça da Paz Celestial, a filha de Li estava em meio aos manifestantes, tendo ficado presa durante dois anos. Ela atualmente mora na Coreia do Sul. Após o massacre da Praça da Paz Celestial, as apresentações vespertinas na Livraria Sanwei foram proibidas. "Foi só em 2002 que pudemos dar novamente início aos debates, e percebemos que recentemente passamos a contar com novos visitantes da afluente classe média".

Às vezes ele se enfurece com aquilo que os escritores chineses escrevem hoje em dia. "É pura ganância, e não a censura, que os impede de escrever sobre as importantes questões políticas com as quais se depara o nosso país. A nossa sociedade inteira quer ganhar dinheiro, e eu percebi, para meu desapontamento, que isso se aplica também aos nossos escritores".

As privadas douradas dos novos ricos
A China possui uma mídia enorme e variada, e tem crescido rapidamente para tornar-se uma superpotência econômica desde que o líder do Partido Comunista, Deng Xiaoping, encorajou as massas dizendo: "Ficar rico é algo de glorioso!".

Yu Hua, um homem baixo e atarracado com cabelos desgrenhados e que dá piscadelas marotas vendeu 1,5 milhões de cópias do seu último romance, "Irmãos" - sem contar as várias cópias piratas. "Apenas tive sorte", diz ele, movimentando os braços. "Se o meu livro tivesse lido lançado alguns meses antes ou alguns meses depois, não haveria permissão para que ele fosse publicado na China!".

"Ele passou pelos censores", acredita Yu, "porque o livro foi publicado pouco após a morte da viúva de um político famoso, uma vítima conhecida da Revolução Cultural, e os censores do Estado estavam aguardando novas diretrizes para saberem se seria permitido falar mais abertamente sobre a insanidade assassina daquele período da história chinesa".

"Irmãos", que analisa com irreverência o massacre ordenado por Mao e o capitalismo turbinado da China atual, também promete ser um sucesso na Alemanha, onde foi traduzido, juntamente com vários outros romances chineses, para marcar o fato de a China ser a convidada de honra deste ano na Feira do Livro de Frankfurt. O livro é um romance épico, rude e picaresco. Ele conta a história do astuto empresário Baldy Li e do seu desafortunado irmão Song Gang, um indivíduo fracassado e sensível.

Vida real grotesca
Baldy Li não conta com educação formal, mas tem autoconfiança, sendo um membro típico da classe de novos ricos da China atual. Ele é um desses caras que grita quando fala ao telefone celular nas salas VIP dos aeroportos, que agarra-se a mulheres em bares de karaokê, dirige em alta velocidade pela cidade em automóveis conversíveis caros e gosta de exibir grossos maços de dinheiro. Li obteve a sua fortuna com lixo, importando ternos usados do Japão e articulando operações imobiliárias questionáveis. Ele usou os seus lucros para comprar uma privada dourada.

O irmão de Li, Song Gang, é uma dessas pessoas da China atual incapaz de suportar a mudança rápida dos tempos. Ele é uma das várias pessoas que se sentam em salas de chá e escritórios empoeirados e que procuram desesperadamente descobrir como alcançar aqueles que experimentam uma rápida ascensão social. Pelo menos Song consegue conquistar a moça mais bonita da cidade - mas ela mais tarde torna-se a dona de um prostíbulo. A carreira dele também não é melhor. Song mal consegue se sustentar como vendedor de um "creme para aumento dos seios", e ele chega a submeter-se a um implante para demonstrar a efetividade do produto a clientes céticas.

"Irmãos" pode ser um livro grotesco, mas Yu Hua enfatiza que o seu romance baseia-se na vida real. Até mesmo as privadas douradas de fato existem. "Pouco depois que o livro foi lançado, dois leitores me ligaram e disseram: 'É inacreditável! Você escreveu a respeito da minha privada!".

Os limites da discórdia
Yu nasceu em 1960 e cresceu em uma pequena cidade na região central da China. Ele trabalhou durante anos como dentista de uma aldeia. Há mais de duas décadas ele vive em Pequim trabalhando como escritor. Em 1994, quando o diretor Zhang Yimou filmou o seu romance "Viver", com a famosa atriz Gong Li no papel principal, o filme foi proibido na China. As perspectivas para a versão cinematográfica de "Irmãos" também não parecem boas. Yu diz que as autoridades já manifestaram a sua desaprovação, dizendo a ele que o livro não lança uma luz positiva sobre as reformas e a política de abertura de Deng Xiaoping.

