Proposta de Fundo Monetário Europeu ganha apoio da União Europeia

  • Olivier Hoslet/EFE

    Os líderes da União Européia em reunião na sede do bloco econômico em Bruxelas, na Bélgica

    Os líderes da União Européia em reunião na sede do bloco econômico em Bruxelas, na Bélgica

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, sugeriu a criação de um fundo monetário europeu para possibilitar que a zona do euro enfrente crises de dívida como aquela que ocorre na Grécia sem precisar recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O comissário de Questões Monetárias da União Europeia, Olli Rehn, gostou da ideia. 

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, obteve o apoio do comissário de Questões Monetárias da União Europeia, Olli Rehn, para uma proposta de criação de um fundo monetário europeu para o enfrentamento de crises de dívida como a da Grécia.

“Nós estamos trabalhando junto com a Alemanha, a França e os outros membros da União Europeia nesta questão”, disse Rehn em um artigo do jornal “Financial Times Deutschland” publicado na segunda-feira (08/03). “A comissão está preparada para propor um instrumento europeu deste gênero que conte com o apoio dos membros da zona do euro. Qualquer auxílio fornecido pelo fundo precisaria estar vinculado a condições rígidas”.

A Grécia acumulou uma dívida orçamentária mais de quatro vezes superior ao limite estabelecido pela União Europeia, que é de 3% do produto interno bruto, gerando temores nos mercados de que o país possa declarar uma moratória e ameaçar a união monetária da Europa, criada há 11 anos. O país anunciou grandes cortes de gastos e aumentos de impostos para reduzir o seu déficit orçamentário. A crise fez com que o euro sofresse uma desvalorização de cerca de 10% em relação ao dólar desde o final do ano passado. 

Sem ajuda externa

Schäuble disse no domingo ao jornal “Welt am Sonntag” que em breve proporá a criação de uma instituição para ajudar a zona do euro a enfrentar crises de dívida.

Ele disse que se opõe a uma operação de resgate financeiro da Grécia pelo FMI, que apoia países que passam por dificuldades de pagamentos, exigindo frequentemente como contrapartida reforma duras de mercado. Países como a Letônia e a Hungria receberam ajuda do FMI, mas nenhum Estado membro da zona do euro foi auxiliado pela instituição, que tem sede em Washington.

A Alemanha e outros países da zona do euro afirmaram que a Europa deve lidar com a crise da Grécia sem ajuda externa.

“A zona do euro pretende ser capaz de resolver os seus problemas sozinha”, declarou Schäuble. “Na minha opinião, aceitar ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional seria admitir que os países da zona do euro são incapazes de resolver os seus problemas sozinhos”.

Quando lhe perguntaram se a Europa necessita do seu próprio fundo monetário europeu, Schäuble declarou: “Nós devemos conversar calmamente a respeito das lições que podem ser tiradas da crise grega. Não devemos descartar nenhuma proposta, incluindo a criação de um fundo monetário europeu. Não pretendemos criar uma instituição rival do Fundo Monetário Internacional, mas, para garantir a estabilidade interna da zona do euro, precisamos de uma instituição que tenha a experiência do FMI, e poderes correspondentes. Em breve eu farei propostas neste sentido”.

Outros membros da coalizão de centro-direita da chanceler Angela Merkel receberam bem a proposta de Schäuble, da mesma forma que os oposicionistas Social-Democratas, de centro-esquerda, que afirmaram que essa ideia foi formulada originalmente por eles.

A Grécia não precisará de ajuda, diz o presidente do banco central

Enquanto isso, o presidente do banco central grego, George Provopoulos, afirmou que a Grécia não precisará de ajuda externa para lidar com os seus problemas. Provopoulos disse ao jornal “Financial Times Deutschland” que a forte demanda pelos bônus de dez anos, no valor de cinco bilhões de euros (US$ 6,8 bilhões, R$ 12,2 bilhões) vendidos pela Grécia na última quinta-feira demonstraram que Atenas é capaz de obter as verbas das quais necessita nos mercados financeiros.

“Um cenário no qual uma ajuda fosse necessária não tornar-se-á uma realidade”, disse Provopoulos na entrevista, que foi publicada na segunda-feira.

Mas ele acrescentou que se a Grécia precisar de auxílio externo, tal ajuda deverá vir da Europa, e não do FMI. “A Grécia faz parte da família do euro e, se o país precisar de ajuda, isto deve ser uma tarefa da zona do euro”, afirmou ele. Na semana passada a Grécia apresentou um pacote de austeridade econômica de 4,8 bilhões de euros (US$ 6,52 bilhões, R$ 11,7 bilhões) a fim de reduzir o seu déficit. O país culpou os especuladores do mercado, que estão apostando em uma possível moratória grega, pela elevação do preço dos seus empréstimos.

Sarkozy promete apoio

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, prometeu no último domingo à Grécia que os países da zona do euro ajudariam Atenas a superar os seus problemas financeiros, e comprometeu-e a reprimir os especuladores financeiros. Ele deu a declaração após conversas com o primeiro-ministro grego, George Papandreou, que tem viajado pelas capitais europeias, tentando obter declarações de apoio que tranquilizem os mercados.

Sarkozy descartou qualquer auxílio financeiro imediato, mas frisou que o seu ministro da Economia está elaborando possíveis planos de ajuda. Angela Merkel declarou na sexta-feira que a estabilidade da zona do euro não corre atualmente riscos devido à crise da dívida grega, de forma que um auxílio direto à Atenas não se faz necessário.

Falando em uma entrevista coletiva à imprensa com Papandreou após uma reunião entre os dois, ela pediu a Atenas que implemente rapidamente reformas. “A Grécia não pediu ajuda financeira. No momento, a zona do euro encontra-se estável. E, portanto, esta questão relativa a ajuda não foi apresentada”, afirmou Merkel.

Existe uma forte resistência pública na Alemanha a uma ajuda financeira à Grécia, e a crise gerou uma guerra de palavras, desencadeada pela mídia, entre os dois países no mês passado.

Angela Merkel defendeu também a coibição das ações dos especuladores. “Não é possível que especuladores lucrem com a situação difícil da Grécia, e é por isso que nós temos uma responsabilidade conjunta. Temos que conter o jogo dos especuladores, trabalhando em conjunto com outras nações”.

Tradutor: UOL

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