Líbio Gadhafi declara guerra santa contra a Suíça

A rixa entre a Líbia e a Suíça vem esquentando há meses. Na quinta-feira, Moammar Gadhafi partiu para a ofensiva, declarando uma jihad contra o país dos Alpes. 

Num discurso confuso na quinta-feira, o líder da Líbia Moammar Gadhafi declarou uma guerra santa contra a Suíça. O pronunciamento bizarro faz parte de uma rixa entre as duas nações, mas o ministro de Exterior da Suíça recusou-se a comentar.

“Vamos fazer a guerra santa contra a Suíça, o sionismo e a agressão estrangeira”, sugeriu Gadhafi num encontro na Líbia para celebrar o nascimento do profeta Maomé. “Qualquer muçulmano em qualquer lugar do mundo que trabalhe com a Suíça é um desertor, está contra Maomé, Deus e o Alcorão.” 

Os governos da Suíça e da Líbia estão com relações estremecidas desde 2008, quando a polícia suíça prendeu o filho de Ghadafi, Hannibal, e a mulher dele, a modelo Aline Skaf. O casal foi acusado de agredir empregados num hotel de luxo. Eles logo foram soltos sob fiança, e as autoridades retiraram as queixas, mas a Líbia respondeu retirando bilhões de dólares de bancos suíços, cortando o fornecimento de petróleo, negando vistos e retirando diplomatas. 

“Estado obsceno”
Em novembro passado, os eleitores da suíça inflamaram a opinião pública em todo o mundo muçulmano ao aprovar uma proibição dos minaretes nas mesquitas construídas na Suíça. Gadhafi parece ter se referido a esse referendo na quinta-feira quando chamou a Suíça de um “Estado infiel e obsceno que está destruindo as mesquitas.” 

Ele estava discursando numa praça ao ar livre para representantes de várias dúzias de países muçulmanos, na cidade de Benghazi, na Líbia. “As massas de muçulmanos precisam ir a todos os aeroportos do mundo islâmico e impedir o pouso de qualquer avião suíço”, acrescentou, “a todos os portos e impedir que qualquer navio suíço atraque, inspecionar todas as lojas e mercados para evitar que qualquer produto suíço seja vendido.” 

Ele também declarou que não estava fazendo uma convocação para o terrorismo. O terrorismo ao estilo da Al Qaeda é um “tipo de crime e doença psicológica”, disse ele, mas insistiu: “há uma grande diferença entre terrorismo e jihad, que é o direito ao confronto armado.” 

Irregularidades nos vistos
A disputa diplomática com a Suíça esquentou nos últimos meses. Em 15 de fevereiro, a Líbia anunciou que negaria vistos a cidadãos europeus da área de livre circulação conhecida como bloco Shengen, ao qual a Suíça pertence. Tripoli disse que a atitude era uma retaliação contra o fato de a Suíça ter proibido as viagens de 200 cidadãos líbios no ano passado, incluindo o próprio Gadhafi. 

A proibição impediu que os líbios viajassem por toda o bloco Shengen. Ela recebeu críticas este mês de autoridades italianas, que disseram que a Suíça havia exagerado em sua reação. 

Em 23 de fevereiro, a polícia líbia cercou a embaixada suíça em Trípoli, onde dois empresários suíços estavam abrigados desde alguns dias depois da prisão de Hannibal em 2008. A Líbia se recusou a permitir que eles voltassem para casa, acusando-os de irregularidades nos vistos e violação de regras nos negócios, mas negou que isso tenha sido em retaliação pelo caso de Hannibal. 

No começo de fevereiro, um tribunal da Líbia determinou vereditos “in absentia” para os dois homens, e um deles, Rachid Hamdani, pode deixar o país. A polícia levou o outro, Max Goeldi, para uma prisão de baixa segurança, onde ele deve cumprir uma sentença de quatro meses.

Tradutor: Eloise De Vylder

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