Yu viajará com a delegação oficial à Feira do Livro de Frankfurt, mas ele ainda diz coisas que antigamente não se esperavam de um bem-sucedido escritor chinês. "O problema mais urgente da China é a injustiça", diz ele. "A nossa polícia e os nossos juízes são corruptos. No decorrer dos últimos 12 meses, foram prestadas 10 milhões de queixas oficiais em todo o país. Dez milhões de pessoas sentem que foram tratadas injustamente. Esse é o nosso maior problema referente aos diretos humanos".

Orgasmos polêmicos
O renomado escritor chinês Yan Lianke também não é um dissidente, mas, mesmo assim, ele escreveu um livro bastante transparente e corajoso. O título do livro é "Sonho de uma Vila Barulhenta", e ele aborda um escândalo real. Durante a década de 1990, dezenas de milhares de pessoas foram infectadas com o HIV por agulhas sujas e sangue contaminado. Os comerciantes responsáveis por esse desastre foram protegidos por funcionários corruptos do partido. Não é preciso dizer que o livro dele está proibido na China.

Yan foi militar de carreira até meados da década de 1990 e, ironicamente, trabalhou como escritor de propagandas para as forças armadas. Mas após redigir textos questionáveis e conceder entrevistas, ele foi expulso do Exército de Libertação Popular. Recentemente ele tornou-se professor de literatura da Universidade Popular em Pequim, onde leciona literatura clássica do século 20."Sonho de uma Vila Barulhenta" não é o primeiro livro de Yan a ser banido. Em um trabalho anterior, o romance de 2005 "Servir ao Povo", a mulher de um oficial militar de alta patente mantém relações sexuais tão intensas com os soldados sob comando do marido que bustos de Mao são quebrados, fazendo com que os soldados experimentem orgasmos incríveis. Os censores não gostaram.

Se um livro é proibido, geralmente não há nenhuma discussão ou objeção a se fazer. E isso pode também custar caro. Ao contrário do que ocorre no setor cinematográfico, onde os roteiros precisam ser apresentados para receberem aprovação, a censura de um livro só ocorre após a sua publicação. "Sonho de uma Vila Barulhenta", por exemplo, foi vendido nas livrarias durante três dias. A seguir os editores tiveram que recolher todos os exemplares. Devido ao prejuízo, eles desentenderam-se com o escritor devido à quantia cobrada por este. É esse risco financeiro, muitas vezes ampliado pelas penalidades impostas pelas autoridades, que torna a censura chinesa tão efetiva. "A auto-censura é muito pior do que todas as intervenções dos censores", afirma Yan. "Eu também me contive durante anos na hora de escrever. E o que isso trouxe de bom? Nada! Os escritores chineses trazem a censura em suas veias".

"Tenho que pensar na minha mãe"
A seguir Yan diz com um sorriso sarcástico que a situação dos escritores chineses na verdade melhorou bastante. "Trinta anos atrás, romancistas dissidentes eram torturados e mortos. Quando um dos meus livros foi banido pela primeira vez, 15 anos atrás, eu tive que me apresentar regularmente às autoridades governamentais durante seis meses e escrever textos de auto-crítica. Atualmente, ninguém interfere na minha vida privada".

Yan foi impedido de viajar à Alemanha como membro da delegação oficial. Como os seus livros são publicados pela editora alemã Ullstein, ele poderia ainda assim ir a Frankfurt, mas preferiu não viajar. "É melhor não ir para lá e ficar quieto", afirma o escritor. Em Frankfurt eles estão montando um "feira de templos" como em um festival chinês de primavera, diz Yan. E ele apenas contradiria os políticos e funcionários que viajaram para a Alemanha, e isso poderia ser perigoso.

"Eu tenho que viver na China", explica Yan. "Não sou forte, e às vezes sou até covarde. Tenho que pensar na minha mãe, na minha mulher e na minha filha. Não quero que elas tenham problemas".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,27
    4,154
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,89
    105.422,80
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host